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O IPCA de jun/16 registrou inflação mensal de 0,35%, desacelerando ante o mês de mai/16, quando havia apresentado variação de 0,78%. Com esse resultado, a inflação acumulada em 12 meses recuou, de 9,33% em maio, para 8,86% neste mês, sendo consideravelmente inferior ao mesmo mês de 2015 (0,79%). A recente desaceleração, no entanto, poderá não se manter em julho, devido a aceleração do preço dos alimentos conforme temos contados nos indicadores gerais de preço (IGPs). Aliás, já esperávamos uma trajetória tempestiva devido as condições climáticas, que impactam os alimentos e a própria dinâmica da inflação brasileira, bastante inercial.

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Em relação à nossa expectativa (projeção Parallaxis: 0,36%) o resultado foi marginalmente inferior ao que antecipávamos, devido à inflação levemente menor nos grupos Saúde e cuidados pessoais e Habitação. Em comparação à mediana das projeções do mercado (mediana: 0,36%), o resultado também foi marginalmente inferior.

Em relação ao mês anterior, entre os 9 grupos que compõem o indicador, 7 desaceleraram (Alimentação e bebidas, Habitação, Artigos de Residência, Vestuário, Saúde e Cuidados Pessoais, Despesas Pessoais e Educação) e 2 avançaram (Transportes, e Comunicação, sendo que Transportes apresentou deflação menor que o mês anterior. Analisando por ordem de importância na composição do resultado, enquanto Alimentação e Bebidas (0,18 p.p. de impacto), Habitação (0,10 p.p.) e Saúde e Cuidados Pessoais (0,09 p.p.) exerceram pressão altista, Transportes (-0,10 p.p.) foi o único grupo no sentido oposto, apresentando deflação ainda que menor que o mês anterior.

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Na análise por itens e subitens, entre os que mais impactaram, no grupo Alimentação e Bebidas, destacamos os seguintes itens: Feijão-carioca (41,78%) e Leite longa vida (10,16%), que contribuíram juntos com 0,21 p.p., sendo portanto responsáveis por 60% do resultado do IPCA no mês. No grupo Habitação, destacaram-se Taxa de água e esgoto (2,64%), Aluguel residencial (0,58%), Reparos (0,55%), Mão de obra (0,87%) e Condomínio (0,74%). Em Saúde e Cuidados especiais, os itens que se destacaram pelo aumento de inflação foram Plano de Saúde (1,06%), Serviços laboratoriais e hospitalares (0,49%) e Produtos farmacêuticos (0,65%). Nos demais grupos, outros itens de destaque foram Alimento para animais (2,62%), Artigos de papelaria (0,98%), Tv, som e informática (2,57%), Cama, mesa e banho (1,89%), Empregado doméstico (0,87%) e Roupa masculina (1,88%).

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Para jul/16, a tendência é que os preços administrados saiam da conta, ajudando a redução da inflação. Por outro lado, permanece esse risco dos preços de alimentos seguirem subindo, devido às adversidades climáticas em algumas regiões. Contudo, tal cenário ainda permanece aderente à nossa projeção de IPCA em 6,9% em 2016 e 5,5% em 2017, apesar da trajetória oscilante.

Sobre a trajetória dos juros, temos batido na tecla de que já existem elementos suficientes que respaldam o início do corte da taxa Selic e acreditamos que essa deveria ter sido a atitude da última reunião do COPOM. O aprofundamento da recessão na atividade doméstica, os preços administrados com reajustes menores e o recuo do salário real, ajudarão a convergência da inflação para o centro da meta em 2017, ainda que 2016 permaneça fora da banda de flutuação.

Por fim, acreditamos que o BC/COPOM está no caminho para cortar a taxa de juros mais à frente.  Nosso cenário base é de que o comitê seguirá em manutenção nas próximas reuniões, avaliando a possibilidade de cortar a taxa no último trimestre, conforme os dados correntes de inflação melhorarem e puxarem para baixo as expectativas e o câmbio se mantiver num patamar inferior a R$ 3,40. Portanto, em nossa interpretação das últimas comunicações das autoridades monetárias, o ciclo de ajustes na taxa Selic está em pausa no patamar de 14,25% a.a.. Em nosso cenário, ainda em 2016, o COPOM deverá efetuar dois cortes de 50 pontos base no último trimestre, o que levaria a Selic ao patamar de 13,25% a.a. no final deste ano.

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Research Macro: Rafael Leão, Diego Machado e Fábio Ralston.

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