2017-03-07

O PIB do setor agropecuário apresentou em 2016 a pior retração desde 1996, ocasionado por problemas climáticos e atividade mais baixa na pecuária. Na variação acumulada em 4 trimestres, observamos queda no PIB agropecuário de -6,6% e na comparação com o quarto trimestre do ano anterior de 5,0%. As três principais culturas em área plantada no Brasil, milho, soja e cana de açúcar apresentaram retração de -25,7%, -2,7% e -1,8%, respectivamente. Dentre as que favoreceram positivamente se destaca crescimento de 22% no trigo, 15,5% no café e 2,8% na mandioca. O bom resultado do trigo e outras culturas de inverno como o triticale e a aveia foram fatores positivos na comparação com o terceiro trimestre de 2016, alta de 1,0% no PIB agropecuário.

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Como comentado no parágrafo anterior, o principal fator que levou a queda no PIB agrícola foram as intempéries climáticas devido ao fenômeno “El Niño” durante a safra de 2015/16, ocasionando excesso de chuvas na região sul do país e uma escassez nas regiões norte e nordeste. Por ser um problema de cunho climático, ou seja, exógeno à produção, avaliamos que o PIB agrícola poderá apresentar uma recuperação rápida, diferente de outros setores da economia. Como podemos observar, a área plantada de soja está estimada pelo LSPA para aumentar em 1,4% durante a safra 2016/17 em comparação com a safra anterior, e com clima mais ameno, a cultura poderá apresentar crescimento na produtividade de 9,7%, resultando num ganho na produção de 11,8%. Além da soja, o milho também poderá ser um fator positivo para o PIB agrícola em 2017, com expectativa de crescimento na área plantada de 6% na primeira safra e 2,1% na segunda, com projeção de aumentar a produção em 22% na safra de verão e 49,5% na safra de inverno. A cana de açúcar, contudo, ainda deve se manter como fator negativo no PIB agrícola em 2017, com expectativa de queda tanto na área plantada quanto na produtividade.

 O PIB pecuário, por outro lado, deverá apresentar recuperação mais lenta. Com o aumento no desemprego e queda na renda das famílias, a demanda por carnes está enfraquecida, resultando redução nos abates por parte dos frigoríficos. Dessa forma, diferente do setor agrícola, a crise econômica deve continuar afetando o setor de forma mais intensa em 2017, sendo este fator limitante para o crescimento do PIB agropecuário no ano.

Outro fator que poderá trazer impacto negativo para o PIB agropecuário é a valorização do BRL em comparação com o USD. Com o BRL mais valorizado o Brasil apresenta queda na competitividade em comparação com outros países, podendo reduzir nossas exportações e, consequentemente impactar negativamente os preços dos produtos. Com relação ao crédito, avaliamos que este não tende a ser um grande empecilho para safra 2017/18.

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Dessa forma, estimamos que o PIB agropecuário poderá voltar a se recuperar logo no primeiro trimestre do ano, favorecido principalmente pela boa colheita da soja e do milho primeira safra. Segundo nossas projeções o PIB agropecuário tende a apresentar um crescimento de 2,7% em comparação com primeiro trimestre de 2016 e nesse ano com crescimento total de 3,8%.

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Research Macro: Rafael Leão, Diego Machado e Fábio Ralston.

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