Crédito: J.Cesar/DB/D.A Press. Mulher com carrinho de compras foge do dragão da inflação, que a persegue com um tridente.

O IPCA-15, prévia da inflação oficial, apresentou variação de 0,40% na passagem de abr/16 para jun/16, de acordo com o dado divulgado pelo IBGE. O indicador desacelerou consideravelmente em relação ao mês anterior, quando havia apresentado variação de 0,86%. Analogamente, na comparação com o mesmo mês do ano anterior (jun/15: 0,99%) houve importante desaceleração. A inflação acumulada em 12 meses seguiu sua tendência de queda, indo de 9,62% em maio para 8,98% nesta leitura. O resultado de maio foi superior ao esperado, surpreendendo nossa projeção, de 0,55%. O grande desvio em relação ao efetivo aconteceu devido a inflação de alimentos, que esperávamos ser bem mais intensa.

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Dentre os nove grupos que compõem o indicador, quatro foram responsáveis pela desaceleração de 0,46 p.p. na passagem do mês. São eles: Alimentação e bebidas (de 1,03% para 0,35%); Saúde e Cuidados Pessoais (2,54% para 1,03%); Transportes (-0,30% para -0,69%); Comunicação (1,26% para 0,01%); Vestuário (0,72% para 0,425); e Educação (0,29% para 0,06%). No sentido oposto, avançaram os grupos de Habitação (0,99% para 1,13%), Artigos de Residência (0,55% para 0,57%) e Despesas Pessoais (0,81% para 0,89%).

Olhando a contribuição para o indicador por grupos e por ordem de impacto, temos: Habitação (0,17 p.p.), Saúde e Cuidados Pessoais (0,12 p.p.), Despesas Pessoais (0,10 p.p.) e Alimentação e Bebidas (0,09 p.p.), que juntos foram responsáveis por 0,47 p.p. de impacto. No sentido oposto, Transportes contribuiu com -0,13 p.p..

No grupo de Habitação, os itens que destacaram em termos de impacto foram: taxa de água e esgoto (4,5%), energia elétrica (1,37%), condomínio (0,76%) e artigos de limpeza (0,68%). Em Saúde e Cuidados Pessoais, destacaram-se o reajuste dos remédios (1,11%) e artigos de higiene pessoal (1,26%). No grupo de Despesas Pessoais, o destaque foi o item cigarro (5,44%). Já no grupo de Alimentação e Bebidas, destacaram-se: pressionando o feijão-carioca (16,38%) e o leite (5,35%), ao passo que no sentido oposto, com deflação, os destaques foram da cenoura (-25,63%), do açaí (-9,06%), do tomate (-8,10%), das frutas (-5,43%) e das hortaliças (-3,82%).  No grupo Transportes, os destaques ficaram a cargo do etanol (-6,60%), da gasolina (-1,19%) e das passagens aéreas, com recuo de 4,11%.

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Temos afirmado que a redução da inflação acontecerá de maneira tempestiva, com oscilações entre aceleração e desaceleração. Porém, a trajetória de recuo será preponderante, o que levará a inflação deste ano para a casa dos 7%, ou mesmo abaixo. Para o IPCA fechado de jun/16, a tendência é o reajuste dos preços administrados se dissipe. Por outro lado, um risco remanescente fica por conta dos alimentos, que devem ser impactados pelas adversidades climáticas em algumas regiões, voltando impactar às leituras à frente. Contudo, tal cenário ainda permanece aderente à nossa projeção de IPCA em 6,9% em 2016 e 5,5% em 2017, apesar da trajetória oscilante.

Para o IPCA fechado de jun/16, projetamos a princípio 0,36%. Deveremos observar redução da inflação dos grupos Habitação, Saúde e Cuidados Pessoais, Despesas Pessoais e Transportes. Porém, destacamos o risco de que a inflação de Alimentos volte a se intensificar nas últimas semanas do mês o que poderá evitar uma redução ainda maior do indicador.

Sobre a trajetória dos juros, temos batido na tecla de que já existem elementos suficientes que respaldam o início do corte da taxa Selic e acreditamos que essa deveria ter sido a atitude da última reunião do COPOM. O aprofundamento da recessão na atividade doméstica, os preços administrados com reajustes menores e o recuo do salário real, ajudarão a convergência da inflação para o centro da meta em 2017, ainda que 2016 permaneça fora da banda de flutuação. Em nosso mapeamento de riscos, que jogam na contramão deste processo, observamos: i) desvalorização cambial ocasionada pelo ambiente político e cenário externo (Brexit); e ii) continuidade do choque de oferta de alimentos causados pela adversidade climática do efeito “La niña” no 2º semestre.

Por fim, a parte os riscos mencionados, acreditamos que o BC/COPOM está no caminho para cortar a taxa de juros mais à frente.  Nosso cenário base é de que o comitê seguirá em manutenção nas próximas reuniões, avaliando a possibilidade de cortar a taxa no último trimestre, conforme os dados correntes de inflação melhorarem e puxarem para baixo as expectativas e o câmbio se mantiver num patamar inferior a R$ 3,40. Portanto, em nossa interpretação das últimas comunicações das autoridades monetárias, o ciclo de ajustes na taxa Selic está em pausa no patamar de 14,25% a.a.. Em nosso cenário, ainda em 2016, o COPOM deverá efetuar dois cortes de 50 pontos base no último trimestre, o que levaria a Selic ao patamar de 13,25% a.a. no final deste ano.

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Research Macro: Rafael Leão, Diego Machado e Fábio Ralston.

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