IPCA

O IPCA-15, prévia da inflação oficial, apresentou variação de 1,42% na passagem de jan/16 para fev/16, de acordo com o dado divulgado pelo IBGE. O indicador acelerou fortemente em relação ao mês anterior, quando havia apresentado variação de 0,92%. O resultado de fevereiro foi superior a mediana esperada pelo consenso do mercado (AE-Broadcast), de 1,32% e marginalmente superior a nossa estimativa de 1,37%. Por sua vez, a inflação acumulada em 12 meses avançou em sua trajetória ascendente, indo de 10,74% em janeiro para 10,84% nesta leitura.image (32)

Apenas três grupos, dentre os nove que compõem o indicador, foram responsáveis por 1,06 p.p. de impacto no indicador, ou 75% do resultado do índice. Estes grupos que se destacaram na variação mensal foram: Alimentação e Bebidas com 1,92% (0,49 p.p. de impacto), seguido pelo grupo de Transportes, que variou 1,65% (impacto de 0,30 p.p.) e Educação, com variação de 5,91% (0,27 p.p.).

Dentre os grupos, aqueles que aceleraram (6 entre 9) e promoveram o avanço ante o mês anterior foram: Alimentação e Bebidas (de 1,67% para 1,92%), Artigos de Residência (0,48% para 0,86%), Transportes (0,87% para 1,65%), Saúde e Cuidados Pessoais (0,66% para 1,04%), Educação (de 0,28% para 5,91%) e Comunicação (0,11% para 0,91). Na direção oposta, desaceleraram os grupos de: Habitação (0,57% para 0,40%), Vestuário (0,49% para 0,14%) e Despesas Pessoais (1,00% para 0,93%).

Entre os itens que compõe os três grupos que mais impactaram o indicador, destacamos dentro do grupo Alimentos e Bebidas: a cenoura (24,26%), a cebola (14,16%), o tomate (14,11%), o alho (13,08%), a farinha de mandioca (12,20%) e as hortaliças (8,66%). No grupo Transportes: ônibus urbano (5,69%), trem (6,12%), metrô (5,27%), ônibus intermunicipais (5,04%) e táxi (3,65%), etanol (4,92%) e gasolina (1,20%). No grupo Educação, o grande destaque foi o item cursos regulares (7,41%), refletindo os reajustes matriculares do início de ano letivo. Dentro dos demais grupos, destacamos os seguintes itens: TV, Som e Informática (3,43%), Cigarro (2,61%), Higiene pessoal (1,64%), Taxa de água e esgoto (1,64%), Serviços médicos e dentários (1,45%), Artigos de limpeza (1,40%), e Plano de saúde (1,06%).

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Conforme observamos, o IPCA-15 de fevereiro seguiu a trajetória de aceleração vista no IPCA fechado. O choque de oferta de alimentos, devido ao regime de monções, juntamente com o aumento dos transportes municipais e o reajuste das mensalidade escolares levaram a uma inflação acima do normal. Acreditamos que este pico de janeiro-fevereiro foi atípico e que março deveremos ver uma desaceleração mais consistente da inflação.

Para o IPCA fechado de fev/16, projetamos a princípio 1,25%. Deverão ajudar nessa dinâmica a redução da inflação dos Alimentos (especialmente tubérculos, raízes e leguminosas), dos grupos Habitação, Vestuário e Despesas Pessoais, ao passo que continuarão pressionados Transportes e Educação.

Por fim, com relação a perspectiva para a Política Monetária, essa inflação atípica e mais alta em janeiro-fevereiro pressiona a estratégia da manutenção da taxa Selic, adotada pelo BC/COPOM em sua última decisão. Muitos analistas podem achar que o COPOM está posto em xeque com essa inflação mais alta que o esperado. Contudo, acreditamos ser pontual, restrita nesse primeiro trimestre. A aceleração, conforme vimos, foi influenciada em grande parte pelo aumentos dos preços dos transportes municipais e pelo choque de oferta de alimentos. Ademais, em março a bandeira amarela da energia elétrica deverá reduzir, em ao menos 7%, o preço da conta de luz, devido ao desligamento das térmicas e os repasses para a Conta de Desenvolvimento Energético.

A tendência é de uma elevação muito menor dos preços administrados ao longo do ano. Por outro lado, a distensão do mercado de trabalho e o recuo na renda, deverão impactar os preços livres, especialmente Serviços. Sendo assim, ainda achamos cedo dizer que está em xeque a estratégia adotada pelo COPOM. Esperamos, por enquanto, a manutenção da Selic no atual patamar de 14,25% a.a., até o último trimestre de 2016, quando acreditamos que poderá haver espaço para o corte de 50 pontos base na taxa, dividido em dois cortes de 25 pontos base. Vamos acompanhando.

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