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* Introdução e tradução elaborada pela Parallaxis Consultoria Econômica e Data Science.

A economia é com certeza a ciência das ciências (pelo menos para nós da parallaxis). É a única entre as ciências modernas que concorre ao prêmio Nobel ao lado das ciências clássicas. Um amigo nosso costuma dizer que os economistas são como duelistas de um século passado, toda a elegância do discurso, da retórica e da analise de dados são testados no campo de batalha. A economia é tão fascinante para nós porque permeia nossas vidas, nos faz pensar, nos organiza. Ela está aí muito antes do capitalismo e deverá continuar por muitos anos, porque ela é a organização produtiva, histórica e cultural de um povo.

Pode parecer óbvio o quê e como um economista pode contribuir para o mundo dos negócios, mas essas aplicações nunca foram vistas em tais escalas antes. Além disso, novas implicações tecnológicas no mundo dos dados e da tecnologia da informação possibilitam novas abordagens dos economistas em vários campos, da administração estratégica até a análise econômica. É aí onde esta a aposta da parallaxis.

*O texto abaixo foi retirado da Harvard Business Review, escrito por Robert Litan

Embora muitos executivos tenham assistido a uma, ou talvez várias, aulas de economia, provavelmente eles devem ter levado para vida, não muito mais do que aqueles gráficos de oferta e demanda que são introduzidos no começo do curso. Agora, pergunte a eles se aplicam muito mais que isso em suas carreiras profissionais, provavelmente a maioria responderia “não muito”.

Eles poderiam ser surpreendidos com quão certo as noções econômicas tem sido diretamente aplicadas aos negócios atualmente, com muitos resultados positivos. Aqui seguem alguns exemplos:

 Leilões

Consideremos primeiro o aumento do uso dos leilões, que tem uma história notável no desenvolvimento da ciência econômica. Por volta de 1900 o matemático Francês Leon Walras vislumbrou os preços em uma economia de mercado sendo definidos por um leiloeiro (conhecido como o leilão Walrasiano) conduzindo contínuos leilões para todo tipo de bem.

Pode ser tentador pensar que o Leilão Walrasiano é simplesmente uma construção teórica, útil primariamente em uma sala de aula, sendo utilizada para pensar sobre o funcionamento dos mercados, e que no mundo real somente para algumas raras commodities ou itens únicos, dos tipos colocados à venda pelo Sotheby’s ou Christies (Sites de leilão de itens distintos online). Mas isso seria um erro.

O falecido Julian Simon (mais conhecido talvez por suas visões otimistas sobre crescimento populacional e abundancia de recursos) veio com a ideia de realizar leilões em linhas aéreas para overbooking, ou seja, quando estão lotados os assentos, e persuadiu a agência de aviação civil americana (Civil Aeronautics Board), que regulava as tarifas aéreas e acesso, a regulamentar essa ideia na década de 70. O economista Ronald Coase propôs leilões de segmentos de espectro eletromagnético na década de 50, uma ideia de política que foi depois adotada na década de 90. Muitos economistas desde então tem sido contratados pelo governo dos EUA e outros governos para ajudá-los a desenhar esses leilões normalmente complicados e junto às companhias de telecomunicação tentar encontrar a melhor estratégia de apostas.

Duas companhias muito conhecidas também realizaram famosos leilões e economistas figuraram papeis centrais no sucesso de ambas. O Google gera a maior parte de sua receita através de um sistema baseado em leilões para vender ads (publicidade) que foi desenvolvido por dois engenheiros, mas validado por seu economista chefe, Hal Varian, ex-consultor da companhia que foi também o primeiro decano da faculdade de Ciência da Informação na Universidade de Berkley na Califórnia. Desde então, Varian tem supervisionado a contratação de um grande corpo de estatísticos e economistas que desenvolveram outras inovações para companhia, tal como o Google Trends, que pode ser usado para rastrear o número de termos buscados que podem ser úteis para prever vários eventos do mundo real (tal como o progresso da gripe ou as próximas estatísticas oficiais de desemprego).

A Priceline introduziu a “oferta de preço condicional” (conditional price offer), que é um principio econômico desenvolvido pelo fundador da empresa, Jay Walker, que fez bom uso da sua graduação em economia para formar sua empresa, revolucionando o modo de se fazer viagens. A inovação de Walker foi conectar os viajantes com os preços que eles ofertavam a companhia aérea ou os hotéis que aceitassem a oferta na plataforma Priceline. Desta forma, os viajantes levam suas ofertas muito mais a sério do que se pudessem simplesmente revelar seu preço sem nenhuma obrigação de compra.

Economia e Logística

Todos os negócios buscam controlar custos, eles não precisam de um economista pra dizer o porquê isso é importante e como fazê-lo. Contudo existem algumas exceções importantes. Companhias de transporte e comunicações encaram problemas de otimização complexos que matemáticos e economistas descobriram como seria a melhor forma de resolvê-los através de métodos de programação linear (e posteriormente não lineares). Tanto as empresas nessa indústria quanto seus consumidores, que se beneficiam com preços mais baixos (através de um processo que eles nem mesmo veem), têm grandes vantagens com esse novo processo.

