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O balanço de pagamentos de fev/16 registrou déficit de US$ 1,9 bi nas transações correntes, de acordo com a nota de Setor Externo divulgada hoje pelo Banco Central.  O resultado apresentou um recuo em relação ao mesmo mês do ano anterior, quando havia registrado US$ -7,2 bi e também recuou em relação ao mês de jan/16 (US$ -4,8 bi).

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Dentro das Transações Correntes, o saldo da Balança Comercial seguiu superavitário, registrando saldo positivo de US$ 2,9 bi, acima do resultado jan/16 (US$ 643 mi), auxiliado pelo aumentos das exportações e do recuo das importações. A conta de serviços apresentou despesas líquidas de US$ 1,9 bi em fev/16, -31,3% na comparação interanual. As despesas líquidas com transportes somaram US$ 211 mi (-64,5% a/a), ao passo que o item viagens internacionais (US$ 242 mi) recuou 75%, com reduções de 45,3% nos gastos de turistas brasileiros em viagens ao exterior e de aumento de 15% nas despesas de viajantes estrangeiros ao Brasil. As despesas líquidas com aluguel de equipamentos também recuou (-4,3%). Os serviços de propriedade intelectual também recuaram, em 30,8%, enquanto os gastos líquidos com telecomunicação, computação e informações elevaram-se 131,8%, para US$ 209 mi.

Nas rendas primárias, que somaram despesas líquidas de US$ 3,1 bi no mês (111,3% a/a), as remessas líquidas de lucros e dividendos registraram US$ 2,5 bi, ao passo que as despesas líquidas de juros no mercado externo ficaram em US$ 693 mi (-38,9% a/a). As rendas de investimento direto somaram despesas líquidas de US$ 2,3 bi, ante US$ 298 mil em fev/15. No mês, as receitas líquidas da conta de renda secundária totalizaram US$ 275 mi, um aumento de 29,8% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Por sua vez, a Conta Financeira registrou superávit de US$ 1,4 bi no mês, auxiliado principalmente pelo Investimento Direto no País (IDP), que somou US$ 5,9 bi em fevereiro. Deste resultado do IDP, US$ 4 bi corresponderam a participação no capital e US$ 1,9 bi em empréstimos intercompanhia. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, o aumento do IDP foi de 90%. Destacamos que o IDP no acumulado em 12 meses ainda segue relevante e financiando o déficit em conta corrente. Tal situação reforça que, apesar dessa conjuntura, o Brasil está “barato” com um câmbio mais desvalorizado, revelando oportunidade de compra, com boa perspectiva no médio longo-prazo. Em fev/16, os investimentos em carteira passivos demonstraram diminuição líquida de US$ 5,1 bi, com destaque para as saídas líquidas de títulos de renda fixa, US$ 5,9 bi, compostas por saídas líquidas de US$ 3,9 bi em títulos negociados no mercado doméstico, e de US$ 2 bi em títulos negociados no mercado externo. Os investimentos em ações e em fundos de investimentos registraram ingressos líquidos de US$ 639 mi e US$ 231 mi, respectivamente.

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Em 12 meses, o déficit em transações correntes recuou de US$ 51,6 bi para US$ 46,3 (2,67% do PIB), demonstrando que o ajuste nas contas externas, com lastro recessivo, vem sendo bastante significativo. O déficit em conta corrente segue majoritariamente financiado pelo IDP, que no mesmo período somou 4,48% do PIB, ou seja, US$ 77,6 bi, superando o déficit em conta corrente acumulado nesses 12 meses.

O efeito da desvalorização cambial, juntamente com a recessão econômica, seguiu forçando os ajustes nas contas externas ao longo do ano anterior, que vem corrigindo-se rapidamente. A melhora que já começa ser significativa no déficit nas transações correntes em relação ao PIB, segue em linha com nosso cenário. Em tempo, devido a intensidade do ajuste, revisamos nossa projeção de déficit em conta corrente para 1,5% do PIB em 2016, de anteriores 2,3%. 

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Research Macro: Rafael Leão, Diego Machado e Fábio Ralston.

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