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No trimestre móvel encerrado em fev/16 (dez-jan-fev), segundo dados do IBGE na PNAD Contínua, a taxa de desocupação foi de 10,2% da População na Força de Trabalho. Tal resultado demonstrou avanço de 1,2 p.p. ante trimestre anterior (set-out-nov) e avanço de 2,8 p.p. na comparação com o mesmo tri encerrando em fevereiro do ano anterior. O resultado apresentado foi a maior taxa de desocupação da série histórica, que teve início em 2012. O resultado ficou em linha com a mediana das estimativas do mercado, de 10,1% e à nossa projeção de 10,2% para a taxa de desocupação.

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Na pesquisa apresentada pelo IBGE, a população desocupada foi de 10,4 milhões de pessoas, crescendo 14% (+1,3 milhão de pessoas) em relação ao trimestre anterior e aumento de 40,1% (+3 milhões de pessoas) ante mesmo trimestre no ano anterior, revelando a intensidade com que a crise tem afetado o mercado de trabalho. Por sua vez, a população ocupada (91,1 milhões de pessoas) recuou 1,1% (-1 milhão de pessoas) em relação ao tri anterior e recuou 1,3% (-1,2 milhão de pessoas) contra o mesmo tri no ano anterior. O número de empregados com carteira assinada também recuou (-1,5%) ante o trimestre imediatamente anterior e retraiu 3,8% (-1,4 milhão de pessoas) frente a igual período de 2015.

O rendimento médio real habitualmente recebido pelos trabalhadores na média do trimestre até fev/16 (R$ 1.934) ficou estável frente ao trimestre de setembro a novembro/15 (R$ 1.954) e -3,9% em relação a igual trimestre de 2015 (R$ 2.012). A massa de rendimento real habitualmente recebida em todos os trabalhos para o trimestre encerrado em fev/16 (R$ 171,3 bi) apresentou recuo de 2,0% ante o trimestre anterior. Ante o mesmo tri do ano anterior a massa de rendimento recuou 4,7%.

Analisando a população de trabalhadores ocupados por grupamentos de atividade, em relação ao tri de setembro a novembro de 2015, observa-se retração de -5,9% na Industria, -2,5% no grupamento Informação, Comunicação E Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas e -2,1% em Administração Pública, Defesa, Seguridade Social, Educação, Saúde Humana E Serviços Sociais. De maneira oposta, destacamos o grupamento da Agricultura, que elevou-se 1,9%. Nos demais grupamentos houve estabilidade.

Contra o trimestre de dezembro/14 a fevereiro/15, os grupamentos que recuaram foram Industria (-10,4%) e Informação, Comunicação E Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas (-7,7%). No sentido oposto, os grupamentos que registraram aumento do nível de emprego foram Transporte, Armazenagem e Correio (+5,3), Alojamento e Alimentação (+4,3%) e Serviços Domésticos (+3,9%). Os demais grupamentos mantiveram-se estáveis.

Analisando o rendimento médio real habitual por grupamento, na comparação com o tri de setembro a novembro/15, considerando a margem de erro, houve estabilidade em todos grupamentos, exceto em Serviços domésticos (+1,8%). Na comparação com o mesmo período do ano anterior, apenas dois grupamentos de atividade apresentaram recuo considerando a margem de erro. Sendo estes: Agricultura, Pecuária, Produção Florestal, Pesca e Aquicultura (-7,4%) e Transporte, Armazenagem e Correio (-6,3%).

O resultado da PNAD segue demonstrando o efeito do forte ajuste recessivo, que tem impactado o mercado de trabalho. E, conforme temos destacado, este ajuste “clássico” recessivo continuará promovendo seus efeitos, sobretudo no mercado de trabalho, tragicamente aumentando ainda mais o estoque de desempregados. Não poderíamos esperar nada diferente nesse aspecto.

A inflação ainda elevada, juntamente a esta deterioração significativa no mercado de trabalho revelam os grandes efeitos do ajuste econômico em curso. Ademais o processo de ajuste no mercado de trabalho deverá continuar nos próximos meses ao longo de 2016 e até meados de 2017. Esperamos que a taxa de desemprego atinja 11% este ano.

Mantemos nossa perspectiva de melhora na dinâmica do mercado de trabalho apenas no segundo semestre de 2017, a medida que a expectativa com relação a demanda agregada futura for positiva e a eficiência marginal do capital compensar os investimentos a serem feitos.

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Research Macro: Rafael Leão, Diego Machado e Fábio Ralston.

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