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Economia e ética?

Ambos surgiram na Grécia, ambos começam com a letra “E”, são consideradas ciências por uns e por outros apenas um campo da sociologia, ou da filosofia moral. Agora a questão é diferente: os campos de conhecimento se cruzam? podem ser conectados? existe algum eixo em que economia poderia tangenciar a ética e a esta conectar àquela? Uma reflexão digna de monografia e que pode influenciar muitos empreendedores, economistas e políticos por aí.

O tema é complexo e divergente nas possíveis interpretações. Muitos economistas trabalham com ética, o mais famoso seria Amartya Sen, enquanto que na filosofia, ética é explorada por quase toda a história da filosofia.  Antes de alavancar uma relação entre as duas, escrevo um mini-ensaio a respeito da objetividade da ética e depois num próximo post, escrevo a ética e economia.

Será a ética apenas uma questão de convenção social?

 

A história da filosofia carrega, junto com outras áreas, uma enorme gama de problemas. Alguns filósofos até afirmam que a história da filosofia é, apenas, composta por problemas de várias espécies, questionamentos não solucionados e sempre conectados. Um dos problemas abordados no meu outro “post” foi sobre o livre-arbítrio. Hoje trago um problema referente a ética.

 

A ética seria um conjunto de normas sociais feitas sobre o crivo da cultura?

 

Ética é um derivado da palavra “Ethos”, do grego, que inicialmente tem duas acepções: Bom costume e propriedades do caráter (ou bom caráter). Em resumo, ética significa a ciência de conduta. Alguns definem como a investigação, geral, sobre aquilo que se considera bom. 

Existem duas concepções na história da filosofia sobre a ética: Uma concepção considera a ciência do fins e condutas dos homens, como a ação que deve ser orientada e os meios para atingir os fins humanos, deduzindo-se tanto os fins quanto os meios da natureza do homem. A outra concepção considera  a ciência do móvel da conduta humana e, procura determinar tal móvel com vistas a dirigir ou disciplinar essa conduta. A primeira fala em termos ideais, de como deve ser, dirige-se a natureza humana, em busca de essências do homem. A segunda trabalha em busca das causas, motivos, forças da conduta humana.

 

Diante das duas concepções, a questão que quero levantar é “Seria a ética apenas uma convenção humana?”. 

 

Se olharmos a cultura amplamente, isso é, a cultura brasileira, a cultura norte-americana, a indígena, a francesa, alemã, russa, australiana, entre outras, será que todos os códigos morais seriam iguais? Não é preciso ser um erudito pra saber que as normas culturais de cada sociedade e cultura são diferentes. Ao que parece não há padrão universal sobre as condutas.  Já dizia Heródoto: “O costume é o rei de todos nós”.

 

Se a ética é um produto cultural, como poderíamos dizer o que é certo ou o que é errado? 

 

Vamos a um exemplo: Numa aldeia paquistanense, um garoto de 12 anos foi acusado de ter tido relações sexuais com uma mulher de 21 anos de uma classe superior. Mesmo negando a acusação, os anciões tribais condenaram-o e, como pena sua irmã adolescente deveria ser violada publicamente. A notícia acabou saindo na newsweek e repercutiu globalmente. A questão é: como poderíamos julgar um caso desses? se dizermos que isso é errado, esse nosso valor moral não seria deles e sim nosso, da nossa cultura. O que fazer? 

 

Ao que parece, as culturas têm padrões morais diferentes, isso significa que não existe objetivamente certo ou errado? a ética, o estudo do bom comportamento, está enraizado aos padrões sociais? O certo e o errado não seriam valores de cada cultura?

 

Se formos pensar a fundo, a questão já começa nos sofistas, com Protágoras: O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são”, isso é, relativismo quanto as coisas ditas, as verdades. Jogando no campo da ética, ela seria relativa?

 

Mesmo o imperativo categórico de Kant: “Age como se a máxima de tua ação devesse tornar-se, através da tua vontade, uma lei universal”, poderia ser questionado. Existem leis universais que se aplicaram em toda sociedade? como pensar numa lei universal?

 

O problema da ética, “do certo e o errado” (Claro que a ética vai além disso) é trabalhado por diversos filósofos. Desde Sócrates até Nietzsche, Marx, Raws, Habermas, entre outros. Nietzsche nos dá uma “solução” atraente, mas dependendo da interpretação pode ser perigosa. Trabalhar com o certo e o errado de maneira que seja favorável, atraente à vida. Superar valores morais, ir além de acordo com a vida.

 

Alguns teóricos do direito argumentam a prevalência à vida, à dignidade humana. Seguir valores que sejam condizentes com a dignidade humana. 

 

E você, o que argumenta?  como julgar problemas sociais, culturais, éticos em um caráter universal? 

 

F.M.Ogata (Licenciado em Filosofia, Bacharel em economia e estudante de direito. Escreve sobre diversos temas, desde cinema e música até economia, política e principalmente filosofia)

 

Twitter- @ogataogara @parallaxisds