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O indicador de produção industrial, elaborado pelo IBGE (PIM-PF), apresentou queda pelo 25º mês consecutivo na comparação interanual. Em março/16 o resultado foi de -11,3% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Já na comparação mensal, o indicador apresentou forte avanço de 1,45%, ajustado sazonalmente, após forte recuo de 2,7% em fev/16.  Em 12 meses, a produção industrial acumula retração de 9,7%.

Com este resultado de mar/16, a Produção Industrial encerrou o 1º tri com retração de 11,7% na comparação com o mesmo tri de 2015. Já na comparação com o tri imediatamente anterior, o recuo foi de 2,3%, ajustado sazonalmente. Tal resultado está em linha com nossa expectativa para o PIB Industrial de 2016, que deverá apresentar recuo de 7,0%, na comparação com 2015. Para o 1º trimestre do PIB Industrial de 2016 comparado com o mesmo tri de 2015 projetamos recuo de 9,4%.

Em relação à nossa expectativa, a comparação mensal ficou em linha com o que projetávamos, enquanto a comparação interanual ficou abaixo do previsto (projeção: -1,47% m/m e -10,2% a/a). Já em relação ao consenso do mercado (consenso: -1,5% m/m e -11,00% a/a), o resultado efetivo foi em linha, não representando grande surpresa.

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A contração da atividade industrial dos últimos anos não deve-se ao ajuste macroeconômico recessivo em curso, mas ao processo de desindustrialização pelo qual a economia brasileira passou nos últimos anos, representando um problema estrutural, consequente do câmbio apreciado por muito tempo e da elevação dos custos ao longo dos últimos anos, que impactaram a eficiência marginal do capital. Do lado conjuntural, aí sim o ajuste macroeconômico recessivo se faz presente. Temos ressaltado que essa situação perdurará até que os estoques sejam normalizados e um processo de substituição de importação faça-se sentir mais presente.  E, aparentemente, começamos a observar o início deste processo nos dados de março, que será importante para um novo ciclo de crescimento econômico para o Brasil. Porém, tal situação precisará ser confirmada pelos dados seguintes. Sendo assim, para 2016 esperamos um contração da produção industrial ligeiramente menor, de -5,0%, do que em 2015 (-8,3%).

Dentre os 26 ramos da pesquisa, em relação a mar/15, houve queda em 22 ramos. Já em relação a fev/15 o crescimento foi apresentado por 12 ramos pesquisados (de 24), na passagem de fevereiro para março, com ajuste sazonal.

Na comparação com mar/15, os ramos que apresentaram piores resultados, e mais impactaram, foram: veículos automotores, reboques e carrocerias (-23,8%), indústrias extrativas (-16,6%), máquinas e equipamentos (-17,8%), de metalurgia (-14,4%), de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-31,1%), de produtos de metal (-19,6%). No sentido oposto, os ramos que apresentaram avanços mais significativos foram: produtos do fumo (17,4%) e de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (2,7%).

Na comparação mensal, os maiores avanços na margem, que impactaram o resultado global do indicador, foram os setores de: produtos alimentícios (4,6%), máquinas e equipamentos (8,5%), de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (8,3%), de veículos automotores, reboques e carrocerias (2,7%), de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (3,6%) e de produtos de madeira (4,2%). No sentido oposto, os ramos que se destacaram com o recuo da produção na passagem do mês foram: celulose, papel e produtos de papel (-3,1%), de indústrias extrativas (-0,9%), de metalurgia (-2,1%), de produtos de borracha e de material plástico (-2,9%) e de móveis (-4,6%).

Veja os detalhes da abertura por Categorias Econômicas na tabela abaixo:

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No tri até mar/16 frente ao mesmo tri do ano anterior, 23 dos 26 ramos recuaram a produção, com destaques para produção de veículos automotores, reboques e carrocerias (-27,8%), indústrias extrativas (-15,3%), máquinas e equipamentos (-23,7%), de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-34,7%), de metalurgia (-13,9%), de produtos de borracha e de material plástico (-15,7%), de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-20,5%). No sentido oposto, as atividades que apresentaram crescimento mais relevante foram produtos do fumo (31,3%) e de celulose, papel e produtos de papel (1,7%).

Estruturalmente, os desafios para a indústria brasileira permanecem os mesmos. Conjunturalmente, a boa notícia para indústria tem sido a desvalorização cambial, que pode gerar efeitos positivos no médio-longo prazo, propiciando uma retomada da atividade e um processo de reindustrialização. Porém, no curto prazo, a conjuntura recessiva segue predominante. O recuo significativo e aterrador dos bens de capital (-28,3%) demonstra que 2016 ainda será um ano de enormes dificuldades para a economia brasileira.

Os empresários não vislumbram no curto prazo qualquer aumento de demanda que compense elevar investimentos e nem o farão enquanto a eficiência marginal do capital não compensar tais investimentos. A recessão continuará promovendo os ajustes econômicos, especialmente no mercado de trabalho, aumentando o desemprego e retraindo o rendimento do trabalhadores ao longo de 2016. A indústria sofreu muito nos últimos anos e segue negligenciada pelos últimos de 30 anos de governo. Não há como pensar na retomada de um ciclo de crescimento vigoroso e sustentável sem passar pela reativação da indústria brasileira.

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Research Macro: Rafael Leão, Diego Machado e Fábio Ralston.

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