*Por Rafael Azevedo, Sócio e Economista da Parallaxis Economics & Data Science

Hoje (24/set) foi divulgado pelo Bacen a nota de Setor Externo de agosto, trazendo os principais indicadores para o Balanço de Pagamentos brasileiro. A nota pode ser vista na íntegra aqui.

A nota trouxe algumas informações importantes, tais como os gastos de brasileiros no exterior (novo recorde!), o resultado dos investimentos estrangeiros diretos no país, a posição das reservas internacionais e etc…

Contudo, gostaria de comentar rapidamente o deficit em transações correntes, que somou US$5,5 bi  em agosto, e soma US$54,8 bi desde janeiro, abaixo do mesmo período de 2013, US$57,6 bilhões. Nos últimos doze meses, as transações correntes acumularam deficit de US$78,4 bi, cerca de 3,5% do PIB.

Como background para entendermos melhor o problema que temos em nosso balanço de pagamentos (BPs), devemos ter em mente o paper seminal do Krugman (aqui na visão de Reinhart) sobre as crises em BPs (mesmo que este seja sobre uma economia com regimes cambiais fixo) e a hipótese dos déficits gêmeos.

Com isso em mente, sabemos qual o risco de países emergentes/em desenvolvimento que “brincam” de manter desequilíbrios em seu BP por tempo prolongado. Sempre termina em crises, que demandam desvalorizações substanciais da taxa de câmbio. Uma frase batida, mas que encaixa muito bem nessa situação é do perspicaz Mário Henrique Simonsen: “inflação aleija, câmbio mata”.

Voltando aos dados divulgados hoje. O que mudou entre os 12 meses completados em agosto deste ano, com o mesmo período do ano anterior, que fizeram com que o déficit na conta corrente diminuísse (-2,4%), mesmo q marginalmente? Dois fatores: 1) uma atividade econômica menor; 2) desvalorização cambial (9,5%, na comparação da média entre estes dois períodos).

Focando neste segundo fator e pensando em uma taxa de câmbio “equilibrista”  (leia-se um intervalo cambial), pois pensar em uma taxa de equilíbrio, “cravada”, em um sistema dinâmico é totalmente questionável, cruzei as duas informações. Saldo em Conta Corrente vs Taxa de Câmbio. Resultou no bonito retrato abaixo:

cavse

 

Claro que este simplíssimo modelo(!!!) sofre com toda suas limitações. Mesmo assim, acho válido para suscitar o debate de que a zona equilibrista está muito mais próxima de R$3,00 do que do patamar atual, bêbado e tropicador. Continuemos pesquisando…