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O IBGE divulgou hoje pela manhã o PIB do 4º trimestre de 2015, que apresentou contração de -1,4% na passagem do 3º tri/15 para o 4º tri/15, com ajuste sazonal. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o PIB brasileiro encolheu -5,9%, levando o PIB brasileiro a R$ 5,9 trilhão, em valores correntes no ano de 2015.

Em relação a nossa projeção, o resultado veio levemente superior, dado que esperávamos contração de 1,6% na comparação com o tri imediatamente anterior, ajustado sazonalmente, e contração de 6,2% na comparação com o mesmo tri do ano anterior. Em relação a expectativa do mercado, os resultados das contas nacionais também ficaram marginalmente superior, ao passo que a mediana das mesmas comparações estavam em -1,6% e -6,0%, respectivamente.

O grande desvio em relação a nossa projeção foi ocasionado devido ao PIB Industrial, o qual esperávamos contração de 10,9% e acabou apresentando retração, de -8,0% na comparação interanual, à queda menos intensa do PIB de Serviços, que ficou em -4,4% (projeção: -5,5%) no mesmo modo de comparação.

Veja os detalhes da abertura das principais variáveis do PIB na tabela abaixo:

 

 

Tabela

A taxa de Investimento (FBCF/PIB) neste 4º trimestre ficou em 16,8%, recuando em relação ao mesmo período do ano anterior quando havia registrado 19,6%. No ano de 2015, a FBCF representou 18,2% do PIB, -2,0 p.p. em comparação com 2014. Analogamente, a taxa de Poupança em relação ao PIB retrocedeu de 12,9% para 11,3% na comparação trimestral e de 16,2% para 14,4% no ano. Veja o release do IBGE na íntegra clicando aqui.

Na comparação com o 3º trimestre de 2015, na ótica da oferta, o PIB da Agropecuária avançou 2,9%, ao passo que a indústria retraiu 1,4% e os serviços -1,4%. Na indústria, as principais influências negativas vieram da indústria extrativa mineral (-6,6%) e da indústria de transformação (-2,5%), 5º trimestre consecutivo de recuo desta última. De maneira oposta, a atividade de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana (1,7%) e a construção (0,4%) expandiram, auxiliando a queda ser menos intensa. No PIB de Serviços, as atividades imobiliárias (0,5%) foram as únicas a avançar. O restante das atividades retraíram-se: comércio (-2,6%), administração, saúde e educação pública (-2,0%), transporte, armazenagem e correio (-1,7%), outros serviços (-1,2%), serviços de informação (-0,9%) e intermediação financeira e seguros (-0,2%).

Na ótica do Consumo, a formação bruta de capital fixo recuou pelo 7º trimestre consecutivo (-4,9%), ao passo que o consumo das famílias (-1,3%) apresentou sua 4ª retração. Por sua vez, o consumo do governo recuou 2,9%. No que tange o setor externo, as exportações de bens e serviços auxiliaram com aumento de 0,4%, e as importações de bens e serviços retraíram 5,9%.

Na comparação com o 4º tri do ano passado, na ótica da oferta, o PIB agropecuária avançou 0,6%, enquanto a indústria recuou 8,0% e os Serviços -4,4%. Na indústria, destacaram-se negativamente a indústria da transformação (-12,0%), a Construção Civil (-5,2%) e a Extrativa Mineral (-4,1%); Enquanto de maneira oposta, indústria de Eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana avançou 1,4%. Já em serviços, as atividade que apresentaram contração foram o comércio (-12,4%), transporte, armazenagem e correio (-9,0%), serviços de informação (-3,0%) e outros serviços (-4,4%). As atividades imobiliárias apresentaram variação nula.

