Juros Dibre

Em nossa interpretação, a ata da reunião do COPOM de janeiro/16 buscou justificar a opção pela manutenção da taxa Selic. Conforme esperado, este novo documento trouxe alterações significativas, incorporando recentes desdobramentos da conjuntura econômica internacional principalmente, além de uma expectativa de atividade doméstica mais deteriorada e câmbio mais desvalorizado.

Em nossa opinião, o comitê “acertou errando”. Acertou porque acreditamos que a manutenção da taxa era a opção correta a ser executada. Não que os juros tenham perdido a eficácia no combate à inflação, mas sim porque aprofundaria ainda mais a recessão, deteriorando ainda mais a dinâmica das contas públicas. E também, os choques de preços demoram em média 2-3 anos para passar por completo na economia brasileira. O aprofundamento da atividade doméstica e o recuo dos preços das commodities ajudarão a convergência da inflação para 2017. No que tange o erro, foi a comunicação desencontrada do COPOM, que vinha sinalizando nova alta na Selic. Para alguns a credibilidade do BC pode estar perdida, no entanto acreditamos que apenas o tempo dirá, principalmente se houver uma convergência para o centro da meta em 2017, tal como espera o comitê, aplaudiremos no futuro essa decisão passada.

Devido a confusão gerada pela comunicação sobre a trajetória possível da Selic, será muito importante monitorar as vocalizações das autoridades monetárias ao longo dos próximos períodos.  Por ora, nosso call é de que o comitê não voltará a subir juros e quiçá abrirá espaço para cortar a taxa no último trimestre. Portanto, em nossa interpretação da ata, o ciclo de ajustes na taxa Selic está em pausa no patamar de 14,25% a.a.. A depender, veremos ainda em 2016, dois cortes de 25 pontos base no último trimestre, o que levaria a Selic ao patamar de 13,75% a.a. no final deste ano. Porém, estes cortes estão condicionados às futuras comunicações e dados acerca da conjuntura.

Destacamos alguns parágrafos e trechos (com as alterações e passagens que consideramos significativas sublinhadas) da ata abaixo, que nos levam a essa interpretação:

11. Sobre a atividade global, indicadores antecedentes apontam tendência de moderação no horizonte relevante para a política monetária, com taxas de crescimento relativamente mais homogêneas nas economias maduras, ainda que baixas e abaixo do crescimento potencial. Especificamente sobre a Europa, em que pesem ações de política monetária recentes, altas taxas de desemprego, aliadas à consolidação fiscal e a incertezas políticas, seguem como elementos de contenção de investimentos e do crescimento. Nos Estados Unidos, a tendência é de recuperação da economia, entretanto antecipa-se algum arrefecimento na dinâmica de crescimento. Nas economias emergentes, o ritmo de atividade tem sido constantemente revisado para baixo, em cenário cercado de incertezas quanto aos desdobramentos da perda de dinamismo na China e suas implicações para a economia mundial. Em relação à política monetária, de modo geral, nas economias maduras e emergentes prevalecem posturas acomodatícias, reforçadas por sinais de um processo mais gradual de normalização das condições monetárias nos EUA. As taxas de inflação permanecem baixas nas economias maduras e relativamente elevadas nas emergentes.

Interpretação: No parágrafo 11 e no seguinte (12), o COPOM introduz a ideia na ata de que o cenário internacional encontra-se bastante deteriorado, crescendo abaixo do seu potencial. Especialmente, o comitê destaca que não se sabe os efeitos que a desaceleração chinesa poderá impor sobre as demais economias emergentes, bem como os preços do petróleo impõem certo viés deflacionário em virtude da demanda global menor.

28. Diante do exposto, avaliando a conjuntura macroeconômica e as perspectivas para a inflação, o Copom considera que remanescem incertezas associadas ao balanço de riscos, principalmente, quanto à velocidade do processo de recuperação dos resultados fiscais e à sua composição, e que o processo de realinhamento de preços relativos mostrou-se mais demorado e mais intenso que o previsto. Adicionalmente, as incertezas em relação ao cenário externo se ampliaram, com destaque para a crescente preocupação com o desempenho da economia chinesa e seus desdobramentos e com a evolução de preços no mercado de petróleo. Parte de seus membros argumentou que seria oportuno ajustar, de imediato, as condições monetárias, de modo a reduzir os riscos de não cumprimento dos objetivos do regime de metas para a inflação e reforçar o processo de ancoragem das expectativas inflacionárias. No entanto, a maioria dos membros do Copom considerou que a elevação das incertezas domésticas e, principalmente, externas, sobretudo mais recentemente, justifica continuar monitorando a evolução do cenário macroeconômico para, então, definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária. Para estes membros, faz-se necessário acompanhar os impactos das recentes mudanças nos ambientes doméstico e externo no balanço de riscos para a inflação, o que, combinado com os ajustes já implementados na política monetária, pode fortalecer o cenário de convergência da inflação para a meta de 4,5%, em 2017.

Interpretação: No 28º parágrafo, considerado um dos mais importantes na ata, junto com o 32, vemos a inclusão da mesma preocupação, observada no 11 e 12, com a economia chinesa e a queda do petróleo e seus impactos sobre a economia mundial. É também neste trecho que a maioria dos membros do comitê aponta considerar riscos doméstico, porém com maior peso nos riscos externos, que justifique a manutenção da taxa de juros no atual patamar de 14,25%a.a., e que continuarão monitorando os dados e desdobramentos dessa conjuntura para definir os próximos passos da condução da política monetária.

32. O Comitê ressalta que há incertezas associadas ao balanço de riscos, principalmente, quanto à velocidade do processo de recuperação dos resultados fiscais e à sua composição, e que o processo de realinhamento de preços relativos mostrou-se mais demorado e mais intenso que o previsto. Ainda, que as incertezas em relação ao comportamento da economia mundial se ampliaram. Nesse contexto, o Comitê reitera que adotará as medidas necessárias de forma a assegurar o cumprimento dos objetivos do regime de metas, ou seja, circunscrever a inflação aos limites estabelecidos pelo CMN, em 2016, e fazer convergir a inflação para a meta de 4,5%, em 2017.

Interpretação: No parágrafo 32, o COPOM destaca que o processo de realinhamento foi mais lento e intenso do que se antecipava anteriormente, que existem riscos associados a recuperação das contas públicas e bastante incerteza na economia mundial, e que, dessa forma a manutenção seria a opção correta.

Por fim, será necessário monitorarmos atentamente como o mercado reagirá aos desdobramento contemporâneos, bem como as sinalizações que teremos das autoridades monetárias, para definirmos se de fato a trajetória que a Selic seguirá. Por enquanto consideramos o cenário em aberto, com a possibilidade levemente maior de a taxa ser cortada no último trimestre deste ano. A ver.

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