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O IPCA de set/16 registrou inflação mensal de 0,08%, desacelerando ante o mês de ago/16, quando havia apresentado variação de 0,44%, sendo esta a menor taxa nos últimos 26 meses. Com esse resultado, a inflação acumulada em 12 meses recuou, de 8,99% em agosto, para 8,49% neste mês, e também foi bastante inferior ao mesmo mês de 2015 (0,54%). Em relação à nossa expectativa (projeção Parallaxis: 0,11%), ao passo que a mediana do mercado publicado no Valor Econômico era de 0,18%. O resultado foi inferior ao que antecipávamos devido à deflação mais intensa do grupo Alimentos e inflação menos elevada do grupo Habitação.

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Em relação ao mês anterior, entre os 9 grupos que compõem o indicador, 6 desaceleraram (Alimentação e bebidas, Artigos de Residência, Transportes, Saúde e Cuidados Pessoais, Despesas Pessoais e Educação) e 3 avançaram (Habitação, Vestuário, e Comunicação). Analisando por ordem de importância na composição do resultado, com impactos positivos: Habitação (0,10 p.p. de impacto), Saúde e Cuidados Pessoais (0,04 p.p.) e Vestuário (0,03 p.p.). No sentido oposto, com impacto negativo na taxa: Alimentação e Bebidas (-0,08 p.p.) e Transportes (-0,02 p.p.).

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Na análise por itens e subitens, no grupo Alimentação e Bebidas muitos itens apresentaram deflação e foram determinantes para o grupo deflacionar. Destacamos os seguintes itens: batata-inglesa (-19,24%), Leite longa vida (-7,89%), Alho (-7,45%) e Feijão-carioca (-4,61%). Porém, no sentido oposto, alguns itens seguiram subindo seus preços: leite condensado (+8,26%), cafezinho (2,17%), Carnes (+1,43), dentre outros. Em Transportes, a desaceleração se deveu a queda das passagens aéreas (-2,39%), automóveis usados (-1,50%) e gasolina (-0,4%). Já em Artigos de Residência, os impactos deflacionários relevantes foram de TV, som e informática (-1,15%) e mobiliário (-0,65%). Ainda em queda e nos demais grupos, outros itens relevantes foram hotel (-6,53%) e cigarro (-3,32%).

No sentido oposto, entre os itens que aceleraram, no grupo Habitação destacaram-se botijão de gás (+3,92%), condomínio (+0,91%) e mão de obra para pequenos reparos (+0,87%). Ainda em destaque de alta, mas nos demais grupos, foram os itens: excursão (2,09%), alimento para animais (1,42%), calçados (1,23%), cabeleireiro (1,19%), plano de saúde (1,07%), ônibus intermunicipal (0,88%), empregado doméstico (0,87%), etanol (0,83%), emplacamento e licença (0,81%), manicure (0,69%) e telefone fixo (0,63%).

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Conforme esperávamos, o IPCA desacelerou ante agosto, e de maneira mais intensa do que a grande maioria do mercado esperava. A tendência é que a inflação volte a subir no último trimestre do ano devido a sazonalidade de alguns preços, porém em patamares inferiores ao ano anterior. De tal sorte, optamos por rever nossa estimativa de inflação este ano de 7,2% para 7,0%, além de agora acreditarmos que o BC/COPOM não escapará de cortar 50 pontos base na Selic na reunião de outubro.

Sobre a trajetória dos juros, temos insistido que já existem elementos suficientes que respaldam o início do corte. O baixíssimo patamar da atividade doméstica, o menor reajuste dos preços administrados, o recuo do salário real, ajudarão a convergência da inflação para muito próximo do centro da meta em 2017.  Nossas projeção para o IPCA em 2017 é de 4,8%.

Os fatores que pesaram para a manutenção no atual patamar, na visão do BC, já se fazem menos presentes, com o alívio dos preços de alimentos e encaminhamentos das medidas fiscais, o que na nossa visão já permite espaço mais que suficiente para iniciar uma queda da taxa de juros tão logo na reunião deste mês.

Em nosso novo cenário prospectivo para a taxa de juros, o COPOM deverá efetuar um corte de 50 pontos base em out/16 e outro de iguais 50 pontos base em nov/16, sua última reunião neste ano, o que levaria a Selic ao patamar de 13,25% a.a. Em tempo, destacamos que quando iniciado o ciclo de queda de juros, o comitê poderá agir agressivamente, reduzindo a Selic para 10,50% a.a. ao fim de 2017, em virtude dos fatos supracitados, sem peso na consciência, de maneira que a economia poderá crescer sem gerar forças inflacionárias.

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Research Macro: Rafael Leão, Diego Machado e Fábio Ralston.

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