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O IBGE divulgou hoje pela manhã o PIB do 2º trimestre de 2016, que apresentou contração de -0,6% na passagem do 1º tri/16 para o 2º tri/16, com ajuste sazonal. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o PIB brasileiro encolheu -3,8%, levando o PIB brasileiro a R$ 6,02 trilhões, em valores correntes no acumulado em quatro trimestres, encerrados em junho/16.

Em relação as nossas projeções, na comparação com o tri imediatamente anterior, o resultado veio levemente inferior, dado que esperávamos contração de 0,5%, ajustado sazonalmente. Já na comparação com o mesmo tri do ano anterior, o resultado ficou de acordo com nossa projeção, de 3,8%.

Veja os detalhes da abertura das principais variáveis do PIB na tabela abaixo:

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A taxa de Investimento (FBCF/PIB) neste 2º trimestre ficou em 16,8%, recuando em relação ao mesmo período do ano anterior quando havia registrado 18,4%. De maneira oposta, a taxa de Poupança em relação ao PIB elevou-se, de 15,1% para 15,8% na comparação trimestral. Veja o release do IBGE na íntegra clicando aqui.

Na comparação com o 1º trimestre de 2016, na ótica da oferta, o PIB da Agropecuária recuou 2,0%, ao passo que a indústria cresceu 0,3% e os serviços retrocederam 0,8%. Na indústria, apesar da retração da Construção (-0,2%) e da estabilidade do PIB da Indústria da Transformação, foram preponderantes para o avanço do PIB industrial a indústria Extrativa mineral (0,7%) e a atividade de Eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana (1,1%). No PIB de Serviços, Transporte, armazenagem e correio (-2,1%), Outros serviços (-1,7%), Intermediação financeira e seguros (-1,1%), Comércio (-0,8%) e Serviços de informação (-0,6%) retraíram. Ao passo que, serviços de Administração, saúde e educação pública (0,5%) e de Atividades imobiliárias (0,1%) avançaram, porém não de maneira suficiente para compensar os demais.

Pela ótica do Consumo, a formação bruta de capital fixo após 10 trimestre consecutivos de retração avançou 0,4%, conforme antecipamos que ocorreria em nosso relatório sobre a produção industrial de junho/16. Por sua vez, o Consumo das famílias (-1,7%) apresentou sua 6ª retração. De maneira análoga, o Consumo do governo recuou 0,5%. No que tange o setor externo, as exportações de bens e serviços auxiliaram com aumento de 0,4%, e as importações de bens e serviços avançaram 4,5%.

Apesar deste avanço das importações, o setor externo apresentou contribuição líquida positiva, auxiliando para que a queda não fosse mais intensa. Conforme temos destacado desde o ano passado, o setor externo é de suma importância para a retomada da atividade após a recessão, e para tal, é vital o câmbio manter-se competitivo para as indústrias brasileiras. Deste modo, vemos com bastante preocupação a apreciação cambial, que pode estancar a única fonte de dinamismo econômico atualmente.

Na comparação com o 2º tri do ano passado, na ótica da oferta, o PIB agropecuária retraiu 3,1%, enquanto a indústria recuou 3,0% e os Serviços -3,3%. A retração do PIB agro pode ser explicada pela retração de algumas culturas relevantes no 2º trimestre de 2016, tais como milho (-20,5%), arroz (-14,7%), algodão (-11,9%), feijão (-9,1%) e soja (-0,9%). Na indústria, destacaram-se negativamente a indústria da transformação (-5,4%), a Construção Civil (-2,2%) e a Extrativa Mineral (-4,9%); Enquanto de maneira oposta, indústria de Eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana avançou 7,9%, resultado influenciado pela produção de energia hidrelétrica (e desligamento das térmicas), que havia se retraído fortemente com a estiagem de meados de 2014 até 2º tri de 2015.

Já em serviços, as atividade que apresentaram contração foram o comércio (-7,4%), transporte, armazenagem e correio (-6,5%), serviços de informação (-3,7%), outros serviços (-4,2%) e intermediação financeira e seguros (-3,3%). Por outro lado, o PIB das atividades imobiliárias avançou 0,1%.

