2017-01-19

O IPCA-15, prévia da inflação oficial, apresentou variação de 0,31% na passagem de dez/16 para jan/17, de acordo com o dado divulgado pelo IBGE. O indicador acelerou em relação ao mês anterior, quando havia apresentado variação de 0,19%, porém foi a menor taxa para o mês de janeiro desde 1994. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior (jan/16: 0,92%) a taxa foi bastante inferior. A inflação acumulada em 12 meses seguiu sua tendência de queda, recuando de 6,59% em dezembro/16 para 5,94% nesta leitura. O resultado de janeiro foi ligeiramente inferior ao esperado, visto que a Parallaxis esperava 0,36% e a mediana das projeções do mercado 0,39% (fonte: Valor Data). O desvio em relação ao efetivo aconteceu devido a inflação menor que o projetado pela Parallaxis no grupo Alimentação e Bebidas e também pela deflação do grupo Vestuário, o qual esperávamos relativa estabilidade dos preços.

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Dentre os nove grupos que compõem o indicador, 6 grupos ajudaram a aceleração de +0,12 p.p. na passagem do mês, sendo este: Alimentação e bebidas (de -0,18% para 0,28%); Saúde e Cuidados Pessoais (0,43% para 0,48%), Despesas Pessoais (0,63% para 0,75%), Educação (0,07% para 0,18%), Comunicação (0,08% para 0,49%) e apresentando deflação menor o grupo Habitação (-0,28% para -0,22%). No sentido oposto, a inflação do grupo Transportes desacelerou (0,79% para 0,71%) e Vestuário (0,57% para -0,18%) apresentou deflação.

Olhando a contribuição para o indicador por grupos e por ordem de impacto, temos: Transportes (0,13 p.p.), Despesas Pessoais (0,08 p.p.) e Alimentação e bebidas (0,07 p.p.), que juntos foram responsáveis por 0,28 p.p. de impacto.

No grupo Transportes, a importante pressão inflacionária veio dos itens gasolina (2,43%), ônibus urbanos (0,83%) e intermunicipais (1,87%), etanol (2,28%) e o seguro voluntário (1,70%). Já em Despesas Pessoais, os destaques ficaram a cargo dos itens cigarro (2,61%), excursão (2,51%) e empregado doméstico (0,52%).

No grupo Alimentação e bebidas, os itens com maior impacto foram: óleo de soja (8,04%), farinha de mandioca (4,53%), ovos (3,10%) e frutas (2,38%).

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Para o IPCA fechado de jan/17, a tendência é que a inflação acelere influenciada principalmente pelo aumento dos preços de Alimentos, bastante comum para este mês. Ainda devem contribuir para aceleração os grupos: Artigos de Residência e Comunicação. Por outro lado, deve permanecer aliviando o indicado o grupo Vestuários. A princípio, nossa projeção é de 0,44%.

Em virtude do processo desinflacionário e da atividade econômica modorra, esperamos que o COPOM mantenha o ritmo de corte de 0,75 p.p. nas próximas 3 reuniões de 2017 (fevereiro, abril e maio), posteriormente reduzindo o ritmo para 0,50 p.p. nas outras 3 reuniões (julho, setembro e outubro), encerrando o ciclo de corte agressivo da taxa de juros com um último corte de 0,25 p.p. em dezembro. Acreditamos haver bastante espaço para corte em virtude dos elementos supracitados, de maneira que a Selic encerre 2017 em 9,0% a.a..

Ainda assim, permanece como risco a ser monitorado eventuais choques externos que possam ter impactos na economia brasileira, especialmente no câmbio, o que poderia em última instância implicar em maior cautela por parte do BCB na condução da redução dos juros. Destacamos que a rápida redução dos juros é crucial para colocar a taxa de juros real em território menos contracionista e auxiliar a recuperação e o processo de desalavancagem do setor privado.

O baixo nível de atividade, confirmada pela piora dos indicadores de atividade, a distensão do mercado de trabalho e a queda dos salários reais, seguirão exercendo pressão deflacionária significante no curto e médio prazo. Além do mais, as expectativas de mercado para inflação seguem bastante comportadas e em trajetória de queda. Nossas projeções para o IPCA seguem em 4,4% em 2017 e de 4,0% em 2018.

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Research Macro: Rafael Leão, Diego Machado e Fábio Ralston.

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