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O IPCA-15, prévia da inflação oficial, apresentou variação de 0,86% na passagem de abr/16 para mai/16, de acordo com o dado divulgado pelo IBGE. O indicador acelerou significantemente em relação ao mês anterior, quando havia apresentado variação de 0,51%. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior houve o resultado também demonstrou avanço (mai/15: 0,74%). Deste modo, a inflação acumulada em 12 meses desviou-se de sua trajetória recente de queda, passando a subir, de 9,34% em abril para 9,62% nesta leitura. O resultado de maio foi superior a mediana esperada pelo consenso do mercado (AE-Broadcast), de 0,77%, e à nossa projeção de iguais 0,77%. Em relação a nossa projeção, os desvio mais significativos foram oriundos do grupo de Habitação e Despesas Pessoais.

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Dentre os nove grupos que compõem o indicador, três foram responsáveis pela aceleração de 0,44 p.p. na passagem do mês. São eles: Habitação (de -0,41% para 0,99%); Saúde e Cuidados Pessoais (1,32% para 2,54%) e Vestuário (0,49% para 0,72%). No sentido oposto, recuaram os grupos de Alimentação e Bebidas (1,35% para 1,03%) e Transportes (0,18% para -0,3%).

Olhando a contribuição para o indicador por grupos, Alimentos e Bebidas (contribuição de 0,26 p.p.) e Saúde e Cuidados Pessoais (0,28 p.p.) e Habitação (0,15 p.p.) responderam pela quase totalidade do indicador. No grupo Alimentação e Bebidas, os itens de destaque foram a batata-inglesa (29,65%), o feijão-carioca (5,04%), a farinha de mandioca (4,45%) e o leite (2,82%). No grupo Saúde, o impacto foi em função do reajuste dos remédios (6,50%), que apresentou o maior impacto individual (0,21 p.p.). Já no grupo Habitação, o item taxa de água e esgoto (9,03%) foi o destaque, influenciado sobretudo pelo reajuste de quase 36% na taxa da região metropolitana de São Paulo e de outras regiões como Fortaleza (8,42%), Curitiba (5,53%), Recife (1,35%) e Belo Horizonte (0,46%).

Os demais itens que pressionaram o indicador foram: cigarro (3,70%), telefonia celular (3,40%), automóvel usado (2,38%), TV, som e informática (2,38%), roupas de cama, mesa e banho (2,08%), leitura (1,85%), automóvel novo (1,11%), artigos de limpeza (1,10%), plano de saúde (1,06%), roupa feminina (1,05%), artigos de higiene pessoal (0,92%), mão de obra pequenos reparos (0,87%), empregado doméstico (0,87%), condomínio (0,81%), serviços médicos e dentários (0,79%) e roupa masculina (0,71%).

No sentido oposto, as principais quedas foram observadas em Transporte, com queda das passagens aéreas de 8,59% e etanol, cujo preço recuou 8,54%.

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A aceleração da inflação surpreendeu, devido a intensidade. Contudo, acreditamos que este resultado seja pontual, dado que os maiores impactos vieram dos preços administrados (remédios e taxa de água e esgoto), e que não reverterá a tendência de queda da inflação nos próximos meses. A inflação do preço dos administrados ficou em 1,45%, ante 0,16% em abril, ao passo que os preços livres avançaram marginalmente para 0,67% (de 0,62% em abril).  Serviços, que vinham recuando, também aumentaram, de 0,32% para 0,54%. Porém, o índice de difusão recuou de 69% para 66% nesta leitura.

Para o IPCA fechado de mai/16, projetamos a princípio 0,80%. Deveremos observar continuidade da pressão inflacionária dos grupos, Saúde e Cuidados Pessoais, Habitação e Vestuário. Porém, esperamos que a inflação de Alimentos desacelere e que a deflação do grupo de Transportes se intensifique marginalmente, de modo que deverão fazer com que o indicador desacelere ante a prévia. Tal cenário é condizente com nossa expectativa de IPCA em 6,92% este ano.

Com relação a perspectiva para a trajetória do juros, com a desaceleração da inflação e o péssimo desempenho da atividade econômica, existe espaço para que o corte de juros se inicie tão logo. A princípio, tínhamos como início da redução dos juros a reunião do COPOM de outubro. Mas, esperamos que esse corte seja antecipado, corretamente ao nosso ver, dada as condições da inflação, atividade corrente e suas expectativas. O resultado de maio, apesar de ruim, não altera a perspectiva de desaceleração da inflação para os próximos meses.

Sendo assim, decidimos por alterar nossa expectativa com relação ao início do corte da taxa de juros para a reunião de Julho. Projetamos que a Selic será reduzida de 14,25% a.a. para 12,25% a.a. ao final de 2016, com uma sequência de 4 cortes de 50 pontos base nas reuniões de julho, setembro, outubro e dezembro. Para 2017, projetamos que a Selic recuará até 11,25% a.a.. Essa queda na taxa de juros é importantíssima para criar condições de retomada do investimento na economia e diminuir o montante das despesas com juros da dívida pública, que tem ajudado a agravar a situação fiscal. De tal sorte que acreditamos que postergar esse corte tão mais, irá prejudicar muito mais a economia e sua recuperação, do que contribuir para reduzir a inflação.

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Research Macro: Rafael Leão, Diego Machado e Fábio Ralston.

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