Na ótica da despesa, todos os componentes da demanda doméstica recuaram pela 6ª vez consecutiva. A formação bruta de capital fixo recuou 8,8%, a despesa de consumo das famílias -5,0% e a despesa de consumo do governo -2,2%. Já no setor externo, as exportações de bens e serviços aumentaram 4,3%, enquanto as importações de bens e serviços retraíram em 10,6%, ambos influenciados pela desvalorização cambial. Entre os produtos e serviços da pauta de exportações, os maiores aumentos foram observados em veículos automotores, produtos agropecuários, metalurgia e papel e celulose. Já entre as importações, as maiores quedas foram observadas em siderurgia, automotivos, produtos têxteis, vestuário e calçados, e também viagens e transporte.

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No acumulado em 4 trimestres, o resultados que levaram à queda de 4,9% (a maior para série desde 1996) do PIB foram: Agropecuária (-2,4%), Indústria (-6,3%) e Serviços (-3,6%).

Na Indústria, somente a atividade de Eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana (3,7%) avançou. A indústria da transformação retraiu 9,9%, seguida pela construção (-5,0%) e pela extrativa mineral (-3,6%).

No PIB de Serviços, apenas atividades imobiliárias (0,1%) avançaram. Houve recuo de 10,1% no comércio, e nas atividades de Transporte, armazenagem e correio (-7,7%), outros serviços (-3,9%), serviços de informação (-3,3%), intermediação financeira e seguros (-1,3%) e de administração, educação pública e saúde pública (-0,5%).

Na análise da despesa, destacam-se os fortes recuos da formação bruta de capital fixo (-15,1%) e da despesa de consumo das famílias (-5,7%), que apresentaram suas maiores quedas da série histórica iniciada em 1996. A despesa de consumo do governo (-1,8%) também recuou. A intensa queda do consumo das famílias pode ser explicada pela deterioração dos indicadores de emprego e renda, crédito mais restritivo (com queda real) e juros mais elevado.

No setor externo, as exportações de bens e serviços cresceram 7,3%, enquanto as importações de bens e serviços recuaram 18,3%.

O resultado do PIB do 2º Tri/16 revelou a continuidade da contração da economia, conforme esperávamos. O aprofundamento da atividade já passou pelo seu pior momento, e agora deverá retrair de maneira menos intensa nos próximos trimestres, com possibilidade de apresentar algum crescimento já no primeiro tri de 2017. Para este ano, nossa expectativa de retração do PIB é de -3,4%. Já para 2017, esperamos que o PIB avance 1,1%.

Em tempo, destacamos que apesar do otimismo (níveis de confiança aumentando em diversos setores), o que determina a realização do investimento, além da taxa de juros, é o retorno do capital frente a demanda agregada futura, imaginada no momento de realização dos investimentos. E atualmente, a tendência é que a renda dos trabalhadores siga declinando e contraindo demanda, ao passo que o crédito siga restritivo.

O panorama para a economia brasileira segue pernicioso e recessivo nos próximos meses, especialmente devido a retração dos investimentos. A mudança nas expectativas tendem a contribuir para a retomada da atividade, mas é preciso que a demanda acompanhe, impulsionando a atividade. E para este fato se concretizar três variáveis serão chaves para serem acompanhadas, (i) o câmbio, (ii) a taxa de juros e (iii) a desalavancagem do setor privado. A taxa cambial, se seguir um ciclo de revalorização, poderá abortar o processo de retomada, que tem acontecido via setor externo. A taxa de juros real precisa recuar de modo que possibilite a retomada dos investimentos de maneira mais ampla. E por fim, o processo de desalavancagem do setor privado ainda não se concluiu e o crédito caro e altamente restritivo tem contribuído para que esse processo se estenda por mais tempo.

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Research Macro: Rafael Leão, Diego Machado e Fábio Ralston.

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