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O PIB do setor agropecuário foi o único a apresentar crescimento em 2015, com avanço de 1,8% na comparação com 2014. Porém, o produto interno bruto do setor apresentou resultados negativos nos dois primeiros semestres de 2016, queda de -3,7% e -3,1% na comparação com os respectivos semestres em 2015. Em valores correntes o PIB agropecuário foi de R$ 90,76 bilhões, o que resultou em uma queda de -2,0% em relação ao primeiro trimestre de 2016, considerado o ajuste sazonal. O principal ponto a ser destacado na retração nos resultados do setor foram as adversidades climáticas devido ao fenômeno “El Niño” durante o desenvolvimento da safra de verão, impactando negativamente a produtividades dos grãos.

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Com relação às culturas que impactaram negativamente o PIB agropecuário no segundo semestre, podemos destacar uma contração na produção de milho (-20,5%), arroz (-14,7%), algodão (-11,9%), feijão (-9,1%) e soja (-0,9%). Com relação às culturas que apresentaram resultado positivo podemos destacar o café, com aumento na produção de 11,2%. A soja, apesar de haver apresentado um incremento de 3,2% na área plantada, apresentou uma retração na produtividade de -3,7%, o que trouxe uma queda na produção de 0,9%. Com relação à primeira safra de milho, o efeito substituição para o plantio da soja trouxe uma retração na área plantada de -10,9%, com uma produtividade também inferior à do ano passado, de -5,4%. A retração na produção de milho primeira safra de -14,1% desequilibrou a relação oferta e demanda – com uma baixa oferta no mercado, os preços domésticos do milho mais do dobraram no primeiro e no segundo trimestre de 2016 em comparação com o mesmo período em 2015. Além da baixa oferta durante a primeira safra, a segunda safra não reestabeleceu o equilíbrio no mercado devido à estiagem durante maio e junho, período do plantio e desenvolvimento do cereal. Dessa forma, apesar da área plantada de milho “safrinha” haver aumentado em 8,7% esse ano, o rendimento médio tende a retrair em -27,3%, ocasionado uma baixa na produção de -23,8%. Para o próximo ano/safra de milho, avaliamos que os preços elevados deste ano possam trazer um maior otimismo para os produtores, que, segundo nossa estimativa, devem aumentar a área plantada do cereal. Com expectativa de um “La Niña” mais fraco do que esperado no início do ano, estimamos que a produção de milho na primeira e segunda safra possam vir a subir, favorecendo o PIB de 2017.

 A falta de oferta de milho esperada para esse ano também está corroborando para uma atividade fraca no setor pecuário. Com os elevados preços do cereal e as dificuldades em repassar os preços das carnes para os consumidores finais, os produtores diminuíram a quantidade de frangos e suínos alojados, o que impacta negativamente nos abates. Além disso, a oferta restrita de bovinos prontos para o abate também deve resultar em impacto negativo no PIB pecuário.

Com relação à produção de arroz, a queda na produção ocorreu tanto devido à uma queda na área plantada de -8,9% quanto na produtividade, -5,7%. A área plantada de arroz, foi impactada por um efeito migração para outras culturas, devido à baixa rentabilidade que levou investidores agrícolas a preterirem a produção em detrimento de culturas mais rentáveis. Com relação à produtividade, observamos excesso de chuvas na região sul do país, que impactou o período de plantio e a luminosidade necessária para o desenvolvimento do grão. Por fim, ainda com relação a um dos principais produtos da cesta de alimentação básica no Brasil, o feijão na primeira e segunda safra apresentaram problemas tanto com a produtividade quanto pela área plantada. A área plantada de feijão recuou 8% na primeira safra e 1,8% na segunda, com estimativa pelo IBGE de retração de 1,8% para a terceira safra. Com relação à produtividade a queda foi de 4,3% na primeira safra e -12,3% na segunda safra, contudo, para a terceira safra a projeção é de alta de 3,5% na produtividade. Dessa forma, a produção de feijão (1ª, 2ª e 3ª safra) deverá apresentar uma retração de 5,4% esse ano.

Por fim, a cultura do café apresentou resultado positivo para o PIB agropecuário no segundo trimestre de 2016, segundo o IBGE. Apesar da queda na produção de conilon, devido à seca no Espirito Santo e em Rondônia, as duas principais regiões produtoras da variedade, o resultado positivo na safra do Arábica, com alta de 21,5% levou a produção de café a crescer. A área plantada de café arábica, contudo, apresentou uma retração de 0,5% em comparação com 2015, contudo o bom nível de chuvas nas principais regiões produtoras trouxe um incremento na produtividade de 18,8% em comparação com a safra passada.

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Para o próximo trimestre, esperamos que o produto interno bruto possa apresentar novas adversidades. Segundo as estimativas do IBGE, a produção de cana de açúcar e laranja, deverão impactar negativamente nos resultados do trimestre, com expectativa de queda de -1,8% e -3,20%, respectivamente. O trigo, por outro lado, poderá vir a favorecer o PIB esse ano, com expectativa de alta na produção de 15,9% nessa safra devido à expectativa de clima favorável, o que poderá trazer um aumento na produtividade de 33,6%.

Dessa forma, com uma redução na expectativa da produção de soja e da segunda safra de milho, reduzimos nossa previsão para o PIB do setor agropecuário para esse ano. Segundo nossa projeção o PIB do setor deverá apresentar uma retração de 2,4%. Para 2017, estimamos que o PIB agropecuário possa voltar a crescer (+3,5%) devido a condições climáticas menos adversas e um aumento na área plantada dos grãos.

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