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Post escrito pelo economista, filósofo e estudante de direito F.Ogata Larsen

 

São Paulo enfrenta uma das secas mais drásticas de toda sua história. Não bastasse a seca e a falta d’água, temos problemas de energia elétrica e calor excessivo.  A verdade deve ser dita: estamos numa decadência sem limites!

Não é apenas São Paulo. Reservatórios em Minas Gerais e Rio de Janeiro também estão no limite. O problema é geral.  Agora, a questão que cabe a nós, pensadores, perguntar é: A culpa é de quem? por que estamos enfrentando tais problemas?

A questão é que não é somente no Brasil que acontecem os problemas ambientais. O mundo todo sofre de problemas ambientais. Se não acontece nesse exato momento, poderá ocorrer no futuro.  Por isso, dediquei um espaço aqui no blog para discutir e refletir sobre razões da crise do meio ambiente.

Para entender a crise ambiental que enfrentamos no mundo, resolvi juntar o pensamento de quatro filósofos, que em conjunto conseguem identificar raízes dos problemas que hoje enfrentamos no mundo, isso é, o problema do meio-ambiente. Cabe lembrar que são esboços, enumerados, nada aprofundado, pois o foco são as interpretações em si.

O primeiro pressuposto é a teoria de Nietzsche, onde para o filósofo, não existem fatos apenas interpretações.  Utilizo Nietzsche apenas para um pressuposto básico: A possibilidade de inúmeras interpretações. Simplesmente  é possível interpretar algo de inúmeras maneiras.  Apenas para enumerar, Nietzsche defendia a possibilidade do perspectivismo, isso é,  a ideia de que não existem verdades eternas, convicções únicas, dogmáticas por assim dizer. O filósofo não acreditava na possibilidade de uma verdade universal, pois desconfiava da razão humana, acreditava que a razão era apenas um meio de autoconservação, assim como que toda essência do ser é pautada por uma vontade de poder. Vontade de poder que era, em certo sentido, individual, do qual cabia possibilidades de potência para cada individuo, inúmeras superações de si mesmo, por isso, interpretações para cada ser. Cada individuo tem uma maneira de superar-se que o difere  de outros, por isso, não existiriam fatos concretos, mas sim inúmeras interpretações. Grosso modo, Nietzsche defendia o perspectivismo através da teoria da vontade de poder, alinhada com a descrença na razão humana e na problemática da linguagem. Em suma, uso Nietzsche como um pressuposto filosófico, onde no problema do meio ambiente, as interpretações são infinitas.

O segundo pressuposto, não menos importante é Marx. O filósofo tem como tema principal o capitalismo. Pra entender o porquê de buscar Marx, basta lembrar de uma das suas principais frases: ” O capitalismo gera o seu próprio coveiro”. O capitalismo é um modo de produção, singular, que para sobreviver precisa necessariamente de lucro. O problema é que para atingir o lucro, este modo de produção necessita dos recursos naturais como fonte de reprodução. O capitalismo se estabelece pelos recursos naturais. O proprietário dos meios de produção, aquele do qual mantém seus trabalhadores precisa de recursos, como água, terra, espaço, máquinas, isso é, uma enorme quantidade de recursos para produzir e por em ciclo seu jogo econômico. O problema do meio ambiente, em uma interpretação marxista, poderia estar inteiramente ligado a um problema do capitalismo. O capitalismo destrói o meio ambiente. Quanto maior uma indústria cresce, mais ela precisa retirar do solo uma quantidade de material e muitas vezes isso não é recomposto devidamente (Basta lembrar o desmatamento que está acontecendo no Brasil e está afetando o sudeste brasileiro).

Terceiro filósofo que utilizo é Rousseau. Nesta abordagem, Rousseau se encaixaria mais com um pano de fundo antropológico e filosófico, isso é, segundo Rousseau, a sociedade corrompe o homem e retira-o de seu estado natural. A natureza tem um papel fundamental na essência humana. A questão que remete o problema do meio ambiente é que a sociedade destrói a natureza e continua destruindo. Rousseau faz nos lembrar da importância da natureza, não como fonte de recursos mas como própria essência humana. O homem é e faz parte da natureza. Cabe pensar na interpretação de que se fazemos parte da natureza, necessitamos dela e destruí-la, nada mais é que destruir à nós mesmos.

