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O IBGE divulgou hoje pela manhã o PIB do 4º trimestre de 2016, que apresentou contração de -0,9% na passagem do 3º tri/16 para o 4º tri/16, com ajuste sazonal. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o PIB brasileiro encolheu -2,5%, levando o PIB brasileiro a R$ 6,3 trilhões, em valores correntes no acumulado em 2016.

Em relação as nossas projeções, na comparação com o tri imediatamente anterior, o resultado foi de contração mais intensa, dado que esperávamos recuo de 0,4%, ajustado sazonalmente. Na comparação com o mesmo tri do ano anterior, o resultado também foi marginalmente inferior ao esperado, dado que projetávamos recuo de 2,2% neste modo de comparação.

Veja os detalhes da abertura das principais variáveis do PIB na tabela abaixo:

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A taxa de Investimento (FBCF/PIB) neste 4º trimestre ficou em 15,6%, recuando em relação ao mesmo período do ano anterior quando havia registrado 16,7%. Em 2016 a taxa de investimento foi de 16,4%, também reduzindo-se em relação ao ano anterior, quando havia registrado 18,1%. De maneira análoga, a taxa de Poupança em relação ao PIB recuou, de 11,3% para 11,1% na comparação trimestral. Já em 2016, a taxa foi de 13,9%, -0,6p.p. em relação ao ano anterior. Veja o release do IBGE na íntegra clicando aqui.

Na comparação com o 3º trimestre de 2016, na ótica da oferta, o PIB da Agropecuária avançou 1,0%, a indústria contraiu 0,7% e os serviços retrocederam 0,8%.

No PIB Industrial, o setor da indústria Extrativa mineral contribuiu positivamente, avançando 0,7%, em função do avanço da extração de petróleo e gás natural. Por outro lado, recuaram a indústria de Transformação (-1,0%) e a Construção (-2,3%), enquanto a Atividade de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana recuou (-0,1%), de maneira mais branda. No PIB de Serviços todos os setores recuaram, sendo por magnitude: serviços de informação (-2,1%), transporte, armazenagem e correio (-2,0%), comércio (-1,2%), outros serviços (-0,9%), intermediação financeira e seguros (-0,7%), administração, saúde e educação pública (-0,6%) e atividades imobiliárias (-0,2%).

Pela ótica do Consumo, a formação bruta de capital fixo permaneceu em território negativo (-1,6%) após o resultado recuar 2,6% neste modo de comparação no tri passado, conforme esperávamos, dada a elevada ociosidade na economia e a valorização do Real frente ao Dólar. O Consumo das famílias (-0,6%) apresentou sua 8ª retração. No que tange o Consumo do governo, este apresentou praticamente estabilidade (0,1%). Por sua vez, no setor externo, as exportações de bens e serviços recuaram 1,8%, e as importações de bens e serviços avançaram 3,2%.

Na comparação com o 4º tri do ano passado, na ótica da oferta, o PIB da agropecuária retraiu 5,0%, enquanto a Indústria e Serviços recuaram ambos 2,4%.

Na indústria, destacaram-se negativamente a indústria da Transformação (-2,4%), a Construção Civil (-7,5%), enquanto a Extrativa Mineral cresceu 4,0%, puxada pela extração de petróleo e gás, e a atividade de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana avançou 2,4%.

Já em Serviços, as atividades que apresentaram contração foram Transporte, armazenagem e correio (-7,5%), o Comércio (-3,5%), Intermediação financeira e seguros (-3,4%), Serviços de Informação (-3,0%), Outros Serviços (-2,6%), Administração, saúde e educação pública (-0,7%), enquanto Atividades Imobiliárias permaneceram praticamente estáveis (0,1%).

Na ótica da despesa, todos os componentes da demanda doméstica recuaram pela 7ª vez consecutiva. A formação bruta de capital fixo recuou 5,4%, a despesa de consumo das famílias -2,9% e a despesa de consumo do governo -0,1%. Já no setor externo, as exportações de bens e serviços tombou 7,6%, enquanto as importações de bens e serviços retraíram 1,1%, o primeiro influenciado pela valorização do Real, já o segundo devido a fraca demanda interna.

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No acumulado em 2016, os resultados que levaram à queda de 3,6% do PIB foram: Agropecuária (-6,6%), Indústria (-3,8%) e Serviços (-2,7%). O recuo do PIB da Agropecuária foi decorrente do desempenho da agricultura, especialmente milho, soja e cana-de-açúcar, veja nossa nota do PIB agro para mais detalhes. No PIB industrial, o destaque positivo foi da atividade de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana, que avançou 4,7% em relação a 2015. A indústria de transformação teve queda de 5,2% no ano, influenciada pelo péssimo desempenho das industrias de maquinas e equipamentos, automotiva, produtos de metal, alimentos e bebidas, móveis e metalurgia. Ao passo que a Construção encerrou o ano com recuo de 5,2%, enquanto que a extrativa mineral retrocedeu 2,9%, devido à menor extração de minérios ferrosos.

Com relação ao PIB de Serviços, Transporte, armazenagem e correio tombou 7,1%, seguido por comércio (-6,3%), outros serviços (-3,1%), serviços de informação (-3,0%) e intermediação financeira e seguros (-2,8%). As atividades imobiliárias cresceram 0,2%, enquanto que a administração, saúde e educação públicas (-0,1%) ficou estável comparado com 2015.

Na ótica do dispêndio, a FBCF (-10,2%) recuou pelo 3º ano consecutivo, explicado pela queda da produção interna e da importação de bens de capital, em um ambiente com elevada ociosidade da capacidade instalada. O Consumo das famílias retraiu 4,2% em relação a 2015, influenciado pela deterioração do emprego e renda ao longo de todo o ano de 2016, juntamente com crédito ainda restritivo e juros alto, num ambiente de desalavancagem do setor privado. Já o Consumo do governo recuou 0,6%, após recuo de 1,1% em 2015.

No setor externo, as exportações de bens e serviços avançaram 1,9%, enquanto as importações de bens e serviços tombaram 10,3%.

Conforme destacamos ao longo do ano de 2016, veríamos uma contribuição menos intensa do setor externo devido à valorização cambial ocorrida desde meados do 1º tri daquele ano. Não à toa, os bolsões de dinamismo criados em alguns setores da economia em virtude da desvalorização cambial já se enfraqueceram, o que dificulta a rota de fuga do fundo do poço da atividade econômica.

O resultado do PIB de 2016 revelou-se um museu de grandes novidades, ou seja, nada diferente daquilo que temos dito, sem surpresas. O que esperamos daqui para frente é que a atividade apresente taxas negativas cada vez menores. De tal sorte, esperamos que o PIB retorne ao território positivo na comparação interanual no 2º tri de 2017. Para este ano de 2017, nossa expectativa é de crescimento de 0,5%, com retomada mais intensa em meados do 2º semestre.

Acreditamos que ao fim do 3º tri deste ano o processo de desalavancagem do setor privado estará menos intenso, possibilitando a retomada da demanda, mesmo que ainda incipiente. Até meados desse ano a tendência de queda na renda dos trabalhadores, permanecerá devido a distensão do mercado de trabalho. Simultaneamente, o crédito tende a permanecer restritivo. Estes fatores tendem a deprimir a demanda, e em meio a um ambiente com elevada ociosidade da capacidade instalada será difícil observamos uma retomada muito pujante da economia ainda este ano.

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Research Macro: Rafael Leão, Diego Machado e Fábio Ralston.

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