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De acordo com o primeiro levantamento referente à safra de grãos 2016/2017, realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB, a produção brasileira tende a ser de 210,5 mi e 214,8 mi de toneladas, alta de até 15,3% em comparação com a safra passada, de 186,29 mi de toneladas. A área plantada está estimada entre 58,32 mi e 58,47 mi de toneladas, alta de até 2,3% frente à safra de 2015/16. A produtividade média dos grãos também tende a ser representativamente superior à safra passada, com alta de até 12,7%.

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Após um ano safra conturbado por condição climática extremamente desfavorável, devido ao fenômeno climático “El Niño”, a produção nessa safra de verão, cujo plantio teve início em meados de setembro, poderá voltar a se recuperar. Dentre as culturas de verão, podemos destacar a produção de sorgo, que tende a apresentar a maior variação percentual nessa safra, com estimativa de aumento na produção de aproximadamente meio milhão de toneladas (+48,3%) em comparação com a safra passada. O aumento na produção de sorgo se deve principalmente ao aumento na produtividade, dado que a área plantada não tende a se alterar. Por sua vez, a área plantada de soja deve subir pela décima safra consecutiva, podendo crescer em até 2,7% nessa safra, a um total de 34.153,3 mi de hectares. Com um aumento na produtividade da oleaginosa de 6,1% (3.046 kg/ha), a produção de soja é finalmente estimada em atingir às tão esperadas 100 mi de toneladas, com expectativa de variação entre 101-104 mi de toneladas. Dessa forma, se estima que a oferta doméstica de soja (Produção + estoques iniciais + importações) possa ser de aproximadamente 102,9 mi de toneladas frente a uma demanda doméstica (consumo + exportações) de 102,25 mi de toneladas. Segundo a estimativa da companhia, o consumo doméstico de soja tende a aumentar em 6,47% (45,25 mi de toneladas) e as exportações em 5,3% (57 mi de toneladas). Com uma oferta e demanda doméstica equilibrada, o Brasil não deve apresentar problemas no escoamento da produção, favorecido principalmente por um aumento nas exportações para a China e uma retomada à normalidade dos esmagamentos domésticos nessa safra, sendo que na safra passada foram abaixo do esperado. A produção de soja nos Estados Unidos, com expectativa de apresentar safra recorde, contudo poderá manter pressão negativa nos preços internacionais.

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Com relação à área plantada de milho primeira safra se estima que venha a aumentar pela primeira vez nas últimas nove safras. Com o preço elevado do cereal, produtores retomaram o otimismo para essa safra, que sem fortes eventualidades climáticas poderá trazer aumento na produtividade de 24% no período. Com uma maior produção durante a primeira safra de milho estimamos que a relação entre oferta e demanda doméstica de milho poderá voltar a se equilibrar após o desequilíbrio da safra passada, trazendo uma leve pressão baixista nos preços do milho para esse ano safra. A falta de milho na safra passada pressionou os custos de produção de animais, sendo o milho um dos principais insumos para a produção de ração animal. Caso o preço do cereal venha a recuar nesse ano safra, podemos estimar que pecuaristas possam voltar a aumentar a quantidade de animais alojados, aumentando, consequentemente o consumo doméstico do milho, estimado em atingir 55,5 mi de toneladas, alta de 4% em comparação com a safra passada, de 53,4 mi de toneladas. Além disso, a maior disponibilidade de milho no Brasil também deve favorecer nossas exportações, com estimativa de alta de 4 mi de toneladas nessa safra.

Além do milho, o feijão e o arroz, considerado os vilões da inflação de 2016 devido a escassez dos grãos no mercado doméstico, poderão retomar ao equilíbrio nessa safra, podendo trazer uma retração nos preços domésticos. A produção de feijão para essa safra é estimada em aumentar em 21,4%, podendo atingir um total de 3.052,3 mi de toneladas, favorecido tanto por um aumento na área plantada de até 5%, devido a um aumento no otimismo dos produtores com relação aos preços e na produtividade de até 15,6%. Dessa forma, a oferta doméstica de feijão tende a ser de 3.215,9 mi de toneladas e o consumo doméstico deverá ser de 3.065 mi de toneladas, resultando em um estoque de passagem de 150 mil toneladas, aproximadamente o triplo do ano passado. Com relação ao arroz se estima um aumento na área plantada de 4% e na produtividade de até 9,1%, devendo resultar numa oferta doméstica de 13,21 mi de toneladas e uma demanda doméstica de 12,6 mi de toneladas, resultando em um estoque de passagem de 614 mil toneladas. Dessa forma, avaliamos que os dois produtos básicos na cesta de consumo brasileiro possam vir a trazer pressão deflacionária para 2017.

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Por fim, a produção de algodão também poderá voltar a subir após queda por duas safras consecutivas. A área plantada de algodão, contudo deverá se manter praticamente estável em comparação com a safra passada, dado que, apesar dos preços elevados esse ano, os elevados estoques globais ainda continuam gerando incertezas aos produtores. Ainda em relação ao mercado internacional avaliamos que o possível aumento nos preços do petróleo em 2017 poderá vir a favorecer a demanda global pela pluma. Sendo o petróleo uma das principais matérias primas para a fabricação de fibras sintéticas, produto substituto ao algodão, o setor têxtil tende a preterir o uso de algodão em detrimento da fibra sintética. Assim, com a alta nos preços da commodity energética, avaliamos a possibilidade de uma retomada no consumo internacional de pluma de algodão. Outro fator que poderá favorecer nossas exportações é a qualidade da pluma dos estoques chineses, o que poderá gerar aumento nas importações do gigante asiático.

Por fim, com relação às exportações de grãos, avaliamos que a taxa de câmbio ainda possa manter os preços das commodities agrícolas brasileiras competitivos. Apesar do BRL estar mais valorizado em relação ao USD em comparação com o final de 2015 e início de 2016, analisamos que a possibilidade do FED vir a aumentar a taxa de juros no país, o que poderá trazer uma nova onda de valorização da moeda americana, aumentando nossa paridade das exportações.

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Dessa forma, dado a expectativa para a nova safra brasileira, avaliamos que os preços dos grãos poderão vir a trazer uma leve pressão negativa na inflação, com projeção de se manter em patamares inferiores aos da safra passada, apesar de ainda ser elevado em comparação com anos anteriores. O aumento na produtividade poderá favorecer os produtores que tendem a apresentar uma rentabilidade superior à da safra passada apesar dos preços menos elevados. Além disso, estimamos que o incremento na produção dos grãos poderá voltar a trazer resultados positivos para o PIB em 2017, tanto com relação à produção agrícola quanto pecuária, conforme comentado acima.

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