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O indicador de produção industrial, elaborado pelo IBGE (PIM-PF), apresentou queda pelo 29º mês consecutivo na comparação interanual. Em agosto/16 o resultado foi de -5,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Já na comparação mensal, o indicador apresentou um tombo de -3,8%, ajustado sazonalmente, após ínfimo avanço de 0,1% em jul/16, interrompendo a sequência de 5 crescimentos consecutivos na margem, desde março/16.  Em 12 meses, a produção industrial acumula retração de 9,3%.

O recuo na comparação mensal não se revelou uma surpresa em relação ao esperado, visto que a projeção da Parallaxis apontava para recuo (-3,7% m/m e -5,9% a/a). O resultado na margem, apesar da bastante intenso, tende a ser pontual. O resultado foi impactado principalmente pela redução da produção de alimentos, especialmente a produção de cerveja, açúcar, óleo de soja e farelo de soja, e também a produção de veículos automotores, reboques e carrocerias, impactado pela paralisação da produção de uma montadora devido a um problema com fornecedor de autopeças.

Contudo, apesar do tombo a produção industrial notoriamente está se estabilizando num patamar de baixa atividade econômica, ainda que esta estabilização ainda não tenha se consolidado. Temos ressaltado que recuperação se dará de maneira mais lenta e gradual que o esperado. E conforme temos dito, continuaremos vendo movimentos erráticos nos próximos meses, ora positivos ora negativos, porém os dados sugerem ligeira melhora, devido a interrupção da deterioração.

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De tal sorte, o cenário prospectivo está em linha com nossa expectativa para a produção industrial em 2016, de recuo de 6,0%.

Dentre os 26 ramos da pesquisa, em relação a ago/15, houve queda em 18 ramos. Já em relação a jul/16, 21 ramos pesquisados (de 24) apresentaram recuo na passagem para agosto, com ajuste sazonal, demonstrando um perfil disseminado.

Na comparação com ago/15, os ramos que apresentaram piores resultados, e mais impactaram, foram as produções de: indústrias extrativas (-11,7%); coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-12,5%); veículos automotores, reboques e carrocerias (-9,0%); de produtos alimentícios (-2,9%); e de produtos de minerais não-metálicos (-11,0%). No sentido oposto, avançaram os ramos de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (7,1%); artefatos de couro, artigos para viagem e calçados (7,0%); e outros produtos químicos (1,8%).

Na comparação mensal, os maiores recuos na margem, que impactaram o resultado global do indicador, foram os setores de: produtos alimentícios (-8,0%); veículos automotores, reboques e carrocerias (-10,4%); indústrias extrativas (-1,8%); de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-1,9%); de perfumaria, sabões, produtos de limpeza e de higiene pessoal (-2,8%); e de produtos de minerais não-metálicos (-5,1%). Na comparação mensal e com avanço, destacou-se o segmento de produtos farmoquímicos e farmacêuticos, com avanço de 8,3%.

Na abertura por grandes categorias econômicas, os dados vieram um pouco piores do que no mês passado, devolvendo parte dos ganhos recentes.

Veja os detalhes da abertura por Categorias Econômicas na tabela abaixo:

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Na comparação trimestral, a produção industrial avançou 0,75% no jun-jul-ago comparado com o tri imediatamente anterior (mar-abr-mai) e ajustado sazonalmente. Já na comparação com o mesmo tri do ano anterior, a produção industrial recuou 5,7%.

Enfim, estruturalmente pouco se alterou na economia que impulsione a produção industrial. Conjunturalmente, a desvalorização cambial tem impulsionado alguns setores da indústria, e como vimos, foi responsável para que o PIB do 2º tri não trouxesse dados ainda piores. Para que a recuperação se consolide, temos destacados três pontos importantes: (i) o câmbio, (ii) a taxa de juros e (iii) a desalavancagem do setor privado.

A taxa cambial, se seguir um ciclo de revalorização, poderá abortar o processo de retomada. A taxa de juros real precisa recuar de modo que possibilite a retomada dos investimentos de maneira mais ampla. E por fim, o processo de desalavancagem do setor privado ainda não se concluiu e o crédito caro e altamente restritivo tem contribuído para que esse processo se estenda por mais tempo.

Em tempo, destacamos que apesar do otimismo (níveis de confiança aumentando em diversos setores), o que determina a realização do investimento, além da taxa de juros, é o retorno do capital frente a demanda agregada futura, imaginada no momento de realização dos investimentos. E atualmente, a tendência é que a renda dos trabalhadores siga declinando e contraindo demanda, ao passo que o crédito siga restritivo.

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Research Macro: Rafael Leão, Diego Machado e Fábio Ralston.

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