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O IPCA-15, prévia da inflação oficial, apresentou variação de 0,54% na passagem de jun/16 para jul/16, de acordo com o dado divulgado pelo IBGE. O indicador acelerou consideravelmente em relação ao mês anterior, quando havia apresentado variação de 0,40%. Analogamente, na comparação com o mesmo mês do ano anterior (jul/15: 0,59%) houve desaceleração marginal. A inflação acumulada em 12 meses seguiu sua tendência de queda, recuando marginalmente de 8,98% em junho para 8,96% nesta leitura. O resultado de julho foi superior ao esperado, surpreendendo nossa projeção, de 0,41%. O grande desvio em relação ao efetivo aconteceu devido a inflação de alimentos e transportes, ambas bem mais intensa que o esperado.

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Dentre os nove grupos que compõem o indicador, dois foram responsáveis pela aceleração de 0,14 p.p. na passagem do mês. São eles: Alimentação e bebidas (de 0,35% para 1,45%), Transportes (-0,69% para 0,17%) e Educação (0,06% para 0,10%). No sentido oposto, recuaram os demais grupos: Habitação (1,13% para 0,04%), Artigos de Residência (0,57% para 0,27%), Vestuário (0,42% para -0,08%), Saúde e Cuidados Pessoais (1,03% para 0,56%), Despesas Pessoais (0,89% para 0,52%). Ao passo que o grupo Comunicação permaneceu estável (0,0%).

Olhando a contribuição para o indicador por grupos e por ordem de impacto, temos: Alimentação e bebidas (0,37 p.p.), Saúde e Cuidados Pessoais (0,06 p.p.), Despesas Pessoais (0,06 p.p.) e Transportes (0,03 p.p.), que juntos foram responsáveis por 0,52 p.p. de impacto.

No grupo de Alimentos e Bebidas, os itens de destaque em termos de impacto foram os feijões: carioca (58,06%), mulatinho (45,94%), preto (34,23%) e fradinho (11,78%). Outro item que se tornou mais caro nesse grupo foi o arroz (3,36%), encarecendo o prato usual do brasileiro, feijão com arroz. Como últimos destaques, o preço do leite subiu 15,54% e o do leite em pó em 3,26%. Em Transportes, os itens de destaque foram Ônibus interestadual (3,69%), Pedágio (1,98%), Etanol (1,22%), Conserto de automóvel (0,85%) e Emplacamento e licença (0,77%). Nos demais grupos, destacaram se os impactos de Alimentos para animais (2,38%), Serviço bancário (2,24%), Taxa de água e esgoto (1,30%), Plano de saúde (1,08%), Artigos de limpeza (1,02%), Empregado doméstico (0,87%) e Mão de obra para pequenos reparos (0,86%).

Por outro lado, exerceram impactos negativos os itens: Energia elétrica (-1,65%), Hotel (-1,26%), Seguro voluntário de veículos (-1,23%), Gasolina (-1,11%), Automóvel usado (-1,02%) e Automóvel novo (-0,63%).

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Temos afirmado que a redução da inflação acontecerá de maneira tempestiva, com oscilações entre aceleração e desaceleração. Porém, acreditamos que a trajetória de recuo será preponderante. Tal cenário ainda permanece aderente à nossa projeção de IPCA em 6,9% em 2016. Para 2017, recentemente revisamos nossa projeção de 5,5% para 5,0%.

Para o IPCA fechado de jul/16, a tendência é que a inflação ceda um pouco, com os grupos Habitação, Artigos de Residência, Vestuário, Saúde e Cuidados Pessoais apresentando taxas menores. Por outro lado, um risco remanescente fica por conta dos alimentos, que podem seguir pressionando. A princípio, nossa projeção é de 0,50%.

Sobre a trajetória dos juros, temos batido na tecla de que já existem elementos suficientes que respaldam o início do corte da taxa Selic. O aprofundamento da recessão na atividade doméstica, os preços administrados com reajustes menores e o recuo do salário real, ajudarão a convergência da inflação para muito próximo do centro da meta em 2017, ainda que 2016 permaneça fora da banda de flutuação. Os choques inflacionários de alimentos recentes deverão ceder fortemente mais à frente.

Por fim, acreditamos que o BC/COPOM está no caminho para cortar a taxa de juros mais à frente.  Nosso cenário base é de que o comitê seguirá em manutenção nas próximas reuniões, avaliando a possibilidade de cortar a taxa no último trimestre, conforme os dados correntes de inflação melhorarem e puxarem para baixo as expectativas e o câmbio se mantiver num patamar inferior a R$ 3,30.

Portanto, em nossa interpretação das últimas comunicações das autoridades monetárias, o ciclo de ajustes na taxa Selic está em pausa no patamar de 14,25% a.a.. Em nosso cenário, ainda em 2016, o COPOM deverá efetuar dois cortes de 50 pontos base no último trimestre, o que levaria a Selic ao patamar de 13,25% a.a. no final deste ano. Devemos ficar atentos à maiores esclarecimentos sobre o balanço de riscos feito pelo BC/COPOM, a serem conhecido em mais detalhes na ata da última reunião na semana que vem.

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Research Macro: Rafael Leão, Diego Machado e Fábio Ralston.

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