Na ótica da despesa, todos os componentes da demanda doméstica recuaram. A formação bruta de capital fixo recuou 18,5%, a despesa de consumo das famílias -6,8% e a despesa de consumo do governo -2,9%. Já no setor externo, as exportações de bens e serviços aumentaram 12,6%, enquanto as importações de bens e serviços retraíram em 20,1%.image (35)

 

Na comparação de 2015 com 2014, o resultados foram: Agropecuária (1,8%), Indústria (-6,2%) e Serviços (-2,7%). No PIB da agropecuária, destacaram-se positivamente as produções de soja (11,9%) e milho (7,3%), e de maneira oposta, trigo (-13,4%), café (-5,7%) e laranja (-3,9%).

Na Indústria, o segmento da extrativa mineral, cresceu 4,9%, devido a extração de petróleo e gás natural e pela extração de minérios ferrosos. As demais industrias registraram queda do PIB. Construção recuo 7,6%, enquanto a atividade de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana -1,4%. Por sua vez, a indústria de transformação recuou 9,7%, devido ao desempenho da indústria automotiva (incluindo peças e acessórios) e da fabricação de máquinas e equipamentos, aparelhos eletroeletrônicos e equipamentos de informática, alimentos e bebidas, artigos têxteis e do vestuário e produtos de metal.

No PIB de Serviços, o comércio caiu 8,9%, juntamente com transporte, armazenagem e correio (-6,5%), outros serviços (-2,8%) e serviços de informação (-0,3%). A atividade de administração, saúde e educação pública ficou estável (0,0%), enquanto que intermediação financeira e seguros e atividades imobiliárias avançaram, respectivamente, 0,2% e 0,3%.

Na análise da despesa, destaca-se o forte encolhimento de 14,1% da formação bruta de capital fixo. Tal fato pode ser explicado pela queda da produção interna e da importação de bens de capital, especialmente devido ao recuo da construção em 2015.

O consumo das famílias caiu 4,0%, o que pode ser explicado pela deterioração dos indicadores de inflação, juros, crédito, emprego e renda ao longo do ano. O consumo do governo, por sua vez, caiu 1,0%.

No setor externo, as exportações de bens e serviços cresceram 6,1%, enquanto as importações de bens e serviços recuaram 14,3%. Entre os produtos e serviços da pauta de exportações, os maiores aumentos foram observados em petróleo, soja, produtos siderúrgicos e minério de ferro. Já entre as importações, as maiores quedas foram observadas em máquinas e equipamentos, automóveis, petróleo e derivados e serviços de transportes e viagens.

O PIB de 2015 revelou a maior contração dos últimos 25 anos. Acreditamos que aprofundamento da atividade já passou pelo seu pior momento, e que agora deverá retrair de maneira menos intensa em 2016, com possibilidade de apresentar algum crescimento em 2017. Para este ano, nossa expectativa de retração do PIB é de -3,5%. Já para 2017, podemos ver um PIB entre -0,2% e +0,5%.

O panorama para a economia brasileira continua pernicioso e recessivo para esse ano, especialmente devido a retração brutal da FBCF. Conforme temos destacado, a demanda doméstica perdeu seu dinamismo a muito tempo e a crise política tem desnorteado ainda mais os agentes econômicos. É fato que os empresários não vislumbram num futuro próximo, qualquer aumento de demanda que compense realizar investimentos e não realizarão antes da eficiência marginal do capital, que diminuiu nos últimos anos, voltar a aumentar. O setor externo poderá ser um dos impulsores da retomada do crescimento, à medida que nossos produtos estão mais competitivos, auxiliando alguns setores da indústria, principalmente através da substituição de importações.

Sem sombra de dúvida, a recessão continuará promovendo os ajustes macroeconômicos, especialmente no mercado de trabalho, aumento o desemprego e retraindo o rendimento do trabalhadores, que auxiliará na queda da inflação. Os ajustes monetários e fiscais em curso reforçam este prognóstico, aprofundando as expectativas dos consumidores e do empresariado do lado real da economia.

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Research Macro: Rafael Leão, Diego Machado, Fábio Ralston e Klaus Troetschel.
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