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A agência estado, Broadcast, mais uma vez trás um artigo entrevistando o economista chefe da parallaxis, Rafael Leão, graduado pela PUC-SP, mestre pela Sorbonne. Quais seriam as ações previstas e possíveis do copom? veja o artigo abaixo:

“ECONOMISTAS DESEJAM VER NA ATA AS AVALIAÇÕES DO BC SOBRE CÂMBIO E INFLAÇÃO”

São Paulo, 10/03/2005 – Após a decisão do Comitê de Política Monetária
(Copom) em linha com as estimativas na reunião ordinária de março, os
economistas do mercado financeiro esperam ver na ata do encontro
avaliações da diretoria do Banco Central principalmente sobre o câmbio
e a inflação. Depois da repetição do comunicado enxuto da reunião de
janeiro, entendido por muitos como uma forma de deixar a porta aberta
para novos ajustes na Selic, alguns dos analistas consultados pelo AE
Projeções deixaram claro que desejam ver especialmente as
interpretações do BC em relação à escalada do dólar e aos índices de
preços pressionados pela penca de reajustes tarifas do início de 2015.

No cenário atualmente turbulento, tanto da economia nacional como da
política, profissionais ouvidos não descartam que o Copom reconheça a
dificuldade da concretização do desejo inicial de que o Índice
Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) convirja para a marca de
4,5% em 2016. Com o número no momento acima do nível de 7% no
acumulado de 12 meses e com várias expectativas do mercado de que
fique na casa dos 8% no fim de 2015, alguns economistas avaliaram que
seria mais realista que a autoridade monetária reconhecesse tal
complexidade.

O Banco Central distribuirá a ata da reunião de março do Copom na
quinta-feira, dia 12. O documento deve ser liberado no site da
autoridade monetária no tradicional horário das 8h30. No encontro da
semana passada, os diretores do BC decidiram, de maneira unânime,
elevar a taxa básica de juros, de 12,25% para 12,75%, ratificando as
expectativas do mercado.

O economista-chefe do Banco Fibra, Cristiano Oliveira, não tem
inicialmente planos de alterar com a ata seu cenário de previsões para
o atual ciclo da Selic. De acordo com ele, o BC tende a fazer um
último ajuste, de 0,25 ponto porcentual, na reunião de abril do Copom
e só haveria modificação nas estimativas se o Copom sinalizasse algo
“totalmente diferente” do esperado.

“Acredito que o Banco Central vá explicitar sua visão acerca do
balanço de riscos para a inflação em 2016 e sinalizar algo para 2017”,
destacou Oliveira, para quem é ainda possível ver uma queda da Selic
entre o quarto trimestre de 2015 e o primeiro de 2016. “E também não
acho que seja zero a chance de o BC indicar que (a convergência do
IPCA para) a meta em 2016 pode ser flexibilizada”, acrescentou o
economista, que trabalha com juros no nível de 12% no fim do ano
atual.

Para o economista-chefe da Saga Capital, Marcelo Castello Branco, o
Copom deu “muito pouca informação” no comunicado da decisão da reunião
que elevou a Selic para a marca atual de 12,75% ao ano. Com isso, a
leitura da ata é importante para tecer opiniões e há uma expectativa
de referências explícitas ao ciclo e ao trabalho do BC. “Mas acho que
nossa curiosidade só será saciada depois do Relatório Trimestral de
Inflação”, disse, referindo-se ao documento previsto para ser
conhecido no fim de março.

Na avaliação de Castello Branco, o BC vai ter que reconhecer uma
inflação próxima de 8% para 2015 e as perguntas que devem ser feitas
estão relacionadas à inércia e de como a recessão está minorando os
efeitos. “Não vejo como os modelos do BC possam apontar para uma
situação mais tranquila. Então, acho que reconhecer a deterioração do
cenário é um ganho maior que fingir perseguir uma meta para o ano que
vem, que já tem cara de inexequível”, opinou.

Na MCM Consultores, os analistas aguardam que a ata do Copom mostre
nova elevação da projeção dos preços administrados de 2015, o que
trará avanço também na expectativa para o IPCA cheio. “Por outro lado,
é esperado que a projeção do IPCA para 2016 tenha se reduzido, tanto
no cenário de mercado como no de referência, aproximando-se mais da
meta de 4,5%”, escreveram, em relatório a clientes. “Esse ponto deve
ser enfatizado, uma vez que o atual discurso do BC trata da
convergência da inflação para a meta ao final de 2016. Tendo em vista
a repetição do comunicado lacônico divulgado em janeiro, espera-se que
a autoridade monetária dê algum sinal sobre os próximos passos da
política monetária”, complementaram.

O economista-chefe da Parallaxis Consultoria, Rafael Leão, não tem uma
expectativa tão grande como os demais colegas em relação ao documento
do Banco Central, mas chamou a atenção para a necessidade de um
destaque para o atual momento do dólar ante o real. “A ata deverá
manter o tom da anterior, reforçando a continuidade do ajuste na
Selic, no mesmo ritmo. Acredito que o destaque novamente deve ser o
câmbio, que o BC inseriu em seu cenário de referência e cenário de
mercado, dada a desvalorização significativa desde a última reunião”,
afirmou. “Ademais, o Copom não tem visto alívio, ou melhor, recuo nas
expectativas de inflação para 2015, enquanto, para 2016, o mercado
continua muito cético em relação ao BC entregar a taxa no centro da
meta ou abaixo”, salientou.

Para Leão, não deve ser nesta ata da reunião de março que o Copom
trará algum discurso de uma eventual flexibilização da busca pela meta
de 4,5% em 2016. “Vai levar um tempo para o BC começar a passar essa
comunicação, porque, dependendo da conjuntura, as expectativas podem
ceder para o ano que vem, caso a atividade caminhe para uma contração
ainda maior que o esperado”, avaliou.

Desde a decisão de quarta-feira (4) do Copom, o economista-chefe da
Parallaxis mudou a expectativa para a continuidade do ciclo atual de
aperto da Selic, com a previsão para os juros no fim de 2015 passando
de 13% para 13,50%. Ao AE Projeções, ele ressaltou, porém, que,
dependendo do que vier na ata, não descarta alterar para 14%. (Flavio
Leonel – flavio.leonel@estadao.com; e Maria Regina Silva –
maria.regina@estadao.com)