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Novamente Rafael Leão, nosso economista chefe, graduado pela Puc-Sp, mestre em economia pela Sorbonne e pela Puc-Sp, saí na mídia apresentando projeções de IBC-BR.  Confira a matéria na íntegra abaixo:
AE-PROJEÇÕES: IBC-BR DE 2014 DEVE TER QUEDA DE 0,10% A 0,30%

São Paulo, 11/02/2015 – Os analistas do mercado financeiro esperam que o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de 2014 apresente um desempenho bem pior do que o de 2013, quando mostrou expansão de 2,52%. Levantamento finalizado nesta quarta-feira (11) pelo AE Projeções mostrou que as estimativas dos economistas são de uma retração de 0,10% a 0,30% para a atividade econômica nacional, no âmbito do indicador do BC. Com base no intervalo coletado com 26 instituições, a mediana das previsões ficou negativa em 0,20%.

O Banco Central divulgará o IBC-Br de dezembro amanhã, dia 12, às 8h30. Juntamente com os dados do último mês do ano passado, deve ser feito o anúncio do comportamento da economia no quarto trimestre e de 2014.

Se, em 2013, havia uma percepção de frustração dos analistas com a economia em crescimento baixo, em 2014, o cenário foi de desconfiança ainda maior e de um sentimento negativo dominante em boa parte dos meses. Se, no ano retrasado, a indústria era o maior motivo de preocupação, no ano seguinte, outros setores começaram a trazer desempenho menos interessante e até as vendas no varejo tiveram desaceleração.

Entre os profissionais do mercado financeiro, a Copa do Mundo que aconteceu no Brasil foi apontada como grande fator que atrapalhou boa parte dos setores da economia, especialmente a indústria, na virada do primeiro para o segundo semestre. Eles lembraram que a competição esportiva provocou feriados nas cidades brasileiras que tiveram partidas e que os jogos da seleção brasileira também mudaram a rotina da população.

No segundo semestre, as eleições gerais no País foram o motivo maior que gerou reflexos nada positivos para a economia. Com todo o cenário de indefinição provocado pela disputa de segundo turno entre a presidente reeleita da República, Dilma Rousseff (PT), e o candidato derrotado Aécio Neves (PSDB), o sentimento dominante foi de apreensão com o futuro e isso ajudou a atrapalhar a atividade econômica, que já vinha caminhando a passos de tartaruga.

As previsões dos economistas ouvidos pelo AE Projeções já trazem números atualizados após a divulgação desta quarta-feira da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC). Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as vendas no varejo restrito, que não incluem os segmentos de Veículos e de Materiais de Construção, tiveram avanço de 2,2% em 2014, o que representou um número positivo bem menor que o de 4,30% de 2013.

Na PMC Ampliada, que inclui os segmentos citados, as vendas tiveram desempenho ainda pior, de baixa de 1,7% no ano passado ante expansão de 3,60% de 2013. Quanto à produção industrial, o quadro conseguiu ser ainda mais preocupante, com o setor apresentando retração de 3,20% no ano passado ante crescimento de 2,30% de 2013.

Para o economista-chefe da Parallaxis Consultoria, Rafael Leão, o IBC-Br de 2014 registrará recuo de 0,30%. Ao AE Projeções, ele disse que as vendas no varejo até ainda chegaram a contribuir positivamente para a economia, mas ressaltou que outros setores atrapalharam bastante.

“O setor industrial puxou para o outro lado, negativo, juntamente com a produção agrícola, esta última muito atrapalhada em função da seca, que se prolonga até então”, destacou Leão. “O resultado foi uma queda para o IBC-Br maior do que imaginávamos no começo do ano passado”, afirmou, lembrando também que a conjuntura foi se deteriorando muito ao longo de 2014, atrapalhada ainda pelas eleições.

Para o economista-chefe do Banco Fibra, Cristiano Oliveira, o IBC-Br de 2014 registrará uma retração de 0,24%. Segundo ele, o resultado vem em linha com o imaginado inicialmente para o ano passado e reforça a ideia de que o Produto Interno Bruto (PIB) seguirá pelo mesmo caminho de declínio. “O resultado deve ser negativo com forte retração dos investimentos”, avaliou.

Na Claritas Administração de Recursos, a economia Marcela Rocha previu um declínio de 0,18% para o IBC-Br de 2014 e ainda ficou no pelotão dos analistas menos pessimistas com o resultado que será divulgado pelo Banco Central. Para ela, a produção industrial é a maior culpada para o resultado ruim e o índice do BC tende a sinalizar que o PIB do ano passado será anunciado com comportamento de retração. “As chances de terminar 2014 com queda aumentaram bastante”, opinou.

Na avaliação de Rafael Leão, da Parallaxis, não há, pelo menos por enquanto, perspectivas de melhora para 2015. “Não há ainda um plano, uma política clara, para reativar nossa indústria. Só o câmbio contribuiu favoravelmente neste caso. Mas, de resto, não sobra muita coisa”, comentou. “Do lado das vendas do varejo, a grosso modo, o consumo também deve ser fraco, em função do crédito mais caro e das medidas de ajuste fiscal do governo. Enquanto isso, a agropecuária vai ter desafios gigantescos, caso a seca se prolongue mais”, alertou. (Flavio Leonel – flavio.leonel@estadao.com; e Maria Regina Silva – maria.regina@estadao.com)

 IBC-Br de 2014 
 Instituições  Projeções (%)
Banco Fator -0,30
Banco Votorantim -0,30
MCM Consultores -0,30
Modal Asset -0,30
Parallaxis Consultoria -0,30
Schwartsman & Associados -0,30
Tendências -0,30
Votorantim Corretora -0,30
Rosenberg Associados -0,28
Banco Fibra -0,24
Banco ABC Brasil -0,20
Banco Santander -0,20
BBM Investimentos -0,20
Besi Brasil -0,20
BI&P -0,20
Bradesco -0,20
Caixa Asset -0,20
GAP Asset -0,20
Garde Asset -0,20
GO Associados -0,20
Icatu Vanguarda -0,20
Itaú Unibanco -0,20
Porto Seguro -0,20
Saga Capital -0,20
Verde Asset -0,20
Claritas -0,18
BB DTVM -0,10
Mediana -0,20

Fonte: AE Projeções