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O IPCA de dez/15 registrou inflação mensal de 0,96%, desacelerando ante o mês de nov/15, quando havia apresentado variação de 1,01%. Com esse resultado, a inflação acumulada em 12 meses avançou, de 10,49% em novembro, encerrando o ano de 2015 em 10,68%. Comparando o resultado deste mês, com o mesmo mês do ano anterior (dez/14: 0,78%), seguindo a dinâmica apresentada ao longo do ano, a inflação em 2015 foi significativamente mais alta, sendo a maior taxa para o mês desde dez/02.image (12)

Em relação a nossa expectativa (projeção Parallaxis: 1,04%) o resultado foi inferior ao que antecipávamos. Em relação a mediana das projeções do mercado (Consenso Broadcast: 1,06%), o resultado também foi de surpresa baixista.

Em relação ao mês anterior, entre os 9 grupos que compõem o indicador, 5 aceleraram (Artigos de Residência, Vestuários, Transportes, Saúde e Cuidados Especiais, Despesas Pessoais), 3 recuaram (Alimentação e Bebidas, Habitação e Comunicação) e Educação, que permaneceu estável. Analisando por ordem de importância destacamos os quatro grupos que mais impactaram o resultado: Alimentação e Bebidas (0,38 p.p.), Transportes (0,25 p.p.) e Habitação (0,08 p.p.) e Saúde e Cuidados Especiais (0,08 p.p.). Somando o impacto desses grupos, eles foram responsáveis por 81% (0,78 p.p.) do resultado do indicador.

IPCA - 08-01-16 - tabela 1

Na análise por itens e subitens, entre os que mais impactaram, no grupo Alimentação e Bebidas, destacaram-se os itens cebola (13,71%) e do tomate (11,45%), açúcar refinado (10,20%) e cristal (7,14%), feijão-fradinho (7,24%) e carioca (7,02%), ao passo que o subgrupo Alimentação Fora de Casa ficou em 0,65%. No grupo Transportes, destacaram-se as passagens aéreas (37,07%, impacto de 0,14 p.p.) influenciadas pelas viagens de final de ano, os combustíveis gasolina (1,26%) e etanol (2,80%), automóvel usado (0,78%) e as tarifas dos ônibus interestaduais (2,35%). No grupo Vestuário, avançaram expressivamente os preços das roupas femininas (1,65%) e masculinas (1,23%). No grupo Saúde e Cuidados Pessoais, destacaram-se plano de saúde (1,06%), serviços laboratoriais e hospitalares (0,95%) e artigos de higiene pessoal (0,90%), ao passo que no grupo Despesas Pessoais a pressão veio de excursão (5,76%), manicure (1,16%), cabeleireiro (1,09%) e empregado doméstico (0,43%).

IPCA - 08-01-16 - Tabela 2

O IPCA desacelerou mais do que esperávamos, auxiliados pela menor inflação dos Preços Administrados e Alimentos, sendo este último o grande desvio em relação a nossa projeção. Na abertura do indicador entre Livres e Administrados, vemos que este último aliviou bastante em relação ao mês anterior recuando de 1,09% para 0,53%, enquanto os Livres subiram de 0,99% para 1,10%, influenciado pela elevação dos preços de Serviços (de 0,46% para 0,97%).

Por fim, a inflação do ano de 2015, de 10,68%, foi a 2ª maior taxa desde a implantação do regime de metas de inflação no Brasil. Como pudemos observar ao longo do ano, os grandes vilões da inflação foram os preços de Alimentação e Bebidas (12,03%), fortemente influenciados pela estiagem do primeiro semestre e pelo aumento dos custos ao longo, oriundos da inflação dos Preços Administrados, que se elevaram 18,08% e acabaram sendo repassados para os demais preços. Tivemos altas expressivas da Energia Elétrica Residencial (51%), Gás de Botijão (22,55%), Gasolina (20,10%), Ônibus Urbano (15,09%), entre muitos outros que impactaram nos preços da Habitação e Transportes. Também não podemos esquecer a brutal desvalorização do Real, que ajudou também o aumento dos preços.

Para 2016, elevamos nossa projeção do IPCA de 6,2% para 6,4%, em função dos recentes anúncios de ajustes de preços do transporte público. Contudo, ainda observaremos uma desinflação significativa, ao passo que o regime de chuvas melhorou, dando alívio aos preços de alimentos e possivelmente à geração de energia elétrica. Dessa forma acreditamos que a inflação de alimentos deva ceder significativamente, juntamente com os preços administrados, que devem aumentar entre 7% e 8% este ano. Ademais, a taxa de câmbio, que já concluiu grande parte do seu ajuste, não deverá desvalorizar na magnitude vista em 2015, também auxiliando para que haja um desinflação significativa.

Com relação à condução da política monetária, nossa interpretação da última ata e das recentes sinalizações da autoridade monetária é que o BC/COPOM está mirando o centro da meta em 2017. Atualmente, a mediana das expectativas para o IPCA em 2017 está em 5,2% e com risco de seguir subindo nos próximos meses, conforme a inflação corrente continue demonstrando uma dinâmica ruim e com alta difusão. Dessa forma, acreditamos que o BC/COPOM realizará ao menos 2 ajustes de 50 pontos base na Selic, totalizando 1%, iniciando o ciclo de alta em janeiro deste ano e na reunião seguinte em março, para que as expectativas voltem a convergir para o centro da meta. Sendo assim, esperamos para que a Selic atinja 15,25% a.a. este ano, permanecendo neste nível até dezembro de 2016.

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