Economistas e Big Data

Por muitas décadas depois da segunda Guerra mundial, economistas utilizaram técnicas estatísticas para construir modelos cada vez mais complexos para projetar variáveis macroeconômicas importantes, como o crescimento do PIB, inflação e desemprego. Os economistas que tinham habilidades estatísticas trabalharam em empresas líderes em projeções, tais como Data Resources Inc and Wharton Econometric Forecasting Associates (as duas se fundiram e posteriormente foram absorvidas pela Standard & Poors). Muitos bancos grandes, instituições financeiras e algumas grandes companhias industriais também tinham seu próprio departamento econômico.

Isso tudo mudou. Os modelos macro agora são desatualizados, embora ainda muito utilizados junto com o julgamento humano em instituições como o Federal Reserve Board e o FMI. Projetistas nunca foram muito bons em prever turning points (pontos de mudança drástica como recessões e recuperações) na economia e não é certo se eles ficarão melhores com o tempo, apesar de alguns tentarem.

Em vez disso, a revolução “Big Data” introduziu a facilidade da captura, armazenagem e analise de grandes quantidades de dados, gerando novas demandas para economistas e estatísticos. Empresas de alta tecnologia como a Amazon, Yahoo e Google, entre outras, agora empregam economistas para peneirar todo tipo de dados – transações de varejo, procurar padrões, uso de celulares – para fazer um ajuste fino na oferta de produtos, preços e outras estratégias de negócios.

Economistas e Design de Mercados

A maioria dos mercados liquida seus bens através dos sinais de preços dos produtores que ajusta o suficiente para fazer com que os consumidores desejem comprar. Mas uma corrente relativamente nova da economia, conhecida como “Market design” ou “teoria das combinações”, tem focado em mercados onde “encaixar” é muito mais importante do que preço para direcionar recursos ou no qual as decisões de gêneros são neutras: combinação de médicos residentes em hospitais, bancos de doadores de órgãos e sites de namoro online. Por exemplo, com base no seu trabalho ganhador do Nobel com Lloyd Shapley, o professor emérito da Harvard Business School, Alvin Roth tem usado a teoria combinatória para desenvolver o programa nacional de atribuição dos médicos residentes e o intercambio entre doadores de rins.

No mundo namoro on-line, um conhecido problema é que as mulheres podem receber muito mais ofertas de encontros que elas poderiam conseguir ter ou gostariam de gastar tempo tendo. Um serviço on-line, cupid.com, contratou um economista e contou com o trabalho de outro para limitar o número de “rosas” (pedidos de encontros) que os homens poderiam enviar por mês para as mulheres. Isso incentivou os homens a serem muito mais seletivos e a saberem que as mulheres eram muito mais propensas a responder após estes limites terem sido postos em prática.

Os economistas também estão usando cada vez mais conhecimentos desta teoria de “encontros” para ajudar as empresas a encontrar melhores sistemas de design, para combinar potenciais trabalhadores com empregadores, onde encontrar a “adequação cultural” corretamente é tão ou mais importante do que habilidades específicas iniciais de um funcionário.

Economistas e Finanças

Finalmente, sem surpresas, os economistas têm atuado durante décadas na formulação e teste de teorias no mundo financeiro, alguns dos quais têm encontrado seus modelos e teorias em produtos reais (não todos eles, como os títulos de hipotecas subprime no coração da crise financeira, que os economistas não ajudaram a projetar [sic!]). Os exemplos incluem os fundos de índice, e sua variação mais recente, troca de índices, fundos negociados (IGBT, EFTs, etc.). Os fundos de índice, inicialmente, foram trazidos para o mercado pela Vanguard, fundada por Jack Bogle, cuja ideia para o Fundo de índice S&P 500 foi fortemente influenciada por dois economistas: o grande economista do MIT, Paul Samuelson e o de Princeton, Burton Malkiel, autor do clássico, “A Random Walk Down Wall Street”.

Ainda mais impactante é o exemplo do crescimento das opções financeiras, que pode ser atribuída em grande parte à facilidade de valorizá-los. Graças ao trabalho ganhador do prêmio Nobel de Fischer Black (o economista do MIT e, posteriormente, sócio do Goldman Sachs que morreu antes, mas certamente teria compartilhado do prêmio), Myron Scholes (ex-Stanford) e do Robert Merton, do MIT.

Na verdade, uma melhor precificação de opções tem sido uma bênção mista. Embora tenham melhorado muito a liquidez no mercado de opções, e também a formação e o crescimento de muitas startups de tecnologia (onde concessões de opções são rotineiramente usados ​​para compensar os empregados, diretores e conselheiros), melhores opções de preços também podem ter contribuído para concessões de opções excessivas utilizado por empresas como a Enron, Tyco, Worldcom a manipular demonstrativos contábeis para mostrar lucros ilusórios.

Qual é o ponto a ser dito aqui? Somente aquele que afirmo no meu livro, “Trillion Dollar Economists”, que os gerentes de negócios podem querer prestar um pouco mais atenção para os rabiscos dos economistas acadêmicos. Deve haver alguma vantagem estratégica em consultar as fontes onde esses pensamentos são publicados, especialmente traduzidos para um público mais amplo do que o sacerdócio econômico (como na Harvard Business Review e até mesmo em algumas revistas profissionais relativamente acessíveis, como o Journal of Economic Perspectives). O primeiro passo para o sucesso de um empreendedor pode ser a de se conectar primeiramente a um pensador.