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O IPCA-15, prévia da inflação oficial, apresentou variação de 0,43% na passagem de fev/16 para mar/16, de acordo com o dado divulgado pelo IBGE. O indicador desacelerou consideravelmente em relação ao mês anterior, quando havia apresentado variação de 1,42%. O resultado de março foi inferior a mediana esperada pelo consenso do mercado (AE-Broadcast), de 0,55%. Por sua vez, a inflação acumulada em 12 meses reverteu sua trajetória ascendente, indo de 10,84% em fevereiro para 9,95% nesta leitura.

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Dentre os nove grupos que compõem o indicador, basicamente quatro foram responsáveis pela desaceleração de 0,89 p.p. na passagem do mês de fev/16 para mar/16. São eles: Alimentação e bebidas (de 1,92% para 0,77%); Habitação (0,40% para -0,52%); Transportes (1,65% para 0,455); e Educação (5,91% para 0,675). Outros grupos que também desaceleraram foram: Saúde e Cuidados Pessoais (1,04% para 0,70%), Despesas Pessoais (0,93% para 0,70%) e Comunicação (0,91% para -0,515). Já os grupos que aceleraram, apenas dois, foram: Artigos de residência (0,86% para 0,88%) e Vestuário (de 0,14% para 0,44%).

Entre os itens que compõe os quatro grupos que mais impactaram o indicador, destacamos dentro do grupo Alimentos e Bebidas: tomate (-19,21%) e da batata-inglesa (-4,61%) com impactos negativos, e cenoura (24,08%), frutas (6,11%) e a farinha de mandioca (5,94%) com impactos positivos. No grupo Transportes, destacaram-se gasolina (0,82%), etanol (3,20%), e ônibus urbano (0,76%) pressionando a inflação e passagens aéreas com queda de 10,79%. Em habitação, tarifa de energia elétrica recuou 2,87%, sendo este o maior impacto negativo na inflação, devido ao fim da bandeira vermelha, que passou para amarela em mar/16 e deve cair ainda mais em abril, passando para bandeira verde. Outros itens, relevantes entre os demais grupos, e que pressionaram positivamente o indicador foram: Cigarro (3,26%), Motocicleta (2,85%), TV, Som e Informática (2,11%), Eletrodomésticos (1,89%), Artigos de limpeza (1,49%), Plano de saúde (1,06%) e Empregado doméstico (0,72%).

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Conforme observamos, o IPCA-15 de março reverteu a trajetória de aceleração vista no IPCA fechado de fevereiro. O choque de oferta de alimentos abrandou, e a deflação de certos itens, especialmente tarifa de energia elétrica, ajudaram a desacelerar consideravelmente o indicador. Conforme tínhamos destacado, o pico de janeiro-fevereiro foi atípico, e que em março deveríamos ver uma desaceleração mais consistente da inflação, o que se mostrou verdadeiro.

Para o IPCA fechado de mar/16, projetamos a princípio 0,50%. Deveremos observar leve aceleração da inflação dos Alimentos, ao passo que continuará em deflação o grupo Habitação. Preços de Artigos de Residência e Vestuário devem continuar acelerando, auxiliando a taxa fechada ficar acima da prévia.

Com relação a perspectiva da política monetária para os próximos meses, em nossa interpretação das recentes sinalizações, o BC/COPOM seguirá mantendo a taxa de juros no atual patamar, pelo menos até o último trimestre. A manutenção dos juros foi uma escolha correta em nossa opinião, e caso houvesse sido reduzida, não veríamos com maus olhos. Temos destacado que o juros alto tem tido um efeito perverso na dinâmica das contas públicas e na atividade econômica. Também temos ressaltado que os choques de preços demoram em média 2-3 anos para passar por completo na economia brasileira, período no qual temos que ter certa paciência na transição. O aprofundamento da recessão na atividade doméstica, o recuo dos preços dos alimentos, as reduções da tarifa de energia elétrica e o recuo do salário real, ajudarão a convergência da inflação para 2017.

No momento, acreditamos que o BC/COPOM está no caminho para cortar a taxa de juros mais à frente.  Por ora, nosso call é de que o comitê seguirá em manutenção nas próximas reuniões, avaliando a possibilidade de cortar a taxa no último trimestre, conforme os dados correntes de inflação melhorarem e puxarem para baixo as expectativas. Portanto, em nossa interpretação da ata, o ciclo de ajustes na taxa Selic está em pausa no patamar de 14,25% a.a.. A depender, veremos ainda em 2016, dois cortes de 25 pontos base no último trimestre, o que levaria a Selic ao patamar de 13,75% a.a. no final deste ano. Porém, estes cortes estão condicionados às futuras comunicações e dados acerca da conjuntura.

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Research Macro: Rafael Leão, Diego Machado e Fábio Ralston.

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