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Seguindo o resultado anunciado pelo Tesouro Nacional de déficit de R$ 20,3 bi, o Banco Central divulgou hoje sua nota de Política Fiscal do setor Público consolidado para ago/16. A nota registrou déficit primário de R$ 22,3 bi para o setor público consolidado, no qual o Governo Central apresentou déficit de R$ 22,1 bi, juntamente aos Governos regionais com déficit de R$ 653 mi, enquanto as Empresas Estatais realizaram superávit de R$ 529 mi.

O resultado primário veio pior que nossa projeção, à medida que nossa expectativa de déficit, após a divulgação pelo Tesouro, era de R$ 19,4 bi. O resultado do mês de agosto, ampliou o déficit acumulado em 2016 (R$ -58,9 bi em 2016, ante déficit de R$ 1,1 bi em 2015) e foi o pior resultado primário para os meses de agosto, desde 2002.

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Em doze meses, o primário acumulado pelo governo aprofundou o déficit para R$ 169 bi (2,77% do PIB), elevando-se ante o acumulado 12 meses em jul/16, de R$ 154 bi (2,51% do PIB).

Os juros nominais apresentaram despesas líquidas de R$ 40,7 bi, contra despesas líquida de R$ 40,6 bi em jul/16. Favoreceu para esse efeito, o ganho em operações de swap cambial em junho (R$ 4,3 bi). No acumulado no ano, os juros nominais atingiram R$ 254,6 bi, ante R$ 338,3 bi no mesmo período do ano anterior. Em doze meses, os juros nominais somaram R$ 418 bi (6,86% do PIB), -0,19 p.p. do PIB em relação ao observado no mês anterior.

O resultado nominal foi deficitário em R$ 62,9 bi em agosto. No ano, o déficit nominal totalizou R$ 313,4 bi, ante o déficit de R$ 339 bi no mesmo período de 2015. No acumulado em doze meses, o déficit nominal somou R$ 587 bi (9,64% do PIB), +0,04 p.p. do PIB em relação ao valor registrado em junho.

O déficit nominal de agosto foi financiado mediante aumento de R$ 50,6 bi na dívida mobiliária e de R$ 17,2 bi na dívida bancária líquida, contrabalanceadas parcialmente, pelas reduções de R$ 7,8 bi de outras fontes de financiamento interno, que incluem a base monetária, e de R$ 138 mi no financiamento externo líquido.

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Pela ótica da dívida, a dívida líquida do setor público alcançou R$ 2.638,3 bi (43,3% do PIB) em agosto, +0,8 p.p. do PIB em relação ao mês anterior. No ano, a DLSP/PIB subiu 7,1 p.p., devido a valorização cambial de 17% no período (+3,4 p.p.), da incorporação de juros (+4,2 p.p.), do déficit primário (+1 p.p.), do efeito do crescimento do PIB nominal (-1,1 p.p.), e do ajuste de paridade da cesta de moedas da dívida externa líquida (-0,3 p.p.). A Dívida Bruta do Governo Geral (Governo Federal, INSS, governos estaduais e governos municipais) atingiu R$ 4.272,8 bi em agosto (70,1% do PIB), +0,5 p.p. em relação ao mês anterior.

Com relação a perspectiva para os próximos meses, esperamos continuidade da trajetória da deterioração do déficit este ano. Dificilmente escaparemos de um déficit primário inferior a R$ 170 bi na atual conjuntura. Conforme temos antecipamos há alguns meses, estamos caminhando para um resultado primário negativo de 3% do PIB.

Tal deterioração dos próximos meses deverá ser creditada à recessão econômica, que continua impactando negativamente as receitas do governo que seguirão ao longo do ano apresentando contração real. Outro fato que contribuirá para esse desempenho negativo das contas é a ausência de medidas que contribuam para o resultado em 2016, além da inflação que deve permanecer no patamar de 6%-7% este ano.

Dessa forma, acreditamos que o governo central apresentará déficit primário de 3,0% do PIB este ano. Para 2017, esperamos déficit entre 1,3% e 1,8%.

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Research Macro: Rafael Leão, Diego Machado e Fábio Ralston.

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