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A ciência econômica não é uma ciência tão simples da maneira como muitos dizem. Engloba sociologia, antropologia, matemática, filosofia, estatística e principalmente história. Apesar da variedade  de campos e estudos que fazem parte da economia, ao que parece, os economistas não dão atenção para a base “humana” da ciência econômica.

 

Se por um lado o pensamento econômico se inicia com Aristóteles, filósofo grego e precursor da lógica, o surgimento da economia se inicia com as  antigas sociedades. A mesopotâmia pode ser considerada um exemplo, da maneira como a economia surgiu nos primórdios da história humana. No momento em que povos começaram a se aglomerar, morar e residir próximo ao rio Eufrates e rio Tigre, isso é, no momento em que o “sedentarismo” começara a existir, a agropecuária, agricultura fizeram parte de um conjunto de relações que se conectavam, dando origem  a economia.

 

A história da economia é um longo processo e não cabe detalha-la, mas cabe refletir que o desconhecimento da história econômica pode ser extremamente prejudicial a um economista. Um economista que não sabe as consequências básicas de uma guerra (Como a primeira e a segunda guerra-mundial), de uma política de inflação (Como é o caso do Brasil, Argentina ou até mesmo Suécia), de um estatização ou uma privatização, não poderia opinar escolhas de ações econômicas, globais ou não, pois desconhece quais podem ser as causas, consequências de tais fatos.

 

Ao lado da história econômica, a sociologia, filosofia e psicologia influenciam o pensamento de um economista, fazendo-o discorrer sobre seus valores éticos, sobre medidas a serem tomadas diante de uma crise econômica, quais políticas fiscais, cambiais, ou de renda devem ser tomadas. Sem outras áreas econômicas, o economista perde seu lado crítico e apenas segue o que os fatos econômicos dizem. O economista precisa ter hermenêutica econômica para observar os fatos sociais e econômicos. uma crítica filosófica diante da sociedade, observação jornalística sobre a mídia, conhecimento da linguagem econômica e seus jargões e, até mesmo, consciência jurídica.

 

Há uma visão bastante limitada de que a ciência econômica seja exata, ou de que necessita apenas de dados, matemática e estatística. Não deixa ser verdade que esses fatores são essenciais para o estudo e para o entendimento econômico, aprendizado financeiro e mercadológico, mas, sobretudo, quando o economista exerce seu papel de cientista social, ele  necessita ir além.

 

Um exemplo é justo: o tão aclamado pai da economia, Adam Smith, era um filósofo, professor de filosofia moral e ensinava jurisprudência. Depois do seu trabalho “Teoria dos sentimentos morais”, Smith perpetua seu trabalho com as “Riqueza das nações”, um dos livros que mais influenciaram economistas posteriores. Séculos mais tarde, Marx, Mises, Schumpeter escreveram textos que tinham não só cunhagem econômica como filosófica e histórica.

 

O último prêmio nobel, Jean Tirole, tem uma formação bastante curiosa: Estudou matemática, psicologia, sociologia e economia. Professor francês de economia, Tirole trabalha com economia e psicologia, teoria dos jogos, etc. O que cabe notar é que Tirole não lida exatamente com economia “pura”, mas com heterodoxia econômica, com campos que ainda não foram explorados.

 

Não faltam exemplos de como outros campos são importantes para a economia. A economia é formada por  outras ciências. Matemática para o cálculo, psicologia para entendimento do consumidor, sociologia para a soma dos consumidores, filosofia para a atitude crítica.

 

Será que grandes resoluções de problemas econômicas são sempre resolvidas por aquele que tem uma visão global (Histórica, social, antropológica, etc..) ou por aquele que apenas tem uma visão limitada?

 

@ogataogara @parallaxisds

F.M.Ogata