lógica
Post por F.Ogata.(Bacharel em economia,licenciado em filosofia e estudante de Direito)
@ogataogara

Introdução:

O pensamento econômico inicia-se em Aristóteles, quando o filósofo decide investigar as causas do comércio, da troca e das mercadorias. Um longo período se passa após Aristóteles e só na filosofia medieval, alguns franciscanos voltam a questionar sobre tais questões. Porém, apenas no século XVIII, com Adam Smith, é que a teoria econômica se torna consistente, prática e teórica. Mas é Marshall, economista inglês, quem consegue, efetivamente, canonizar a economia como ciência, anos mais tarde. Daí em diante surgiram muitos economistas, pensadores que atuaram nas políticas públicas e no modo econômico de pensar. Embora, exista uma gama variável de teóricos da ciência, há de se questionar: Qual seria a metodologia econômica correta e quais as possibilidades e ramificações? Nesse pequeno esboço, tento mostrar os modelos de argumentação econômica  por parte da lógica e algumas críticas a estes modelos de raciocínio.¹

O modelo lógico dedutivo-histórico e a Economia Política.

Antes de mais nada, o que seria lógica? Resumidamente, vamos entender lógica pelo estudo dos métodos que servem para distinguir o raciocínio correto do incorreto, ou mesmo a ciência que estuda a demonstração e o saber demonstrativo. O termo na verdade, vem de Logos, razão, palavra. Aristóteles, “pai” da lógica, dizia que a lógica consistia em um instrumento para a validade do pensamento, análise de juízos.

Sabendo brevemente do que se trata a lógica, temos que questionar, o que é um modelo lógico dedutivo e o que ele tem haver com a economia política. A economia, no inicio, nasce como uma discussão de uma ciência prática, política. Adam Smith, ao escrever as “Riquezas das nações” elabora um corpo teórico argumentativo com o objetivo de modificar a economia da época. Por isso, as discussões sobre economia iniciam-se por questões políticas, essenciais às nações da época.

Adam Smith era, antes de economista, filósofo. Anos antes da “Riqueza das nações” escreveu sobre filosofia moral. Quando Smith começa a observar a economia, ele parte de uma argumentação por muitas vezes dedutiva. E por isso, seu modelo metodológico é dedutivo, mas o que se trata isso?

Dedução é um raciocínio pelo qual parte-se do universal, geral para o particular. Um exemplo disso é o seguinte silogismo categórico:

“Todos os Homens são mortais.

Sócrates é Homem.

Logo, Sócrates é mortal. “

Nesse sentido, de duas preposições (Menor e Maior) surge uma conclusão. Do geral parte-se para o particular. Adam Smith, amigo de David Hume, também parte da incredibilidade aos argumentos indutivos. A obra “Riqueza das Nações” é basicamente uma obra com argumentação e metodologia dedutiva e históricas.

O modelo utilizado por Smith e por posteriores é acompanhado não só pela dedução como por questões de análise histórica, sendo que o próprio Adam Smith, parte de pressupostos históricos para poder concluir questões particulares da economia.

Basicamente e a grosso modo, até Marshall, uma parte dos economistas trabalhavam com argumentos dedutivos-históricos. A dedução é muito utilizada na filosofia, nas ciências humanas em geral. Como parte-se de pressupostos históricos, a dedução pode gerar problemas, já que se existem pressupostos errôneos e isso pode por toda a conclusão em invalidez.

Além de Smith, Ricardo, Marx, Jevons, entre outros economistas, utilizavam-se desse modelo metodológico. Não estritamente só o modelo dedutivo, mas como um conjunto de suas obras e suas ideias, pode-se dizer que a economia clássica acompanha o raciocínio dedutivo.²

Modelo indutivo, Hipotético-Dedutivo e a Economia Neoliberal

Ao contrário do raciocínio dedutivo, o indutivo é exatamente o oposto, isso é, parte-se de noções particulares caminhando para o geral e universal. Esse tipo de raciocínio foi muito utilizado nas ciências naturais, exatas. Uma boa parte de economistas começaram a utilizar essa “metodologia” hoje em dia e distanciam-se da dedução- histórica.

David Hume é um dos principais críticos dessa espécie de raciocínio, onde para ele, devido ao nosso hábito, por vezes criamos noções gerais pela indução e que na verdade essas noções gerais podem estar incorretas. Um exemplo para deixar isso mais claro:

Imaginemos que exista uma sacola escura com inúmeras bolinhas. Ao irmos retirando as bolinhas, percebemos que a primeira era preta, a segunda era preta e assim sucessivamente. Pelo hábito, somos levados a crer que só existem bolinhas pretas nessa sacola escura. A verdade é que isso é provável, mas não é certo. Por isso, para Hume, a indução não teria como ser válida ou inválida, mas sim provável ou não. E o que isso tem haver com a economia?

Há quem diga que a economia não se utilizou dos modelo indutivo propriamente dito e sim do modelo hipotético dedutivo, coisa que difere, porém,  como grandes teóricos de hoje em dia partem de dados, estatísticas, ficaria complexo negar tal elemento na história do pensamento. É verdade que a partir de Marshall e Stuart Mill, grande parte dos economistas acabaram por utilizar um método mais baseado em hipóteses e não mais em história. Mas, hoje, temos economistas voltados ao processo de raciocínio indutivo.

Apenas para citar exemplos: Walras, Marshall( Dedutivo- Hipotético)

Thomas Piketty (Indutivo)

Conclusão e advertência

Não se pode dizer que tais economistas só utilizaram um método apenas, pois muitas vezes utilizam-se os dois. A questão é que o foco de cada tema econômico diverge. Não existiria um modelo correto, pois isso diferencia do tema e da problemática econômica. Se por um lado o indutivo gera apenas probabilidade, o dedutivo necessita de pressupostos que devem estar válidos e verdadeiros para que a conclusão também o seja. O modelo histórico exige uma hermenêutica, enquanto o hipotético pode gerar questões fora da realidade. A economia ainda tem muito que aprender com outros campos de conhecimento, como matemática, filosofia, física, história, etc.

Notas:

¹- Tais estudos referem-se apenas a elucidar tais tipos de raciocínio.

2- Existe uma divergência quanto aos métodos adotados por cada autor.

 

Referências bibliográficas:

AGARWALA, A. N. e S. P. SINGH, eds. (1958) The Economics of Underdevelopment. New York: Oxford University Press.         BLAUG, Mark (2002) “Ugly currents in economics”. In Uskali Mäki, ed. (2002): 35-56.       

BLINDER, Alan S. (1998) Central Banks in Theory and Practice. Cambridge, Ma.: MIT Press.      

BRESSER-PEREIRA, Luiz Carlos e Gilberto TADEU LIMA (1996) “The irreducibility of macro to microeconomics: a methodological approach”. Brazilian Journal of Political Economy 16(2):15-39.        

HABERMAS, Jürgen (1967 [1988]) On the Logic of the Social Sciences. Cambridge, Ma.: MIT Press.

PEIRCE, Charles S. (1878) “Deduction, induction, and hypothesis.” Popular Science Monthly 13: 470-482.

SCHUMPETER, Joseph A. (1959) History of Economic Analysis. Oxford: Oxford University Press