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O balanço de pagamentos de jul/15 registrou déficit de US$ 6,2 bi nas transações correntes, de acordo com a nota de Setor Externo divulgada hoje pelo Banco Central.  O resultado apresentou um recuo em relação ao mesmo mês do ano anterior, quando havia sido US$ -9,2 bi, e aumentou em relação ao mês de jun/15 (US$ -2,5 bi).

Dentro das Transações Correntes, o saldo da Balança Comercial seguiu superavitário, registrando saldo positivo de US$ 2,1 bi, acima do resultado de jul/14 (US$ 1,3 bi). A conta de serviços apresentou despesas líquidas de US$ 3,3 bi em julho, -24,2% na comparação interanual, enquanto as despesas líquidas com transportes somaram US$ 513 mi (-22,5% a/a). Por sua vez, o item viagens internacionais (US$ 1,2 bi) recuou 25,5% na comparação interanual, com reduções de 30,4% nos gastos de turistas brasileiros em viagens ao exterior e de 40,4% nas despesas de viajantes estrangeiros ao Brasil (efeito Copa 2014). De maneira análoga, as despesas líquidas com aluguel de equipamentos recuaram 28,1% a/a, para US$1,7 bilhão. Na mesma base de comparação, elevaram-se as despesas líquidas em telecomunicação, computação e informações, em 27,9%, e a contração de despesas líquidas com serviços de propriedade intelectual, em 26,8%.

Nas rendas primárias, que somaram despesas líquidas de US$ 5,2 bi no mês (-19,3% a/a), as despesas líquidas de lucros e dividendos registraram US$ 623 mi, ante US$ 1,2 bilhão em julho/14, ao passo que as despesas líquidas de juros ficaram em US$ 4,6 bi (-13% a/a). Esse recuo na remessa de lucros e dividendos segue como um dos efeitos da recessão brasileira, que tem impactado diretamente as empresas, resultado do ajuste nas contas externas.

Por sua vez, a Conta Financeira registrou superávit de US$ 5,7 bi no mês, auxiliado principalmente pelo Investimento Direto no País (IDP), que somou US$ 5,99 bi em julho. Deste resultado do IDP, US$ 3,5 bi corresponderam a participação no capital e US$ 2,5 bi em empréstimos intercompanhia. Em relação ao ano anterior, o recuo do IDP foi de 37%. Salientamos que a trajetória recente de arrefecimento do IDP, seja devido a uma redução de “apetite” por Brasil, devido a atual conjuntura de baixo crescimento, sobretudo que ainda pairam incertezas no âmbito político. Porém, seu patamar em 12 meses ainda segue relevante e financiando grande parte do déficit em conta corrente. Na mesma Conta Financeira os investimentos diretos no exterior somaram remessas líquidas de US$ 1,4 bi, sendo US$ 1,6 bi em participação no capital e regresso de US$ 156 mi vindo das operações intercompanhias. Já os investimentos em carteira passivos totalizaram saídas líquidas de US$ 4,1 bi em julho, sendo remessas líquidas de US$ 4,4 bi em títulos de renda fixa e de U$ 390 mi em ações, e entradas líquidas de US$ 624 mis em fundos de investimento, e remessas líquidas.

Em 12 meses, o déficit em transações correntes recuou de US$ 92,5 bi para US$ 89,4 (4,34% do PIB), ainda considerado um patamar preocupante, porém segue majoritariamente financiado pelo IDP, que no mesmo período somou 3,81% do PIB, ou seja, US$ 78,4 bi.

O efeito da desvalorização cambial, juntamente com a recessão econômica, tem forçado os ajustes nas contas externas. A melhora marginal no déficit nas transações correntes em relação ao PIB, segue em linha com nossa expectativa. A tendência é que o déficit recue ao longo do ano, para o patamar de 3,9% do PIB, em função da atividade econômica mais fraca e da desvalorização cambial.

 

 

tabela 2 25-08-2015

 

 

 

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