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O balanço de pagamentos de mar/16 registrou déficit de US$ 855 mi nas transações correntes, de acordo com a nota de Setor Externo divulgada hoje pelo Banco Central.  O resultado apresentou um recuo em relação ao mesmo mês do ano anterior, quando havia registrado US$ -5,8 bi e também recuou em relação ao mês de fev/16 (US$ -1,9 bi).

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Dentro das Transações Correntes, o saldo da Balança Comercial seguiu superavitário, registrando saldo positivo de US$ 4,3 bi, acima do resultado fev/16 (US$ 2,9 bi), auxiliado pelo aumentos das exportações e recuo das importações. A conta de serviços apresentou despesas líquidas de US$ 2,9 bi em mar/16, -23,1% na comparação interanual. As despesas líquidas com transportes somaram US$ 348 mi (-37,6% a/a), ao passo que o item viagens internacionais (US$ 694 mi) recuou 27%, com reduções de 14,1% nos gastos de turistas brasileiros em viagens ao exterior e de aumento de 8,8% nas despesas de viajantes estrangeiros ao Brasil. As despesas líquidas com aluguel de equipamentos também recuou (-27%). Os serviços de propriedade intelectual recuaram 2,5%, enquanto os gastos líquidos com telecomunicação, computação e informações retraíram 29,1%.

Nas rendas primárias, que somaram despesas líquidas de US$ 2,4 bi no mês (+6,2% a/a), as remessas líquidas de lucros e dividendos registraram US$ 1,4 bi (+17,6%), ao passo que as despesas líquidas de juros no mercado externo ficaram em US$ 1,1 bi (-7,6% a/a). As rendas de investimento direto, por sua vez, somaram despesas líquidas de US$ 1,5 bi (+42%). No mês, as receitas líquidas da conta de renda secundária totalizaram US$ 240 mi, um aumento de 42,3% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Já a Conta Financeira registrou superávit de US$ 355 mi no mês, auxiliado principalmente pelo Investimento Direto no País (IDP), que somou US$ 5,6 bi em março. Deste resultado do IDP, US$ 3 bi corresponderam a participação no capital e US$ 2,5 bi em empréstimos intercompanhia. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, o aumento do IDP foi de 30,4%. Destacamos que o IDP no acumulado em 12 meses ainda segue relevante e financiando o déficit em conta corrente. Tal situação reforça que, apesar da conjuntura vivida, o Brasil está “barato” com um câmbio mais desvalorizado, revelando oportunidade de compra, com boa perspectiva no médio longo-prazo. Em mar/16, os investimentos em carteira passivos registraram ingresso de US$ 1,7 bi. Os investimentos em ações e em fundos de investimentos somaram US$ 1,8 bi e US$ 203 mi, respectivamente. Destacaram-se as saídas líquidas de títulos de renda fixa, US$ 375 mi, e entradas líquidas de operações com títulos soberanos negociados no exterior, US$ 1,4 bi, incluída a emissão do Global 2026 pelo Tesouro, US$ 1,5 bi.

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Em 12 meses, o déficit em transações correntes recuou de US$ 46,3 bi para US$ 41,4 (2,39% do PIB), demonstrando que o ajuste nas contas externas, com lastro recessivo, vem sendo bastante significativo. O déficit em conta corrente segue majoritariamente financiado pelo IDP, que no mesmo período somou 4,56% do PIB, ou seja, US$ 78,9 bi, superando o déficit em conta corrente acumulado nesses 12 meses.

O efeito da desvalorização cambial, juntamente com a recessão econômica, seguiu forçando os ajustes nas contas externas ao longo do ano anterior, que vem corrigindo-se rapidamente. A melhora que já começa ser significativa no déficit nas transações correntes em relação ao PIB, segue em linha com nosso cenário. Tal cenário segue em linha com nossa projeção de déficit em conta corrente de 1,5% do PIB em 2016.

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Research Macro: Rafael Leão, Diego Machado e Fábio Ralston.

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