“Saber é poder” -Bacon. O último ponto que uso para pensar a respeito da problemática ambiental é F.Bacon. O filósofo inglês foi um dos pais do cientificismo. A ideia em si, muito constatada (criticada) pela escola de Frankfurt e tema central do iluminismo, na verdade expressa o que o homem sempre tentou: Poder através do conhecimento. Poder não só político, mas poder de dominar a natureza e utiliza-la em seu próprio bem. Nesse ponto, não é de esperar que a tentativa e busca do ser humano é  dominar a natureza. O problema é que o homem antes de obedecer a natureza, ele precisa obedecê-la.

Diante desses pressupostos, podemos elencar uma quantidade mínima de possibilidades causais, ainda sim inacabadas, mas possíveis de discussão:

O homem luta contra a natureza, tentando domina-lá, porém esquece-se que precisa dela e perde consciência que faz parte dela.

Essa questão é uma questão antropológica/filosófica. O homem sempre tem tentando dominar a natureza, mas não consegue ainda domina-la a ponto de deixar se tornar independente dela. O ponto é: Como ainda não somos independentes da natureza, ainda precisamos dela, mas infelizmente não sabemos respeita-la e isso gera uma crise no mínimo problemática.

Meio ambiente é um recurso necessário para o capitalismo para gerar lucro, isso é, o meio ambiente é consumido em prol do crescimento do capitalismo( O que não impede de reconstruí-lo, replantar por exemplo.)

Não importa seu posicionamento político, a economia gira em torno dos recursos naturais.  Se não houver recursos naturais,  a possibilidade de crescimento econômico é muito baixa. O homem retira recursos do meio ambiente e não recompõe de maneira devida, fazendo com que há um déficit de recursos a longo prazo.  O problema é que a destruição do meio ambiente em um lugar influencia em outro lugar, fazendo com que ocorra problemas no mundo todo. Um exemplo disso é o fato do desmatamento que está ocorrendo no brasil e está afetando a região do sudeste.

O ser humano ainda não criou tecnologia, conhecimento para lidar com problemas atuais do meio-ambiente. Em outras palavras, o ser humano não está apto, ainda, a lidar com problemas ambientais.

Embora nossa tecnologia está progredindo, ainda falta muito para criarmos água (apenas conseguimos induzir chuvas artificiais), diminuir a temperatura em grandes locais e fertilizar solos inférteis.

Problemas ambientais ainda não são considerados pelo ser humano como problemas cruciais. Ainda falta real conscientização.

Muitas culturas ainda não estão dispostas a contribuir para a preservação ambiental. Além de que muitas não são conscientes, não tem a educação ambiental para preservar o meio ambiente.

Problemas políticos de organização e planejamento. Cada governo se preocupa mais com questões econômicas e políticas do que questões ambientais. Proteger o ambiente ou ajudar empresas a crescer?

A seca de São Paulo, isso é, sua a crise hídrica é por muitos atribuída aos problemas políticos de má alocação de recursos, má organização e planejamento. Não é somente no Brasil que ocorre isso, mas em muitos lugares no mundo. O problema é que o estado muitas vezes, o estado com seu problema administrativo não se interessa por questões não lucrativas ambientais.

A sociedade não conseguiu criar mecanismos onde há um equilíbrio entre a criação de lucro e a estabilidade ambiental.

Existem produtos onde há uma estabilidade ambiental e lucro? sim. O problema é criar um produto que seja realmente lucrativo, ou ao menos restabeleça o meio ambiente através de altos lucros.

Ceticismo, descrença e niilismo em valores éticos ambientais.

Algumas culturas  tem acesso aos problemas ambientais, porém são céticas, ou descrentes de tais problemas.

Uma questão de ética ambiental?

Conscientizados, mas sem noção do que fazer.

Uma questão de alocação de recursos? empresas estatais versus privatizadas?

Agora sim é uma questão estritamente econômica. O sistema hídrico paulista é quase em sua maioria estatal. Seria a solução privatizar em toda sua maioria?

Por que não um conjunto dos itens acima?

Uma somatória de todos esses problemas pode ser a causa do problema ambiental. No caso de São Paulo as questões são específicas. Problemas políticos, desmatamento em outras regiões brasileiras, mal uso da população brasileira.