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No trimestre móvel encerrado em dez/15 (out-nov-dez), segundo dados do IBGE na PNAD Contínua, a taxa de desocupação foi de 9,0% da População na Força de Trabalho. Tal resultado demonstrou estabilidade ante trimestre anterior (ago-set-out) e avanço de 2,5 p.p. na comparação com o mesmo tri encerrando em dezembro do ano anterior. O resultado apresentado foi a maior taxa de desocupação da série histórica, que teve início em 2012. O resultado ficou em linha com a mediana das estimativas do mercado, de 9,1% e também em relação à nossa projeção de 9,0% para a taxa de desocupação. Com esse resultado, a taxa de desemprego média em 2015, mensurada pela PNAD Contínua, chegou a 8,5%, após ter atingido 6,8% em 2014.

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Na pesquisa apresentada pelo IBGE, a população desocupada foi de 9,1 milhões de pessoas, permanecendo estável em relação ao trimestre anterior e aumento de 40,8% (+2,6 milhões de pessoas) ante mesmo trimestre de 2014, revelando a intensidade com que a crise tem afetado o mercado de trabalho. Por sua vez, a população ocupada (92,3 milhões de pessoas) ficou estável em relação ao tri anterior e recuou 0,6% (-600 mil pessoas) contra o mesmo tri de 2014. O número de empregados com carteira assinada ficou estável ante o trimestre imediatamente anterior e retraiu 3,0% (-1,1 milhão de pessoas) frente a igual período de 2014.

O rendimento médio real habitualmente recebido pelos trabalhadores (R$ 1.913) recuou 1,1% frente ao trimestre de julho a setembro (R$ 1.935) e -2,0% em relação ao mesmo trimestre de 2014 (R$ 1.953). A massa de rendimento real habitualmente recebida em todos os trabalhos para o trimestre encerrado em dezembro (R$ 171,5 bi) não apresentou variação ante o trimestre anterior, considerando a margem de erro. Sem a margem de erro, a massa de rendimento recuou 0,6%. Ante o mesmo tri do ano anterior (R$ 175,7 bi) a massa de rendimento recuou 1,2%.

Analisando a população de trabalhadores ocupados por grupamentos de atividade, em relação ao tri de julho a setembro de 2015, observa-se retração de 4,0% na indústria geral (-518 mil pessoas), -2,0% (-190 mil pessoas) na agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura, -8,9% (-943 mil pessoas) no grupamento de Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas e -1,1% (-48 mil pessoas) em Outros serviços. De maneira oposta, destacamos o grupamento da Construção, que elevou-se 8,5% (+619 mil pessoas) e Serviços Domésticos em 6,1% (+365 mil pessoas).

Contra o trimestre de outubro a dezembro de 2014, os grupamentos da Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura; Construção; Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas e Outros serviços, não apresentaram variação estatística significativa. Os grupamentos da Indústria (-7,9%), Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (-8,7%) recuaram. E de maneira oposta os grupamentos Transporte, armazenagem e correio (5,7%), Alojamento e Alimentação (6,5%), Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (2,1%) e Serviços Domésticos (6,6%) aumentaram.

Analisando o rendimento médio real habitual por grupamento, na comparação com o tri de julho a setembro, considerando a margem de erro, houve estabilidade em todos grupamentos, exceto comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (-2,5%). Na comparação com o mesmo período do ano anterior, apenas 3 grupamentos de atividade apresentaram estabilidade considerando a margem de erro. Sendo estes: Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (-5,4%), Transporte, armazenagem e correio (-6,0%) e Serviços Domésticos (-2,0%).

O resultado da PNAD demonstrou o forte ajuste recessivo, que tem impactado o mercado de trabalho. E, conforme temos destacado, este ajuste “clássico” recessivo continuará promovendo seus efeitos, sobretudo no mercado de trabalho, tragicamente aumentando ainda mais o estoque de desempregados. Não poderíamos esperar nada diferente nesse aspecto.

A inflação persistentemente alta, juntamente a esta deterioração significativa no mercado de trabalho revelam os grandes efeitos da atividade econômica deletéria e o ajuste econômico em curso. Ademais o processo de ajuste no mercado de trabalho deverá continuar nos próximos meses e ao longo de 2016. Esperamos que a taxa de desemprego atinja 11% este ano.

Mantemos nossa perspectiva de melhora na dinâmica do mercado de trabalho apenas no início de 2017, a medida que a expectativa com relação a demanda agregada futura for positiva e a eficiência marginal do capital compensar os investimentos a serem feitos.

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Research Macro: Rafael Leão, Diego Machado e Fábio Ralston.

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