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Na Parallaxis projetamos que o BC elevará a Selic para 12,25% a.a. (+50 bps) na próxima reunião, dia 20 e 21 de janeiro. Também acreditamos que este será o último ajuste, devendo o BaCen encerrar o atual ciclo de aperto monetário, em função da fraquíssima atividade econômica e também, porque este agora conta com a política fiscal para dividir o “trabalho sujo” da contenção da inflação.

Veja abaixo a entrevista concedida pelo Economista-chefe da Parallaxis, Rafael Leão, ao Broadcast+ da Agência Estado.

AE-PROJEÇÕES: 76 DE 82 INSTITUIÇÕES PREVEEM SELIC EM 12,25% NA REUNIÃO DE JANEIRO DO COPOM

São Paulo, 15/01/2015 – A maioria dos economistas do mercado financeiro tem a expectativa de que a primeira reunião de 2015 do Comitê de Política Monetária (Copom) trará a decisão do Banco Central de elevar a taxa básica de juros brasileira em 0,50 ponto porcentual, repetindo a dose adotada no último encontro de 2014. Levantamento finalizado nesta quinta-feira (15) pelo AE Projeções mostrou que 76 de 82 instituições esperam que a Selic seja ajustada de 11,75% para 12,25% ao ano, na reunião da diretoria do BC que será realizada nos próximos dias 20 e 21 de janeiro. Do universo pesquisado, apenas seis casas creem num aumento menor, de 0,25 ponto porcentual, o que levaria os juros para a marca de 12,00% ao ano.

O quadro da pesquisa do AE Projeções é ligeiramente diferente do levantamento parcial divulgado na segunda-feira (12) pelo serviço especializado do Broadcast da Agência Estado. Na ocasião, houve unanimidade entre os analistas, com todas as 48 casas participantes aguardando a taxa de juros no nível de 12,25% no encontro de janeiro do Copom.

A despeito da pequena diferença entre a sondagem parcial e a definitiva do AE Projeções, as interpretações dos profissionais do mercado financeiro são parecidas para que eles cravem suas respectivas expectativas. Segundo os economistas, está claro que a inflação fechou 2014 bastante próxima do teto da meta perseguida pelo BC e que, para 2015, a quantidade de reajustes, sobretudo dos preços administrados, é uma ameaça real que pode levar o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para taxas acima do teto estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e até próximo de uma temida marca de 7%.

Os analistas lembram, no entanto, que os recentes recados dados por diretores do Banco Central, tanto por meio de discursos como por meio dos documentos oficiais da autoridade monetária, mostram um comprometimento com uma mudança no cenário de inflação, deixando claro que um grande objetivo do BC é a convergência do IPCA para o centro da meta de 4,5% em 2016. Para que isso consiga ser cumprido a tempo, porém, é necessária, conforme os profissionais do mercado financeiro, a ação rápida e intensa no ajuste da Selic, como vem sendo feito desde a reunião de outubro do Copom.

O economista-chefe da Linus Galena, Ricardo Meirelles de Faria, faz parte da corrente majoritária do levantamento do AE Projeções e espera um aumento de 0,50 ponto porcentual para a taxa básica de juros na reunião de janeiro da diretoria do BC. “Não está concluído o ajuste na Selic. Temos ainda bastante reajuste de preços para os próximos meses”, comentou. “O processo de altas deve ser finalizado com um aumento de 0,25 ponto porcentual na reunião seguinte e, depois, o Banco Central dará aquela parada técnica, até porque, a partir do segundo semestre, há uma expectativa de melhora nos índices”, previu.

Também para o economista-chefe da Parallaxis Consultoria, Rafael Leão, o Copom elevará a Selic para 12,25% em janeiro, mas este tende a ser o último ajuste do recente ciclo de aperto monetário. Ele não descarta totalmente a possibilidade de uma elevação de 0,25 ponto nesta reunião, já que lembrou que a gestão atual costuma encerrar os períodos de aperto com aumentos nesta magnitude. Destacou, porém, que o cenário principal da consultoria é a continuidade do que foi visto na reunião de dezembro. “Acredito que vem uma alta de 0,50 ponto porcentual com um comunicado bem forte”, salientou, acrescentando que o tom mais duro do BC deverá ser visto tanto no texto da decisão do Copom como na ata.

Para Leão, há uma expectativa de um cenário um pouco mais favorável para os preços livres, enquanto os preços administrados, depois do período de represamento, tendem a subir mais fortemente. Segundo o economista, como os administrados são menos sujeitos aos efeitos de política monetária, após mais um forte aumento na Selic agora em janeiro, será possível ao BC observar na sequência as influências de sua ação nos demais preços.

O economista-chefe do Banco Sicredi, Alexandre Barbosa, também pertence à corrente majoritária da pesquisa do serviço especializado do Broadcast e avaliou que o ajuste de 0,50 ponto porcentual é o mais adequado para o momento e está em linha com as mensagens recentes do Banco Central. Para ele, não haveria motivos para um retorno ao nível de 0,25 ponto porcentual porque as expectativas para inflação vêm acelerando bastante. Em contrapartida, uma elevação ainda mais expressiva, de 0,75 ponto porcentual, obrigaria a autoridade monetária a realizar um movimento de afrouxamento rápido no fim do ano para o remédio adotado não atingir um efeito maior do que a encomenda, gerando uma inflação até abaixo da meta central de 4,5% no ano que vem, em tempos de uma atividade econômica fraca.

