2016-05-16

Temos acompanhado o forte turbilhão que o Brasil tem atravessado recentemente, com a confluência de duas crises: a econômica e a política. Ao menos para esta última crise, nos parece que houve um encaminhamento peremptório. O afastamento da presidente Dilma Roussef e a posse de Michel Temer como presidente, que tomamos como definitivo, abriu uma janela de oportunidades, com a governabilidade necessária para acabar com a primeira crise, a econômica. Diante desta situação, nós da Parallaxis buscamos antecipar alguns pontos a respeito dos possíveis desdobramentos na economia brasileira sob este novo governo. De maneira a facilitar o racional, separamos os assuntos por tópicos.

i) Inflação

Como temos observado nas leituras recentes, a queda na inflação deverá acontecer independente de quem for presidente, desde que não tenhamos uma nova disparada cambial. Porém, esse risco parece ter-se reduzido bastante. As expectativas já estão recuando gradualmente na ponta, ao passo que a recessão pressiona fortemente e os preços dos serviços começam a ceder.

Deste modo, acreditamos que o atual governo colherá os benefícios de uma inflação decadente, que em última análise tende a reanimar as expectativas dos agentes econômicos. Para 2016, esperamos que o IPCA fique em 6,9% e para 2017 projetamos 5,5%.

ii) Juros

Com o alívio da inflação e o péssimo desempenho da atividade econômica, existe espaço para que o corte de juros se inicie tão logo. A princípio, tínhamos como início da redução dos juros a reunião do COPOM de outubro. Mas, esperamos que esse corte seja antecipado, corretamente ao nosso ver, dada as condições da inflação, atividade corrente e suas expectativas, bem como pelo anúncio de uma nova diretoria no Banco Central.

Sendo assim, decidimos por alterar nossa expectativa com relação ao início do corte da taxa de juros para a reunião de Julho. Projetamos que a Selic será reduzida de 14,25% a.a. para 12,25% a.a. ao final de 2016, com uma sequência de 4 cortes de 50 pontos base nas reuniões de julho, setembro, outubro e dezembro. Para 2017, projetamos que a Selic recuará até 11,25% a.a.. Essa queda na taxa de juros é importantíssima para criar condições de retomada do investimento na economia e diminuir o montante das despesas com juros da dívida pública, que tem ajudado a agravar a situação fiscal.

iii) Atividade

Esta talvez seja a maior incógnita. A mudança de governo poderá antecipar a retomada da atividade e a saída da crise, isto caso as reformas e as implementações das políticas econômicas necessárias sejam colocadas em prática. Apesar do otimismo, o que determina a realização do investimento, além da taxa de juros, é o retorno do capital frente a demanda agregada futura, esperada no momento de realização dos investimentos. Atualmente, a tendência é que a renda dos trabalhadores siga declinando e contraindo demanda, ao passo que o crédito siga restritivo.

O panorama para a economia brasileira continua pernicioso e recessivo para esse ano, especialmente devido a retração brutal da Formação Bruta de Capital Fixo. Entretanto, uma nova janela de oportunidades se abre agora diante deste novo governo. A mudança nas expectativas tendem a contribuir para a retomada da atividade, mas é preciso que a demanda acompanhe, impulsionando a atividade. E para tal, precisaremos avaliar os efeitos líquidos das políticas econômicas que serão anunciadas.

Destacamos que o setor externo poderá ser um dos impulsores da retomada do crescimento, à medida que nossos produtos estão mais competitivos e que este setor deve ser visto com especial atenção por este novo governo. Também destacamos a necessidade da execução de reformas que incentivem a retomada dos investimentos privados e públicos, além de vermos com bons olhos as iniciativas no âmbito da Parcerias Público-Privadas.

Podemos antecipar que o atual governo dará ênfase grande ao mercado externo e à atração de capital estrangeiro, o que tende a ser benéfico na geração de emprego e na maior inserção do Brasil na cadeia global de valor. Para 2016 esperamos que o PIB retraia 3,5% e em 2017 apresente um crescimento modesto de 0,2%.

iv) Ajustes e Reformas: Fiscal / Previdenciária / Tributária / Trabalhista

Este será o nó górdio do governo atual. Do lado fiscal a sinalização mais recente é no sentido de maior transparência com relação aos números e metas ficais e a desindexação da despesa pública com a adoção da regra nominalista para contenção das despesas governamentais. Também existe a intenção do atual governo em reduzir os milhares de cargos comissionados e dar maior eficiência a máquina pública, o que se faz importantíssimo diante situação fiscal e demanda da população. Por outro lado, de acordo com a necessidade, o governo não descarta o aumento de impostos (CPMF) de maneira temporária. E esperamos a realização de algumas concessões, que podem dar um alívio na situação fiscal e ajudar a atividade. Contudo, acreditamos que caminho principal deste governo será o das desvinculações do orçamento, redução do funcionalismo público e não execução de investimentos públicos, este último com um efeito bastante ruim sobre a atividade econômica.

Do lado previdenciário, esperamos que o governo atual tenha sucesso em aprovar a idade mínima para aposentadoria. Reformas mais profundas terão grande resistência.  Por mínimas que sejam essas reformas colocadas em prática, mesmo sem efeito imediato, tendem a gerar sinalização positiva. Com relação as reformas trabalhistas, o governo sinalizou que a regra atual do reajuste do salário mínimo será mantida. Não temos ainda nenhuma medida anunciada nesse sentido, tampouco esperamos grandes reformas na CLT. Por sua vez, o atual governo tem a intenção de realizar reformas tributárias, que visem a isonomia, simplificação e o fim da guerra fiscal entre os estados, o que vemos com bastante entusiasmo.

Sendo assim, há o que temer? Acreditamos que não. E permanecemos otimistas com relação ao futuro do Brasil. Sem sombra de dúvida, a recessão continuará promovendo os ajustes macroeconômicos, especialmente no mercado de trabalho, aumentando o desemprego e retraindo o rendimento dos trabalhadores. A mudança das expectativas é uma condição necessária, porém não suficiente para retomar a trajetória de crescimento. Deste modo, iremos avaliar atentamente o efeito líquido das políticas propostas sobre a demanda que, por ora, acreditamos serão mais positivas do que negativas.


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Research Macro: Rafael Leão, Diego Machado e Fábio Ralston.

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