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Prezados, aproveitando o momento de grande turbulência, estamos iniciando um novo relatório, pequeno e com comentários breves, sobre assuntos da esfera econômica, o qual nomeamos Parallaxis Dots. A função deste relatório é comentar rapidamente algum desdobramento intra diário, contudo, sem a devida profundidade. Assuntos que necessitem estudos mais aprofundados levam um pouco mais de tempo para serem produzidos, então, de forma a não perdemos muito tempo e com o intuito de provocar nossos leitores e tecermos breves insights, inauguramos esse modesto relatório.

E nosso primeiro assunto, será o #Brexit.

Sobre tal evento, o Brexit, acreditamos que o impacto no Brasil deve ter efeito secundário, não muito diretamente. Questões como essa, que envolvem geopolítica, tendem a ter esses efeitos mais “imperceptíveis”.

Iremos tentar listar os possíveis impactos:

  • Comércio Brasil x Reino Unido (RU) – Brasil x União Europeia (UE)

A Balança Comercial com o RU não é desprezível. O nosso saldo com a terra da rainha foi de cerca de US$ 100 mi de superávit em 2015. Nossa corrente de comércio com eles foi de US$ 5,7 bi (exportações + importações) em 2015. Já com a UE como um todo, nosso saldo foi deficitário em US$ 2,7 bi e a corrente de comércio de US$ 70,6 bi, no mesmo período. A soma de nossas exportações para a UE foi de US$ 33,9 bi, enquanto para o Reino Unido foi de US$ 2,9 bi (11,7% do total da UE). Sendo esse comércio com RU e EU importantes para a atividade brasileira, uma desaceleração destes tenderia a reduzir suas importações do Brasil. Contudo, sabemos que se de fato consumar o Brexit, o RU precisará rever todos seus acordos comerciais, e é aí que surge uma janela de oportunidade para o Brasil.

Porém, a princípio, vamos esbarrar nas seguintes questões:

Estará o RU mais disposto a acordos bilaterais com as nações emergentes, ou eles vão se voltar a um nacionalismo com aumento do protecionismo? Eles irão modificar seus padrões de importações, deixando de consumir industrializados dos países europeus e passar a importar os nossos? Qual impacto de fato o Brexit terá em sua atividade e na atividade econômica da UE, de modo que isso poderá dragar ainda mais os preços das commodities pra baixo e diminuir o ritmo de importação dos produtos brasileiros?

São questões complexas a serem respondidas e algumas delas apenas o tempo será capaz de dizer. Tendemos a acreditar que haverá uma redução na atividade do bloco europeu e do reino, que consequentemente passariam a importar menos do Brasil e os preços das commodities poderiam cair ainda mais, devido a atividade global mais letárgica.

Nossos principais produtos exportados para o RU em 2015 foram:

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  • Atividade global

Como mencionado, o Brexit tende a impactar o crescimento econômico, já bastante ruim, tanto da EU, quanto do RU. O que tende a diminuir ainda mais nossas exportações para esses destinos. Porém, não sabemos até que medida. A questão é que isso desacelera ainda mais o ritmo de crescimento global, e por conseguinte, o comércio global. Pretendemos elaborar um relatório mais profundo com este tema e com simulações. Caso tenha interesse, entre em contato conosco.

  • Mercados financeiros

Como terceiro ponto, o evento colocou muita volatilidade nos mercados financeiros e gerou novas peregrinações de capitais para ativos de menor risco, como os das economias norte americana e japonesa, que ainda são os “safe heaven” da economia global, sem dizer o ouro.

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Enfim, países como o Brasil, considerados ativos de risco e que atravessam dificuldades, tendem a ser impactados pela menor liquidez e por esse menor apetite a risco global.

Resumindo:

Teremos bastante agitação nos mercados e um futuro bastante incerto com relação ao que vai ser feito para essa desvinculação do RU da UE e como se dará e em qual prazo. Porém, sem dúvidas que janelas de oportunidades se abrem para um Itamaraty atuante, que saiba aproveitar a vantagem do câmbio desvalorizado e consiga promover nossas exportações, especialmente de produtos mais complexos para o RU. Sobre isso, estamos inclinados a acreditar que o Brasil não conseguirá aproveitar essa oportunidade, não porque não queira, mas porque acreditamos que o RU vai estar bastante ocupado arrumando a casa, ao passo que historicamente o Brasil tem sempre se posicionado junto à França/UE, que hoje está de mal com o RU. Pode ser que o Itamaraty mude isso, mas ainda temos que aguardar as movimentações nesse sentido.


Parallaxis Consultoria | parallaxis.com.br – Av. Paulista, 1159 – Cj. 1004 – São Paulo, SP

Tel: +55-011-3101-1368

Research Macro: Rafael Leão, Diego Machado e Fábio Ralston.

Disclaimer:

Este relatório foi preparado pela Parallaxis Consultoria e é distribuído apenas para clientes, com a finalidade única de prestar informações sob indicadores econômicos em geral. Não possuindo a Parallaxis Consultoria qualquer vínculo com pessoas que atuem no âmbito das companhias analisadas, assim como a empresa não recebe remuneração por serviços prestados ou apresenta relações comerciais com as companhias analisadas. Apesar de ter sido tomado todo o cuidado necessário de forma a assegurar que as informações no momento em que as mesmas foram colhidas, a precisão e a exatidão de tais informações não são por qualquer forma garantidas e a Parallaxis Consultoria por elas não se responsabiliza. Os preços, as opiniões e as projeções contidas nesse relatório estão sujeitos a mudanças a qualquer momento sem necessidade de aviso ou comunicado prévio. Este relatório não pode ser interpretado como sugestão de compra ou de venda de quaisquer ativos e valores imobiliários. Este relatório não pode ser reproduzido, distribuído ou publicado por qualquer pessoa, para quaisquer fins.