Inflation --- Image by © Illustration Works/Corbis

O IPCA-15, prévia da inflação oficial, apresentou variação de 0,51% na passagem de mar/16 para abr/16, de acordo com o dado divulgado pelo IBGE. O indicador acelerou marginalmente em relação ao mês anterior, quando havia apresentado variação de 0,43%. Porém, na comparação com o mesmo mês do ano anterior houve importante desaceleração. A inflação acumulada em 12 meses seguiu sua trajetória recente de queda, indo de 9,95% em março para 9,34% nesta leitura. O resultado de abril foi superior a mediana esperada pelo consenso do mercado (AE-Broadcast), de 0,47%, e praticamente em linha com nossa projeção de 0,50%.

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Dentre os nove grupos que compõem o indicador, quatro foram responsáveis pela aceleração de 0,09 p.p. na passagem do mês. São eles: Alimentação e bebidas (de 0,77% para 1,35%); Habitação (-0,52% para -0,41%); Vestuário (0,44% para 0,49%); e Saúde e Cuidados Pessoais (0,70% para 1,32%). No sentido oposto, recuaram os grupos de Artigos de Residência (0,88% para 0,28%), Transportes (0,45% para 0,18%), Despesas Pessoais (0,70% para 0,36%), Educação (0,67% para 0,15%) e Comunicação (-0,51% para -0,96%).

Olhando a contribuição para o indicador por grupos, Alimentos e Bebidas (contribuição de 0,34 p.p.) e Saúde e Cuidados Pessoais (0,15 p.p.) responderam pela quase totalidade do indicador. Dentro de Alimentos e Bebidas, os itens de destaque foram: frutas (8,52%), sobretudo o açaí (11,80%), e itens como cenoura (8,77%), leite (5,76%), hortaliças (5,02%), batata-inglesa (4,80%) e feijão-carioca (4,19%), impactados pela forte onda de calor. No grupo de Saúde, os itens de destaque foram: remédios (2,64%), devido ao reajuste de 12,5% autorizado, Plano de saúde (1,06%), artigos de higiene pessoal (0,70%) e serviços laboratoriais e hospitalares (0,66%).

Nos demais grupos, observamos alguns destaques de itens individuais, sendo: tv, som e informática (1,69%); artigos de limpeza (1,42%); taxa de água e esgoto (0,98%); emplacamento e licença (0,75%); empregado doméstico (0,69%); roupa feminina (0,57%); conserto de automóvel (0,48%); ônibus urbano (0,37%) e energia elétrica (-2,86%).

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O IPCA-15 de abril/16 não apresentou elementos que alterem a trajetória de desaceleração da inflação. A dinâmica está bastante diferente daquela observada em 2015, especialmente os preços de administrados e serviços. Este último já começa a sentir efeito maior da recessão econômica e deve entrar em trajetória de queda mais consistente ao longo dos próximos meses.  Por sua vez, o choque de oferta de alimentos tende a ser passageiro, o que também ajudará a queda da inflação. Deste modo, a queda da inflação em comparação a 2016 está contratada.

Para o IPCA fechado de abr/16, projetamos a princípio 0,57%. Deveremos observar continuidade da pressão inflacionária dos Alimentos, Saúde e Cuidados Pessoais e Vestuário, que deverão fazer com que o indicador acelere marginalmente ante a prévia. Tal cenário é condizente com nossa expectativa de IPCA em 6,92% este ano.

Com relação a perspectiva da política monetária para os próximos meses, em nossa interpretação das recentes sinalizações, o BC/COPOM seguirá mantendo a taxa de juros no atual patamar, pelo menos até o último trimestre. A manutenção dos juros foi uma escolha correta em nossa opinião, e caso houvesse sido reduzida, não veríamos com maus olhos. Temos destacado que o juros alto tem tido um efeito perverso na dinâmica das contas públicas e na atividade econômica. Também temos ressaltado que os choques de preços demoram em média 2-3 anos para passar por completo na economia brasileira, período no qual temos que ter certa paciência na transição. O aprofundamento da recessão na atividade doméstica, o recuo dos preços dos alimentos, as reduções da tarifa de energia elétrica e o recuo do salário real, ajudarão a convergência da inflação para 2017.

No momento, acreditamos que o BC/COPOM está no caminho para cortar a taxa de juros mais à frente.  Por ora, nosso call é de que o comitê seguirá em manutenção nas próximas reuniões, avaliando a possibilidade de cortar a taxa no último trimestre, conforme os dados correntes de inflação melhorarem e puxarem para baixo as expectativas. Portanto, em nossa interpretação da ata, o ciclo de ajustes na taxa Selic está em pausa no patamar de 14,25% a.a.. A depender, veremos ainda em 2016, dois cortes de 25 pontos base no último trimestre, o que levaria a Selic ao patamar de 13,75% a.a. no final deste ano. Porém, estes cortes estão condicionados às futuras comunicações e dados acerca da conjuntura.

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Research Macro: Rafael Leão, Diego Machado e Fábio Ralston.

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