debtonation_logo

Seguindo o resultado anunciado pelo Tesouro Nacional de déficit de R$ 8,8 bi, o Banco Central divulgou hoje sua nota de Política Fiscal do setor Público consolidado para jun/16. A nota registrou déficit primário de R$ 10,1 bi para o setor público consolidado, no qual o Governo Central apresentou déficit de R$ 10,4 bi, ao passo que os Governos regionais e Empresas Estatais realizaram superávit de R$ 98 mi e R$ 291 mi, respectivamente.

O resultado primário veio em linha com nossa projeção, à medida que nossa expectativa de déficit, após a divulgação pelo Tesouro, era de R$ 10,1 bi. O resultado do mês de junho, ampliou o déficit acumulado no semestre (R$ -23,8 bi em 2016, ante superávit de R$ 16,2 bi em 2015) e foi o pior resultado primário para os meses de junho, desde 2002.

g1 g2

Em doze meses, o primário acumulado pelo governo aprofundou o déficit para R$ 151,3 bi (2,51% do PIB), elevando-se ante o acumulado 12 meses em mai/16, de R$ 150,5 bi (2,51% do PIB).

Os juros nominais apresentaram despesas líquidas de R$22,1 bi, contra despesas líquida de R$ 42,5 bi em mai/16. Favoreceram para esse efeito, o ganho em operações de swap cambial em junho (R$ 22,7 bi) comparativamente a perda do mês anterior (R$ 3,1 bi). No acumulado no ano, os juros nominais atingiram R$ 173,3 bi, ante R$ 225,9 bi no mesmo período do ano anterior. Em doze meses, os juros nominais somaram R$ 449,2 bi (7,45% do PIB), +0,12 p.p. do PIB em relação ao observado no mês anterior.

O resultado nominal foi deficitário em R$ 32,2 bi em junho. No ano, o déficit nominal totalizou R$ 197,1 bi, ante o déficit de R$ 209,6 bi no primeiro semestre de 2015. No acumulado em doze meses, o déficit nominal somou R$ 600,5 bi (9,96% do PIB), -0,12 p.p. do PIB em relação ao valor registrado em maio.

O déficit nominal de junho foi financiado mediante aumento de R$ 38,6 bi na dívida mobiliária e de R$ 3 bi na dívida bancária líquida, contrabalanceadas parcialmente, pelas reduções de R$ 7,5 bi de outras fontes de financiamento interno, que incluem a base monetária, e de R$ 2 bi no financiamento externo líquido.
g3

Na ótica da dívida, a dívida líquida do setor público alcançou R$ 2.529,7 bi (42% do PIB) em junho, +2,3 p.p. do PIB em relação ao mês anterior. No ano, a DLSP/PIB subiu 5,8 p.p., devido a valorização cambial de 17,8% no período (+3,5 p.p.), da incorporação de juros (+2,9 p.p.), do déficit primário (0,4 p.p.), do efeito do crescimento do PIB nominal (-0,7 p.p.), e do ajuste de paridade da cesta de moedas da dívida externa líquida (-0,3 p.p.). A Dívida Bruta do Governo Geral (Governo Federal, INSS, governos estaduais e governos municipais) atingiu R$ 4.130,8 bi em junho (68,5% do PIB), estável em relação ao mês anterior.

Com relação a perspectiva para os próximos meses, esperamos continuidade da trajetória da deterioração do déficit este ano. Dificilmente escaparemos de um déficit primário inferior a R$ 170 bi na atual conjuntura. Conforme temos antecipamos há alguns meses, estamos caminhando para um resultado primário negativo de 3% do PIB.

 Tal deterioração dos próximos meses deverá ser creditada à recessão econômica, que continua impactando negativamente as receitas do governo que seguirão ao longo do ano apresentando contração real. Outro fato que contribuirá para esse desempenho negativo das contas é a ausência de medidas que contribuam para o resultado em 2016, a possível capitalização de estatais, além da inflação que deve permanecer no patamar de 6%-7% este ano.

Dessa forma, acreditamos que o governo central apresentará déficit primário de 3,0% do PIB este ano. Para 2017, esperamos déficit entre 1,3% e 1,8%.

Para ler em PDF, clique aqui!


Parallaxis Consultoria | parallaxis.com.br – Av. Paulista, 1159 – Cj. 1004 – São Paulo, SP

Tel: +55-011-3101-1368

Research Macro: Rafael Leão, Diego Machado e Fábio Ralston.

Disclaimer:

Este relatório foi preparado pela Parallaxis Consultoria e é distribuído apenas para clientes, com a finalidade única de prestar informações sob indicadores econômicos em geral. Não possuindo a Parallaxis Consultoria qualquer vínculo com pessoas que atuem no âmbito das companhias analisadas, assim como a empresa não recebe remuneração por serviços prestados ou apresenta relações comerciais com as companhias analisadas. Apesar de ter sido tomado todo o cuidado necessário de forma a assegurar que as informações no momento em que as mesmas foram colhidas, a precisão e a exatidão de tais informações não são por qualquer forma garantidas e a Parallaxis Consultoria por elas não se responsabiliza. Os preços, as opiniões e as projeções contidas nesse relatório estão sujeitos a mudanças a qualquer momento sem necessidade de aviso ou comunicado prévio. Este relatório não pode ser interpretado como sugestão de compra ou de venda de quaisquer ativos e valores imobiliários. Este relatório não pode ser reproduzido, distribuído ou publicado por qualquer pessoa, para quaisquer fins.