Durante muito tempo assisti e li muitas afirmações sobre como enriquecer no mercado de ações. No intuito de criar uma idéia comum, que todos podem ser ricos, e que, bastaria somente dedicar uma parte da sua renda mensal para aplicações no mercado financeiro. Que seguindo as cartilhas das corretoras à risca em poucos anos você teria o seu patrimônio multiplicado e warren-buffett-tips-for-getting-richtalvez em mais alguns anos passasse a viver somente da renda gerada pelas aplicações, e finalmente, dedicar a vida fazendo aquilo que sempre sonhou.

No entanto, era necessário validar a idéia partindo de casos empíricos de sucesso para que as pessoas se espelhassem em alguém que de fato realizou esses feitos, tornando assim, o fato inquestionável.

Poucos mitos no mundo das finanças são tão perniciosos do que os muitos que cercam a carreira de Warren Buffett. Ele é o investidor mais glorificado e respeitado de todos os tempos.

Afinal de contas, é amplamente difundido que ele se tornou o homem mais rico do mundo essencialmente por “escolher ações” (stock picking). Mas Warren Buffett também é extremamente mal compreendido pelo público em geral, que induzido por uma imagem montada pelo melhor corretivo que a MAC poderia produzir. Eu pessoalmente acredito que o mito de Warren Buffett é um dos maiores equívocos no mundo financeiro.

Para a maioria das pessoas Warren Buffett é um singelo velho companheiro, mediano e folclórico, que só tem um talento especial: escolher ações. Ele trabalha duro para encontrar as “ações de valor” e depois deixa-as valorizar para sempre, certo? É o velho mito de que você pode comprar, algumas velhas conhecidas (digamos, Coca-Cola porque você gosta Cherry Coke ou American Express porque você gosta de seus cartões de crédito), através do relatório anual, desembolsando uma parte de suas economias em ações ordinárias e ver o dinheiro se acumular além do telhado.

Bem, nada poderia estar mais longe da verdade, e aqui estamos nós, com toda uma geração que acredita que as abordagens simplistas de “value investing”, ou que comprar e manter são as únicas melhores maneiras de acumular riqueza no mercado. Ao contrário do mito popular, Warren Buffett é um empresário extremamente sofisticado. A fim de compreender o quão perigoso esse mito é, temos de mergulhar a fundo na história de Buffett.

Em grande parte, o mito de Warren Buffett tem alimentado um “boom” no mercado de ações de uma geração de pessoas em todo mundo que tem procurado fazer a sua riqueza no mercado de ações. E quem melhor para vender esta idéia do que as empresas financeiras? Afinal de contas, uma alocação rápida em um fundo de “valor” simples vai te dar quase uma réplica da abordagem Warren Buffett para investimento em valor, certo? Ou talvez melhor ainda, lendo seis meses do Wall Street Jornal, Financial Times ou Valor Econômico e analisando as relações de Preço/Lucro de suas empresas favoritas irá te colocar no caminho para uma aposentadoria bem sucedida.

Ao simplificar esse investidor glorificado chamado Buffett, o público em geral tem a falsa percepção de que a gestão da carteira é tão fácil que um homem das cavernas pode fazê-la. E assim vemos comerciais com bebês negociando de seus berços e homens de meia idade investindo suas reservas em seu tempo livre.

Um exército de pessoas bem intencionadas verte dinheiro e taxas para as corretoras que tentam replicar algo que não pode ser replicado. As empresas financeiras querem nos fazer crer no mito de Warren Buffett. Na verdade, muitos de seus modelos de negócios dependem de nossa crença nesse mito.

Deixe-me começar dizendo que não tenho nada, a não ser o maior respeito por Buffett. Quando eu era um jovem praticante no mercado imprimi cada uma de suas cartas anuais e as li inteira. Foi e continua a ser a maior e única educação de mercado que eu já recebi.

Eu altamente recomendo para qualquer um que não o tenha feito. Mas cavando mais fundo eu percebi que Warren Buffett é muito mais do que o folclórico selecionador de ações de valor retratado pela mídia. O que ele construiu é muito mais complexo do que isso.

Na realidade, o Sr. Buffett formou um dos fundos originais de hedge em 1956 (The Buffett Partnership Ltd), e ele cobrou taxas similares às taxas que agora seguem nos fundos de hedge modernos. O mais importante, porém, é que Buffett era mais empreendedor do que o mero selecionador de ações.

