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O indicador de produção industrial, elaborado pelo IBGE (PIM-PF), apresentou queda pelo 21º mês consecutivo na comparação interanual. Em novembro/15 o resultado foi de -12,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Já na comparação mensal, o indicador apresentou recuo de 2,4%, ajustado sazonalmente, aprofundando após ter recuado 0,57% no mês anterior.  Nos últimos doze meses a produção industrial acumula retração de 7,7% e também no ano, de -8,1%. image (10)

Em relação à nossa expectativa, os números vieram piores que o esperado, tanto na comparação mensal, como na comparação interanual (projeção: -0,3% m/m e -10,10% a/a) e também em relação ao consenso do mercado (consenso: -0,9% m/m e -10,3% a/a), fora do intervalo de queda esperado.

A contração da atividade industrial, conforme temos destacado, não deve-se único e exclusivamente ao ajuste macroeconômico recessivo em curso, mas também ao processo de desindustrialização pelo qual a economia brasileira passou nos últimos anos, representando um problema estrutural devido ao câmbio apreciado por muito tempo e da elevação dos custos ao longo dos últimos anos, que impactaram a eficiência marginal do capital. Do lado conjuntural, a atividade industrial continuará se contraindo, devido a recessão econômica. Essa situação perdurará até que os estoques sejam normalizados e um processo de substituição de importação faça-se sentir mais presente. Acreditamos que tal processo só deve ter início em meados de 2016 em diante. Para 2016 esperamos um contração ligeiramente menor da produção industrial, de -5,0%.

Dentre os 26 ramos da pesquisa, em relação a nov/14, houve queda em 24 destes. Já em relação a out/15 foram 14 ramos pesquisados (de 24), que apontaram retração na passagem de outubro para novembro.

Na comparação anual, os ramos que apresentaram piores resultados, e mais impactaram, foram: veículos automotores, reboques e carrocerias (-35,3%), derivados do petróleo e biocombustíveis (-12,0%), indústrias extrativas (-10,5%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-34,2%) e máquinas e equipamentos (-16,3%). No sentido oposto, destacou-se a atividade das indústrias de produtos alimentícios (0,7%) e bebidas (1,3%).

Na comparação mensal, os maiores recuos na margem, que impactaram o resultado global do indicador, foram os setores de: indústrias extrativas (-10,9%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-7,8%) – influenciados em grande medida pela greve de trabalhadores na Petrobrás e pelo rompimento da barragem da Samarco em Mariana/MG – produtos alimentícios (-2,2%), produtos de minerais não-metálicos (-3,5%) e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-6,0%). Já no sentido oposto, os ramos que se destacaram pela avanço no mês foram: veículos automotores, reboques e carrocerias (1,3%), metalurgia (1,4%), bebidas (1,4%) e perfumaria, sabões, produtos de limpeza e de higiene pessoal (0,7%).

Veja os detalhes da abertura por Categorias Econômicas na tabela abaixo:

Tabela 2

 

Por fim, nenhuma novidade nos dados divulgados pelo IBGE. Conjunturalmente, a única boa notícia para indústria é a desvalorização cambial, que pode gerar efeitos positivos no médio-longo prazo, propiciando uma retomada da atividade fabril e um processo de reindustrialização. Porém, no curto prazo, a conjuntura recessiva continuará predominando.

Resumo da opera: os empresários não vislumbram num futuro próximo qualquer aumento de demanda que compense elevar investimentos e nem o farão enquanto a eficiência marginal do capital, compensar a realização desses investimentos. Sem sombra de dúvida, a recessão continuará promovendo os ajustes econômicos, especialmente no mercado de trabalho, aumentando o desemprego e retraindo o rendimento do trabalhadores. Ademais, os ajustes monetários e fiscais em curso reforçam este prognóstico, aprofundando as expectativas dos consumidores e do empresariado do lado real da economia.

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Research Macro: Rafael Leão, Diego Machado, Fábio Ralston e Klaus Troetschel.
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