frase-a-importancia-da-linguagem-para-o-desenvolvimento-da-civilizacao-reside-no-facto-de-que-nela-o-friedrich-nietzsche-151490
Post escrito por F.Ogata - Filósofo, economista e estudante de direito

Economia e Linguagem

Grande parte dos economistas não estuda linguagem e muito menos entende o conceito de linguagem. Usando o senso comum, talvez, aparentemente isso não pode trazer muitos problemas. O que venho trazer nesse mini- ensaio é uma reflexão, um experimento de conceitos sobre o problema, que com grandes chances poucos economistas ou cientistas sociais pararam pra refletir.

Cabe antes de tudo, uma definição pela dicionário de filosofia de Nicolla Abbagno: “Linguagem […] Em geral, o uso de signos inter-subjetivos, que são os que possibilitam a comunicação. Por uso entende-se: linguagem a possibilidade de escolha (instituição, mutação, correção) dos signos; A possibilidade de combinação de tais signos de maneiras limitadas e repetíveis. Este segundo aspecto diz respeito às estruturas sintáticas da L., enquanto o primeiro se refere ao dicionário da L. moderna.A ciência da L. tem cada vez mais insistido na importância das estruturas lingüísticas, ou seja, das possibilidades de combinações delimitadas pela Linguagem […] A Linguagem distingue-se da língua, que é um conjunto particular organizado de signos intersubjetivos. A distinção entre L. e língua foi estabelecida por Ferdinand de Saussure, que a definia da seguinte forma: “A língua é um produto social da faculdade de L. e ao mesmo tempo um conjunto de convenções necessárias adotadas pelo corpo social para permitir o exercício dessa faculdade nos indivíduos. Tomada em conjunto, a L. é multiforme e heteróelita; sobreposta a domínios diversos — físico, fisiológico e psíquico — também pertence ao domínio individual e ao domínio social; não se deixa classificar em categoria alguma de fatos humanos porque não se sabe como determinar a unidade” (Cours de linguistíque générale, 1916, p, 15). Do ponto de vista geral ou filosófico, o problema da L. é o problema da intersubjetividade dos signos, do fundamento desta intersubjetividade. “

O que todo esse conceito de linguagem tem haver com a economia? um ponto é que a economia possui uma linguagem específica, um jargão específico, porém ela se depara com os mesmos problemas de outras áreas de conhecimento, problemas linguísticos. Em primeiro lugar, grande parte dos economistas não tem um conhecimento gramatical rígido, culto da língua. O economista, principalmente o brasileiro, não possui em sua formação um adequado conhecimento gramatical atento, fixo. Isso faz com que grande parte dos artigos publicados sejam “obscuros”, mal escritos e de difícil compreensão (claro que há exceções). Um segundo ponto é que a economia partilha de conceitos que muitas vezes diferem de economista para economista. A diversa interpretação e abordagem econômica gera conceitos que possuem o que os linguistas chamam de polissemia interna (significantes iguais porém com significados diferentes, cabe como exemplo a palavra: “riqueza”). Um terceiro e  importante problema é o fato de que a economia se comunica pela linguagem matemática, isso é, além da língua de cada povo, sociedade, há o problema da matemática (que na teoria é uma linguagem universal), onde ela é limitada por grande parte dos economistas, isso é, grande parte dos economistas não tem conhecimentos matemáticos ou estatísticos que permitem comunicar em termos universais, ou parte dos economistas são muito técnicos em matemáticos mas não traduzem isso em âmbitos gerais. Por final, antes de estabelecer outros problemas que se referem a linguagem em geral, a economia pode apresentar a retórica e erística, isso é, a arte do discurso e do manuseamento das palavras é um instrumento que os economistas utilizam.

Desse ponto de vista, a economia apresenta problemas que são os mesmos de outras áreas de conhecimento, porém com algumas características específicas.

Um dos problemas da filosofia da linguagem é que os símbolos linguísticos parecem mudar de tempos e tempos, isso é, significados e significantes variam (“Jogos de linguagem – Wittgeinstein). Outra questão é a impossibilidade da linguagem conseguir expressar aquilo que é a realidade (Derrida).Se a economia segue esses problemas e acompanha, em um última análise,  os problemas filosóficos da linguagem, os economistas estão pisando em um terreno ardiloso. Além dos problemas comuns, eles seguem em último ponto, problemas que afligem toda a ciência.

Enfim, a linguagem afeta o estudo econômico em vários pontos, sejam as divergências na forma de comunicação, seja na maneira obscura de partilhar conhecimento, ou até mesmo por não conseguir retratar o que ocorre na realidade. A questão que cabe suscitar é: Quais seriam as possíveis soluções para o problema da linguagem na economia?