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Em nossa interpretação, a ata da 1ª reunião de 2017 feita pelo COPOM em janeiro deste ano, na qual foi intensificado o corte da Selic para 75 pontos base, iniciando o ano em 13% a.a., sinaliza que o ritmo da redução deverá se manter ao menos até a próxima reunião (21 e 22 de fev/17) a medida que a inflação corrente siga controlada, mostrando sinais de desinflação e derrubando as expectativas. E como esperado, neste documento o BC/COPOM se convenceu de que a recuperação será muito mais morosa do que esperavam anteriormente, ao passo que avanços no front de reformas econômica lançam melhores perspectivas para inflação no futuro.

No que tange a atividade, finalmente o comitê reconheceu que a recuperação será mais demorada do que esperavam, em meio a uma economia com elevada ociosidade (indústria e mercado de trabalho). Porém, ainda não é reconhecido explicitamente o importante processo de desalavancagem do setor privado, o qual poderá ser beneficiado pelos juros menores. Paralelamente, no que tange a inflação, o comitê reforça os avanços da desinflação, que já se faz presente em todas as medidas de núcleo monitoradas pela autoridade. Até mesmo o ponto de preocupação de outrora, a resiliência dos núcleos subjacentes (especialmente de Serviços), já sentem o peso da atividade econômica deletéria. Por sua vez, a morosidade da retomada terá como consequência provável a continuidade da desinflação desses grupos na margem, podendo ocorrer de maneira até mais rápida que pensado anteriormente.

Como ponto de alerta, o COPOM destaca que o cenário externo deixou o território benigno para as economias emergentes e pairam incertezas sobre o rumo que as políticas econômicas norte-americana poderão tomar e quais serão as consequências aos emergentes. Tais incertezas tem elevado os juros de longo prazo das economias, bem como tem levado o FED a agir de maneira mais incisiva na normalização da política monetária americana, o que tende a trazer dificuldades de financiamento externo para os emergentes.

Em seu cenário básico, utilizando as expectativas das variáveis do BC e do Mercado (FOCUS), o comitê projeta inflação abaixo do centro da meta no cenário de referência, em 4,0% em 2017. Para 2018, sua projeção é ainda mais baixa (em 3,4%). Já com os inputs do mercado, as projeções ficaram em 4,4% e 4,5% para 2017 e 2018, respectivamente, ambas demonstrando boa perspectiva para a inflação.

De tal sorte, em virtude do processo desinflacionário e da atividade econômica modorra, esperamos que o COPOM mantenha o ritmo de corte de 0,75 p.p. nas próximas 3 reuniões de 2017 (fevereiro, abril e maio), posteriormente reduzindo o ritmo para 0,50 p.p. nas outras 3 reuniões (julho, setembro e outubro), encerrando o ciclo de corte agressivo da taxa de juros com um último corte de 0,25 p.p. em dezembro. Acreditamos haver bastante espaço para corte em virtude dos elementos supracitados, de maneira que a Selic encerre 2017 em 9,0% a.a..

Ainda assim, permanece como risco a ser monitorado eventuais choques externos que possam ter impactos na economia brasileira, especialmente no câmbio, o que poderia em última instância implicar em maior cautela por parte do BCB na condução da redução dos juros. Destacamos que está rápida redução dos juros é crucial para colocar a taxa de juros real em território menos contracionista e auxiliar a recuperação e o processo de desalavancagem do setor privado.

O baixo nível de atividade, confirmada pela piora dos indicadores de atividade, a distensão do mercado de trabalho e a queda dos salários reais, seguirão exercendo pressão deflacionária significante no curto e médio prazo. Além do mais, as expectativas de mercado para inflação seguem bastante comportadas e em trajetória de queda. Nossas projeções para o IPCA seguem em 4,4% em 2017 e de 4,0% em 2018.

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Research Macro: Rafael Leão, Diego Machado e Fábio Ralston.

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