adam smith
Post escrito pelo economista, filósofo e estudante de direito F.Ogata.

Adam Smith é considerado  por muitos  o pai da ciência econômica. Apesar de que o estudo da economia iniciou na antiga Grécia por Aristóteles, e depois, na época medieval pelos franciscanos, o escocês Adam Smith foi o primeiro a elaborar uma obra que séculos mais tarde, se tornaria, por Marshall, uma ciência (parcialmente) independente.  O que alguns estudiosos constatam é que Adam Smith foi o primeiro economista a trata-la como algo que deveria ser trabalhado de maneira independente de outras ciências (apesar do uso da filosofia moral, jurisprudência e matemática), e também constatam que sua obra: “Uma investigação sobre a natureza e a causa da riqueza das nações”  teria influenciado toda a cadeia de economistas posteriores.

O motivo de Adam Smith ser considerado o pai da economia é uma discussão que tem caminhos na história, na filosofia e na própria ciência econômica. Se o estudo da economia já havia iniciado por Aristóteles, porque Adam Smith seria considerado o “O pai da economia”? Em primeiro lugar, como já falado, alguns consideram como uma obra única e parcialmente independente das demais. Já havia falado em outro post que economia não é uma ciência que se sustenta em si própria, sem utilizar-se das ferramentas das demais, portanto, seria um pouco difícil caracterizar a obra de Smith como uma obra independente. Além do mais, Smith era primeiramente filósofo e jurista, o que muitos economistas não consideram como fato relevante. Um segundo ponto é que a obra de Smith: “Uma investigação sobre a natureza e a causa da riqueza das nações”  seria uma obra que historicamente influenciou todas os demais historiadores e economistas, fazendo com que sob um ponto de vista histórico, ele teria sido único e singular. A questão é que David Hume, outro filósofo importante da época, teria escrito questões sobre a economia também e teria escrito antes de Smith, o que nos faz questionar porque exatamente Smith teria influenciado tanto.

A resposta é simples: Smith criou uma teoria que não só agradava e solucionava parcialmente os problemas ingleses no período como também explicava. Adam Smith desenvolveu uma teoria que hoje é considerada como clássica liberal e que colocaria em xeque problemas econômicos ingleses, enquanto outros autores apenas discutiram e refletiram sobre a economia da época. Essa interpretação do sucesso de Smith não é única, porém ela tem um viés interpretativo pragmático. Adam Smith é o pai da economia porque parcialmente solucionou problemas reais econômicos, coisa que outros estudiosos não o fizeram. Talvez seja apenas uma visão simplista do tema, basta ler mais Smith para saber o porquê ele realmente é considerado o pai da economia.

Quando falamos que Adam Smith é o “Pai da economia”, o que queremos dizer com economia? Se formos entender o estudo da economia, teríamos que dizer que economia foi elaborada por outras ciências (Matemática, filosofia, jurisprudência, história, etc.) e isso nos faz questionar: Pai de uma ciência que tem uma gama de ciências juntas? exatamente! Adam Smith tinha conhecimentos em toda essa gama de ciência.

Existe um ponto bem relevante em Smith que muitos economistas se esquecem: Smith escrevera outras obras.” Teoria dos sentimentos morais” seria sua obra como um puro filósofo moral, o que na verdade era sua formação. O problema é que a “Teoria dos sentimentos morais” não foi uma obra de estudo aprofundado entre economistas e quase sempre descartada em cursos de formação econômica, além disso, o livro fora escrito anos antes da “Riqueza das nações”. Aí poderia surgir uma questão interessante: Smith teria escrito um livro como prolegômeno para sua obra de economia?

Utilizando o método imanente, isso é,  estudar apenas pelo o que está escrito em uma obra e  desconsideramos coisas que estão fora da obra, ou seja, palavra por palavra apenas dentro de uma obra e se lermos “A Riqueza das nações” dessa maneira estruturalista, imanente, não precisamos retornar no livro esquecido pelos economistas “Teoria dos Sentimentos Morais”, mas se quisermos fazer uma interpretação do “pai da economia”, deixar de estudar a obra, seria puro desleixo. Entender Smith seria especializar-se em toda sua obra. Entender Smith  é entender sua biografia e a totalidade de sua obra. (Não quero dizer que para entendermos a “Riqueza das nações” seria necessário ler a “Teoria dos sentimentos morais”, apenas digo que para entender Adam Smith seria preciso entender toda a sua obra, apesar de que é possível ver questões que relacionam as obras.)

A verdade é que “A Teoria dos Sentimentos Morais” é uma obra de filosofia do qual fala das ações humanas. A economia, queira ou não, é produzida pela a interação entre recursos materiais (objetos) e seres humanos, o que faz com que ela seja  uma relação entre humanos. Se Smith fez uma obra que busca identificar, estudar e entender as relações entre os seres humanos e esta por sua vez é um caminho essencial para economia, por que não estudarmos?

Fica para um outro post estudarmos imanentemente “A teoria dos sentimentos morais”, por hoje, basta apenas destacar que esse livro não poderia ser descartado se quisermos realmente entender o “Pai da economia” em sua totalidade.