“Menos de 0,50 ponto porcentual, além de ficar muito longe para cumprir a meta de 4,50% para 2016, não é o que o Banco Central tem anunciado, tampouco é compatível com o discurso que ele tem feito que leva em conta o termo ‘o que for necessário’ e a supressão do termo ‘parcimônia'”, explicou Barbosa, lembrando que a adoção de um aumento de 0,50 ponto agora também leva em conta os efeitos defasados da política monetária. “E por que não, 0,75 ponto? É até possível, mas poderia fazer com que o juros chegassem a tal nível que a taxa real acabaria ficando muito acima da neutra”, complementou.

O economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, é um dos poucos a acreditar em um aumento de 0,25 ponto porcentual da Selic neste encontro de janeiro. Segundo ele, como os sinais de enfraquecimento da atividade doméstica estão se confirmando e a política monetária global continua expansionista, o BC não deve ter muito espaço para elevar os juros. “O momento não é de exatamente um aperto monetário mais relevante. Vale lembrar que os juros já subiram bastante”, disse.

Outro fator, conforme Perfeito, é que o Banco Central deve contar com o trabalho dos Ministérios da Fazenda e do Planejamento para tentar frear a inflação. “A Selic deve parar em 12,00% (este ano)”, estimou o economista-chefe da Gradual.

Para o economista-chefe do Banco Safra, Carlos Kawall, não parece haver dúvidas em relação a um aumento de 0,50 ponto porcentual na reunião do Copom de janeiro e, além da política monetária, a fiscal também pode fazer com que a inflação desacelere para o nível desejado pelo BC em 2016.

O profissional do Safra disse acreditar também que a decisão dos diretores do Banco Central será unânime. Recordou ainda que, na reunião de outubro, houve muito mais divergência em relação ao “timing” dos juros do que pelo movimento em si. “Posteriormente, em dezembro, já houve unanimidade, quando aceleraram o ritmo de alta da Selic para 0,50 ponto. Me parece lógico que continue assim neste Copom”, estimou. (Flavio Leonel – flavio.leonel@estadao.com; e Maria Regina Silva – maria.regina@estadao.com)

 Copom de Janeiro 
 Instituições  Selic (%)
ABDE 12,00
Banco Ribeirão Preto 12,00
Gradual Investimentos 12,00
HSBC 12,00
LCA Consultores 12,00
SLW Corretora 12,00
ARX Investimentos 12,25
Arsa Investimentos 12,25
Ativa Corretora 12,25
Banco ABC Brasil 12,25
Banco de Tokyo Mitsubishi 12,25
Banco Fator 12,25
Banco Fibra 12,25
Banco Mizuho 12,25
Banco Pine 12,25
Banco Rendimento 12,25
Banco Safra 12,25
Banco Santander 12,25
Banco Sicredi 12,25
Banco Votorantim 12,25
Banrisul 12,25
Barclays 12,25
BBM Investimentos 12,25
BB DTVM 12,25
Besi Brasil 12,25
Beta Independent 12,25
BicBanco 12,25
BI&P 12,25
BNP Asset 12,25
BNP Paribas 12,25
BofA Merrill Lynch 12,25
Bozano Investimentos 12,25
Bradesco 12,25
Bradesco Corretora 12,25
Brasil Plural 12,25
Caixa Asset 12,25
Cenário Investimentos 12,25
Claritas 12,25
CM Capital 12,25
Correparti 12,25
Crédit Agricole 12,25
GAP Asset 12,25
GO Associados 12,25
Ibre/FGV 12,25
Icap Brasil 12,25
Icatu Vanguarda 12,25
Infinity Asset 12,25
INVX Global 12,25
Itaú Unibanco 12,25
JPMorgan 12,25
Kapitalo Investimentos 12,25
Kondor Invest 12,25
Leme Investimentos 12,25
Linus Galena 12,25
Mapfre Investimentos 12,25
Mauá Sekular 12,25
MB Associados 12,15
MCM Consultores 12,25
Mirae Asset 12,25
Modal Asset 12,25
Safra 12,25
MVP Asset 12,25
Nomura Securities 12,25
Órama Investimentos 12,25
Parallaxis Consultoria 12,25
Porto Seguro 12,25
Quantitas Asset 12,25
Quest Investimentos 12,25
RC Consultores 12,25
Renascença 12,25
Rosenberg Associados 12,25
Saga Capital 12,25
Santander Asset 12,25
Serasa Experian 12,25
SulAmérica 12,25
Telefônica/Vivo 12,25
Tendências 12,25
UBS Brasil 12,25
Ventor Investimentos 12,25
Verde Asset 12,25
Votorantim Corretora 12,25
Western Asset 12,25

Fonte: AE Projeções