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O IPCA de fev/17 registrou inflação mensal de 0,33%, desacelerando ante o mês de jan/17, quando havia apresentado variação de 0,38%. Com esse resultado, a inflação acumulada em 12 meses recuou, de 5,35% em janeiro, para 4,76% neste mês, ficando bem abaixo do mesmo mês de 2016 (0,90%) e sendo a menor taxa para o mês desde 2000. Em relação à nossa expectativa (projeção Parallaxis: 0,38%) o resultado veio marginalmente abaixo, surpreendendo positivamente ao passo que a mediana do mercado, publicado pelo AE-Broadcast, era de 0,43%. O desvio da nossa projeção em relação ao resultado ocorreu devido a deflação de alimentos, a qual esperávamos ser menos intensa que o observado.

Em relação ao mês anterior, entre os 9 grupos que compõem o indicador, 3 desaceleram ou entraram em deflação (Alimentos e Bebidas, Transporte e Despesas Pessoais), ao passo que a inflação de quatro grupos acelerou (Habitação, Artigos de Residência, Saúde e Cuidados Pessoais e Comunicação), enquanto o grupo de Vestuário demonstrou deflação menos intensa.

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Analisando por ordem de importância na composição do resultado, com impacto negativo, o grupo de Alimentação e bebidas (-0,11 p.p.) foi o destaque. Já com impactos positivos destacaram-se os grupos de Educação (0,23 p.p.), responsável por 71% do resultado do indicador, e Saúde e Cuidados Pessoais (0,08 p.p.).

Na análise por itens e subitens, no grupo Educação, destacou-se a inflação de 6,99% do item Cursos regulares, com impacto individual de 0,21 p.p.. No grupo de Alimentação e Bebidas, os itens feijão-carioca (-14,22%), Carnes (-1,22%), Frutas (-2,46%), Aves e Ovos (-2,37%), Frango Inteiro (-3,83%) e Tubérculos, Raízes e Leguminosos (-2,83%) foram os grandes destaques. No grupo de Transportes, destacaram-se os itens: passagem aérea (-12,29%), ônibus urbano (2,33%), seguro de veículos (2,59%) e combustíveis (-0,25%).

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O IPCA desacelerou ante janeiro deste ano, influenciado principalmente pela menor inflação dos preços de Transporte e da deflação dos preços dos Alimentos. Contudo, caso este último grupo tivesse ficado estável (0,0%) a inflação teria sido de 0,45%, ou seja, ainda seria metade da taxa vista em fev/16. Apesar do recuo na taxa de difusão, de 63% em jan/17 para 51% neste mês, acreditamos que a esta voltará a aumentar nos meses seguintes e a inflação continuará surpreendendo para baixo.

De tal sorte, acreditamos haver bastante espaço para corte em virtude dos elementos supracitados, de maneira que a Selic encerre 2017 em 9,0% a.a.. Em virtude do cenário prospectivo, revisamos nossa inflação em 2017 de 4,4% para 4,2% e 2018 de 4,0% para 3,9%.

Em virtude do processo desinflacionário, da elevada ociosidade na economia e das comunicações recentes das autoridades monetárias, acreditamos que o BCB/COPOM irá intensificar o ritmo de redução da taxa de juros, cortando 1,00 p.p. em Abril na sua próxima reunião.

Destacamos que a rápida redução dos juros é crucial para colocar a taxa de juros real em território menos contracionista e auxiliar a recuperação e o processo de desalavancagem do setor privado. O baixo nível de atividade, a distensão do mercado de trabalho, a queda dos salários reais e a valorização cambial seguirão exercendo pressão deflacionária significante no curto e médio prazo. Além do mais, as expectativas de mercado para inflação seguem bastante comportadas e em trajetória de queda, o que permitem o BCB adotar tal postura.

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Research Macro: Rafael Leão, Diego Machado e Fábio Ralston.

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