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O indicador de produção industrial, elaborado pelo IBGE (PIM-PF), apresentou queda pelo 22º mês consecutivo na comparação interanual. Em dezembro/15 o resultado foi de -11,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Já na comparação mensal, o indicador apresentou recuo de 0,7%, ajustado sazonalmente, seguindo a sequência de retrações desde de mai/15 e após forte recuo de 2,3% em nov/15.  Com este resultado de dez/15, a Produção Industrial encerrou 2015 com retração de 8,3% na comparação com 2014, confirmando a queda mais intensa da pesquisa iniciada em 2003. Tal resultado está em linha com nossa expectativa para o PIB Industrial de 2015, que deverá apresentar recuo de 6,2%, na comparação com 2014.

Na comparação trimestral, o 4ºtri/15 da Produção Industrial, comparada com o mesmo período de 2014, apresentou forte recuo de 11,8%. Na comparação com o tri imediatamente anterior o recuo foi de -3,9%.

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Em relação à nossa expectativa, a comparação mensal ficou acima do que projetávamos, enquanto a comparação interanual ficou em linha (projeção: -1,8% m/m e -11,5% a/a). Já em relação ao consenso do mercado (consenso: -0,1% m/m e -10,77% a/a), o resultado efetivo foi pior que o esperado.

A contração da atividade industrial, conforme temos destacado, não deve-se único e exclusivamente ao ajuste macroeconômico recessivo em curso, mas também ao processo de desindustrialização pelo qual a economia brasileira passou nos últimos anos, representando um problema estrutural devido ao câmbio apreciado por muito tempo e da elevação dos custos ao longo dos últimos anos, que impactaram a eficiência marginal do capital. Do lado conjuntural, a atividade industrial continuará se contraindo, devido a recessão econômica. Essa situação perdurará até que os estoques sejam normalizados e um processo de substituição de importação faça-se sentir mais presente. Para 2016 esperamos um contração ligeiramente menor da produção industrial, de -5,0%.

Dentre os 26 ramos da pesquisa, em relação a dez/14, houve queda em 24 destes. Já em relação a nov/15 foram 13 ramos pesquisados (de 24), que apontaram retração na passagem de novembro para dezembro.

Na comparação com dez/14, os ramos que apresentaram piores resultados, e mais impactaram, foram: veículos automotores, reboques e carrocerias (-30,9%); indústrias extrativas (-11,5%); máquinas e equipamentos (-25,2%); coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-7,6%); metalurgia (-14,1%);  equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-37,1%); produtos de metal (-19,0%); de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-22,3%); produtos de minerais não-metálicos (-15,3%); bebidas (-11,1%); outros produtos químicos (-7,5%); produtos de borracha e material plástico (-12,1%); de confecção de artigos do vestuário e acessórios (-18,4%) e outros equipamentos de transporte (-22,0%). No sentido oposto, produtos alimentícios (4,4%) e celulose, papel e produtos de papel (2,6%) foram as atividades que aumentaram a produção nesse mês.

Na comparação mensal, os maiores recuos na margem, que impactaram o resultado global do indicador, foram os setores de: máquinas e equipamentos (-8,3%); bebidas (-8,4%); metalurgia (-5,0%) e perfumaria, sabões, produtos de limpeza e de higiene pessoal (-3,5%); máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-6,6%); de produtos de metal (-4,5%); de produtos têxteis (-9,1%); de produtos de minerais não-metálicos (-3,5%) e de produtos de madeira (-5,6%). No sentido oposto, os ramos que se destacaram com o aumento da produção na passagem do mês foram: produtos alimentícios (2,6%); coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (3,3%); veículos automotores, reboques e carrocerias (4,7%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (12,2%) e celulose, papel e produtos de papel (5,4%).

Veja os detalhes da abertura por Categorias Econômicas na tabela abaixo:

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No ano, 25 dos 26 ramos recuaram a produção, com destaques para veículos automotores, reboques e carrocerias (-25,9%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-30,0%), máquinas e equipamentos (-14,6%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-5,9%), metalurgia (-8,9%), produtos de metal (-11,4%), produtos alimentícios (-2,3%). O único destaque positivo em 2015 veio da indústria extrativa, que expandiu a produção em 3,9%.

O ano de 2015 encerrou e como esperávamos o segundo semestre foi pior do que o primeiro, com a recessão se aprofundando, puxada pela contração da produção industrial. Conjunturalmente, a única boa notícia para indústria é a desvalorização cambial, que pode gerar efeitos positivos no médio-longo prazo, propiciando uma retomada da atividade e um processo de reindustrialização. Porém, no curto prazo, a conjuntura recessiva continuará predominando. O recuo significativo e aterrador dos bens de capital (-25,5%) demonstram que 2016 será um ano de enormes dificuldades para a economia brasileira.

 

Os empresários não vislumbram no curto prazo qualquer aumento de demanda que compense elevar investimentos e nem o farão enquanto a eficiência marginal do capital não compensar tais investimentos. A recessão continuará promovendo os ajustes econômicos, especialmente no mercado de trabalho, aumentando o desemprego e retraindo o rendimento do trabalhadores ao longo de 2016. Ademais, os ajustes monetários e fiscais em curso reforçam este prognóstico, aprofundando as expectativas dos consumidores e do empresariado do lado real da economia. A indústria sofreu muito nos últimos anos e segue negligenciada pelos últimos de 30 anos de governo. Não há como pensar na retomada de um ciclo de crescimento vigoroso e sustentável sem passar pela reativação da indústria brasileira.​image (26)

 

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Research Macro: Rafael Leão, Diego Machado, Fábio Ralston e Klaus Troetschel.
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