Como a maioria das outras 400 pessoas mais ricas do mundo na lista FORBES, Buffett criou riqueza através da criação de sua própria empresa. Ele não acumulou sua riqueza de qualquer maneira que se assemelha ao que a maioria de nós acha, abrindo contas de corretagem e alocando nossas poupanças em vários ativos. Não se engane: Buffett é um empreendedor, gestor de fundos de hedge e homem de negócios altamente sofisticado.

O fundo original, o Buffett Partners, é particularmente interessante devido à recente bronca do desempenho de fundos de hedge. Ironicamente a Buffett Partners cobra 25 por cento dos lucros superiores a 6% no fundo. Esta é uma grande razão de como Buffett cresceu sua riqueza tão rapidamente. Ele estava operando um fundo de hedge nada diferente dos fundos de hoje.

E não era apenas um fundo de valor. Buffett muitas vezes usou-se de alavancagem e, por vezes, teve todo o seu fundo investido em apenas algumas ações. Uma posição famosa foi a sua compra da Dempster Mill, em que ele realmente puxou um dos primeiros movimentos conhecidos de fundos de hedge ativistas, instalando sua própria gestão na empresa. Buffett, o gestor do fundo de hedge ativista? Está certo. Ele foi um dos primeiros. Sua empreitada para comprar Berkshire Hathaway foi bastante semelhante.

A Berkshire não é apenas seu conglomerado mediano. O brilho por trás da construção dessa empresa é espantosa. Ele efetivamente usava (e usa) a Berkshire como a maior casa executora de opções do mundo. Os prêmios e fluxo de caixa de suas empresas de seguros criaram dividendos que ele pôde investir em outros negócios.

A Berkshire tornou-se essencialmente uma holding para que ele pudesse executar o negócio de seguros-escrituração através da utilização de um poderoso fluxo de caixa, para construir um conglomerado. A história de Buffett não se trata apenas da compra da Coca-Cola e Geico. Ele estava envolvido em investimentos reais em muitos casos, semeando capital e desempenhando um papel empresarial muito mais ativo no processo de produção.

Ele também estava fazendo algumas apostas complexas (de curto prazo e longo prazo) no mercado de derivativos, mercados de opções e mercados de títulos. A percepção de que Buffett é um selecionador de ações puro, como muitos passaram a acreditar, é um mito.

Também é interessante notar que a carteira de ações que o tornou famoso, equivalia a apenas cerca de 28% do valor da empresa Berkshire em 2013. Suas propriedades mais famosas (Coca-Cola, American Express e Moodys) correspondem a cerca de 8% da capitalização total de mercado.

Curiosamente, duas das compras mais famosas de Buffett não foram simplesmente “pinçadas” pela análise fundamentalista, mas uma jogada muito mais complexa. Suas compras originais da American Express e Geico ocorreram quando as duas empresas estavam oscilando à beira da insolvência. Estas ofertas são mais parecidas com o que muitos fundos de hedge de dívida inadimplente modernos fazem, não como a maioria de nós pensa, como investimento em valor tradicional.

                                                                                   Não se engane – Buffett tem um instinto assassino de destaque em muitos líderes empresariais de sucesso. Basta olhar para o acordo que ele atingiu comWarren Buffett o Goldman Sachs e GE em 2008, e praticamente pisou em suas gargantas quando precisavam levantar capital nas profundezas da crise financeira, exigiu um acordo de mandato de cinco anos, e lucrou magnificamente.

Claro, Buffett descreveu o acordo como uma jogada de valor à longo prazo. Se um fundo de hedge de dívidas inadimplentes (que é o papel que a Berkshire joga freqüentemente) fizesse o mesmo movimento, os repórteres poderiam ter descrito o gestor do fundo como um ladrão que estava atacando duas grandes corporações norte-americanas, enquanto elas estavam mal das pernas.

Warren Buffett é um grande americano e um grande líder empresarial, mas faça o seu dever de casa antes de cair de cabeça no mito de que um dia você vai sentar no trono de “pessoa mais rica do mundo”, empregando uma estratégia que é, na verdade, nada remotamente perto o que a Berkshire e Buffett realmente fazem.

Equipe parallaxis. 

Fonte: Mr. Roche é fundador do Founder of Orcam Financial Group, LLC.