An employee holds a car door at a production line of a Dongfeng Peugeot Citroen Automobile factory in Wuhan, Hubei province, February 13, 2014. PSA Peugeot Citroen and Banco Santander are close to agreement on a European car loans alliance that the French carmaker plans to unveil alongside a recapitalisation deal with Chinese partner Dongfeng, sources said on Thursday. To match Exclusive PEUGEOT-SANTANDER/DEAL     REUTERS/Stringer (CHINA - Tags: TRANSPORT BUSINESS) CHINA OUT. NO COMMERCIAL OR EDITORIAL SALES IN CHINA - RTX18SJK

O indicador de produção industrial, elaborado pelo IBGE (PIM-PF), apresentou queda pelo 27º mês consecutivo na comparação interanual. Em junho/16 o resultado foi de -6,0% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Já na comparação mensal, o indicador apresentou avanço considerável, de 1,1%, ajustado sazonalmente, após avançar 0,4% em jun/16, sendo o 4º avanço consecutivo na margem, desde março/16.  Em 12 meses, a produção industrial acumula retração de 9,8%.

 O avanço na comparação mensal não se revelou uma surpresa em relação ao esperado, visto que a projeção da Parallaxis apontava para alta (+1,5% m/m e -5,5%). O avanço, no entanto, deve-se entre outros fatores, à retomada da produção após a normalização dos estoques, depois da desaceleração da atividade fabril desde 2012 e de maneira mais pronunciada a partir de out/14. A desvalorização cambial também tem influenciado nesta retomada, ativando os setores tanto via exportação, como pela via de substituição de importações.
 Em suma, a atividade industrial parece estar se estabilizando num patamar de baixa atividade econômica. Agora, podemos estar diante de dois cenários possíveis, um no qual a recuperação se dará de maneira mais lenta e gradual, formando um “U”, ou diante de uma estabilidade em um patamar muito baixo de atividade, configurando um formato em “L”. Muito provavelmente veremos movimentos erráticos no segundo semestre, ora positivos ora negativos, porém os dados sugerem ligeira melhora, devido a interrupção da deterioração.
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A contração da atividade industrial dos últimos anos não deve-se ao ajuste macroeconômico recessivo em curso, mas ao processo de desindustrialização pelo qual a economia brasileira passou nos últimos anos, representando um problema estrutural, consequência do câmbio apreciado por muito tempo e da elevação dos custos ao longo dos últimos anos, que impactaram a eficiência marginal do capital.

Vínhamos ressaltando que essa situação perduraria até que os estoques fossem normalizados e o processo de substituição de importação se fizesse presente.  E, aparentemente, começamos a observar este processo nos dados, que será importante para um novo ciclo de crescimento econômico para o Brasil. De tal sorte, revisamos nosso expectativa de contração da produção industrial em 2016, de -6,9% para -6,0%.

Dentre os 26 ramos da pesquisa, em relação a jun/15, houve queda em 20 ramos. Já em relação a mai/16, 18 ramos pesquisados (de 24) apresentaram crescimento na passagem para junho, com ajuste sazonal.

Na comparação com jun/15, os ramos que apresentaram piores resultados, e mais impactaram, foram as produções de: indústrias extrativas (-12,5%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-13,2%), produtos alimentícios (-3,3%), produtos de metal (-12,7%), produtos de minerais não-metálicos (-9,9%), veículos automotores, reboques e carrocerias (-4,3%). No sentido oposto, avançaram os ramos de produtos químicos (2,3%) e de artefatos de couro, artigos para viagem e calçados (8,9%).

Na comparação mensal, os maiores avanços na margem, que impactaram o resultado global do indicador, foram os setores de: veículos automotores, reboques e carrocerias (8,4%), perfumaria, sabões, produtos de limpeza e de higiene pessoal (4,7%); metalurgia (4,7%); confecção de artigos do vestuário e acessórios (9,8%); artefatos de couro, artigos para viagem e calçados (10,8%) e produtos farmoquímicos e farmacêuticos (4,4%). Na comparação mensal e em queda, destacaram-se os segmentos de produtos alimentícios (-0,7%); bebidas (-2,6%); coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-0,6%); e celulose, papel e produtos de papel (-2,0%).

 Os dados também vieram melhores na abertura por grandes categorias econômicas, especialmente Bens de Capital, com a sexta taxa positiva consecutiva, acumulando avanço de 13,9% nesse período.
 Veja os detalhes da abertura por Categorias Econômicas na tabela abaixo:
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Tal comportamento sugere um aumento da formação bruta de capital fixo no 2º tri deste ano, em comparação com o 1º tri de 2016, o que é um bom sinal, porém ainda bastante tímido dado a magnitude da retração ocorrida.

Na comparação trimestral, a produção industrial avançou 1,2% no 2º tri/16, comparado com o 1ºtri/16 e ajustado sazonalmente, após recuar 1,9% no 1ºtri/16 ante o 4ºtri/15. Já na comparação com o mesmo tri do ano anterior, a produção industrial recuou 6,7%, revelando recuo menor que no 1ºtri/16, de -11,5%.

Estruturalmente, pouco se alterou na economia que impulsione a produção industrial. Conjunturalmente, a desvalorização cambial parece já começar a das as caras, reativando alguns setores da indústria de maneira mais robusta. Ainda que no curto prazo a conjuntura recessiva siga predominante, ao menos a sangria industrial deve ser estancada. Agora, nos resta saber se o câmbio permanecerá no patamar que deve impulsionar esta retomada (acreditamos que acima de R$ 3,30) de maneira mais consistente.

 

A mudança conjuntural já começa a animar o espírito animal dos empresários industriais – vide as sondagens do setor – que já podem começar a vislumbrar com o aumento de demanda, mesmo que incipiente, que compense elevar investimentos. Contudo, pesará sobre a decisão desses empresários o fato de que a recessão continuará promovendo os ajustes econômicos, especialmente no mercado de trabalho, aumentando o desemprego e retraindo o rendimento do trabalhadores ao longo de 2016.
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Research Macro: Rafael Leão, Diego Machado e Fábio Ralston.

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