credit-squeeze-taxation-purse-tax-economic-stress

Seguindo o resultado anunciado pelo Tesouro Nacional (déficit de R$ 61,6 bi), o Banco Central divulgou hoje sua nota de Política Fiscal do setor Público consolidado para dez/15. A nota registrou déficit primário de R$ 71,8 bi para o setor público consolidado, no qual o Governo Central e as Empresas Estatais demonstraram déficits de R$ 61 bi e R$ 974 mi, ao passo que os Governos regionais realizaram superávit de R$ 9,8 bi.

O resultado foi fortemente influenciado pela integral normalização dos repasses restantes do Tesouro Nacional, envolvendo Banco do Brasil e outros entes. O déficit primário foi superior a mediana da expectativa do mercado, de déficit de R$ 68 bi, e marginalmente inferior a nossa expectativa de déficit primário R$ 72,5 bi.

 

image (24)

 

No ano de 2015, o déficit primário acumulado ficou em R$ 111,3 bi (1,88% do PIB), frente ao déficit de R$ 32,6 bi em 2014 (0,57% do PIB). O resultado de 2015 foi fortemente influenciado pela baixa atividade econômica, que prejudicou as fontes de receitas do Governo, ao passo que a redução das despesas ficou significativamente limitada devido as despesas obrigatórias, garantidas por leis. Além desses fatores, o Governo realizou as transferências restantes dos repasses para o Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES, Finame e FGTS, buscando dar mais transparência a gestão das contas públicas e começar o ano de 2016 sem esse fardo. Acreditamos que o fim deste processo poderá trazer certo alívio as contas públicas. Contudo, é preciso confirmar tal fato nas próximas divulgações.

Em 2015, o Governo Central contribuiu com déficit R$ 116,7 bi (déficit de R$ 20,5 bi em 2014), ao passo que os Governos Regionais com superávit de R$ 9,7 bi (déficit de 7,8 bi em 2014) e as Empresas Estatais com déficit de R$ 4,3 bi (mesmo montante em 2014).

Por sua vez, os juros nominais, alcançaram R$ 52 bi em dez/15, ante a R$ 23,5 bi em nov/15. Impactaram neste resultado as operações de swap cambial no mês, que tiveram resultado favorável no mês anterior, e o maior número de dias úteis. No ano de 2015, os juros nominais alcançaram R$ 501,8 bi (8,46% do PIB), aumentando 2,99 p.p. do PIB em relação a 2014. Esse aumento dos juros apropriados em 2015 foi fortemente impactado pelas operações de swap cambial e também pela elevação da taxa Selic e dos índices de preços, que servem como base para correção de parcela significativa do endividamento líquido.

A dívida líquida do setor público atingiu R$ 2.136,9 bi (36% do PIB) em dezembro, +1,7 p.p. do PIB em relação ao mês anterior. O déficit primário em dezembro e os juros nominais apropriados foram os principais responsáveis por essa elevação. Em 2015, a relação DLSP/PIB aumentou 2,9 p.p., devido aos seguintes impactos: incorporação de juros (+8,5 p.p.); déficit primário (+1,9 p.p.); desvalorização cambial acumulada de 47% no período (-6,5 p.p.); ajuste de paridade da cesta de moedas da dívida externa líquida (+0,4 p.p.); reconhecimento de dívida (+0,1 p.p.); e devido ao encolhimento do PIB nominal (-1,4 p.p.).

Por sua vez, a Dívida Bruta do Governo Geral atingiu R$ 3.927,5 bi em dezembro (66,2% do PIB), +1,1 p.p. do PIB em relação ao mês anterior e +9 p.p. em relação a dezembro de 2014.

Para 2016, o governo estabeleceu como meta de superávit primário 0,5% do PIB (cerca R$ 31 bi).  Contudo, acreditamos que a recessão tornará bastante difícil o cumprimento da meta pelo lado da receita, apresentando nova contração real, bem como a ausência até agora de reformas necessárias para o desengessamento do gasto público, além da inflação que permanecer no patamar de 7% este ano.

Dessa forma, acreditamos que o governo central apresentará déficit primário entre 0,9% e um 1,1% do PIB este ano. Para 2017, esperamos um superávit entre 0,1% e 0,3%.

 

image (25)

Para ler o relatório completo clique Aqui!


Parallaxis Consultoria | parallaxis.com.br – R. São Bento, 329 – Cj. 94 – São Paulo, SP

Tel: +55-011-3101-1368

Research Macro: Rafael Leão, Diego Machado, Fábio Ralston e Klaus Troetschel.

Disclaimer:

Este relatório foi preparado pela Parallaxis Consultoria e é distribuído apenas para clientes, com a finalidade única de prestar informações sob indicadores econômicos em geral. Não possuindo a Parallaxis Consultoria qualquer vínculo com pessoas que atuem no âmbito das companhias analisadas, assim como a empresa não recebe remuneração por serviços prestados ou apresenta relações comerciais com as companhias analisadas. Apesar de ter sido tomado todo o cuidado necessário de forma a assegurar que as informações no momento em que as mesmas foram colhidas, a precisão e a exatidão de tais informações não são por qualquer forma garantidas e a Parallaxis Consultoria por elas não se responsabiliza. Os preços, as opiniões e as projeções contidas nesse relatório estão sujeitos a mudanças a qualquer momento sem necessidade de aviso ou comunicado prévio. Este relatório não pode ser interpretado como sugestão de compra ou de venda de quaisquer ativos e valores imobiliários. Este relatório não pode ser reproduzido, distribuído ou publicado por qualquer pessoa, para quaisquer fins.

Att.,

Equipe de Economia Macro+Markets | parallaxis.com.br

email: economia@parallaxis.com.br