bra2

Pedro Igor Mantoan – Consultor Associado de Regulação & Assuntos Governamentais

  1. Primeiro vendaval derruba Jucá do coqueiro – Incerteza paira no ar

Contados os primeiros 10 dias do governo interino, a crise política mostra-se persistente e ainda refém do imprevisível. A queda do Ministro Romero Jucá significa um forte abalo, dada a importância do ex-ministro como quadro da equipe econômica e, sobretudo, como articulador político hábil, fundamental às gestões pró-impeachment no Congresso e no âmbito interno ao PMDB. Jucá, além de Senador e então Ministro do Planejamento, é o presidente em exercício da legenda, posição que assumiu com o afastamento de Temer do posto que ocupava desde 2001, em virtude da articulação e consolidação da ruptura do partido com o governo Dilma.

Nesse sentido, o vazamento dos diálogos de Romero Jucá com Sérgio Machado, além de dar munição à nova oposição, que já conta a recriação do Ministério da Cultura no placar, evidenciam o que muitos temiam: o impeachment, em si, não foi capaz de devolver alguma estabilidade ao sistema político. A publicação de diálogos de Machado com Renan Calheiros, sem o mesmo efeito bombástico, reiteram o que já se especulava no início da semana: Machado gravou diversas lideranças políticas e há muito ainda pela frente. Relevante recordar quem é Sérgio Machado: ex-senador pelo Ceará, nomeado em 2003 à presidência da Transpetro, subsidiária da Petrobrás, transita entre PMDB e PSDB desde os anos 80.

  1. Folgada base de 3/5 ainda não foi colocada à prova.

O atual quadro torna relativamente incerto o ambiente necessário às reformas almejadas. No momento, pode-se afirmar que o governo desfruta com tranquilidade da maioria necessária para aprovação de Emendas à Constituição, havendo espaço para avanços no modesto pacote apresentado na última terça-feira. Propostas maiores de reforma, todavia, ainda deixam dúvidas sobre sua viabilidade no Congresso, como Previdenciária e Trabalhista. No mesmo sentido, a opção por não propor um ajuste fiscal mais efetivo, com CPMF temporária ou referências à elevação da CIDE, por exemplo, sugerem que o governo interino não estava disposto a testar os limites de sua base nesse momento.

  1. Nova oposição – o novo “Eles”.

Possíveis mobilizações de rua, que se intensificam sobretudo em São Paulo e no Rio de Janeiro, devem acender o alerta, ainda que não se possa visualizar um clima similar ao das manifestações pelo impeachment ou ao visto em 2013. As bancadas parlamentares de oposição, por sua vez, ainda que parte da agenda proposta pelo governo em exercício já tenha sido defendida pela presidente afastada, demonstram relevante empenho na obstrução dos trabalhos, como se verificou na sessão do Congresso para apreciação da meta fiscal. Ainda no campo de oposição ao governo interino, é incerta a posição do ex-presidente Lula, até o momento recluso. É certo que, atualmente, a bandeira de novas eleições não encontra suporte nos movimentos sociais.

  1. Estreita base de 2/3 – Processo pode flopar?

A força política do governo interino é sólida, mas encontra-se em descenso. Nesse sentido, o quanto antes avançarem suas propostas, maiores as probabilidades de êxito. Sobretudo, a efetivação do governo, que consideramos altamente provável no atual momento, deve ser acompanhada com atenção. O mapa do Senado mostra-se estreito a Temer. Admitido o processo de impeachment no Senado por 55 votos, com folga de apenas um voto ao necessário para o julgamento definitivo, novas crises sobre seus quadros políticos e o desgaste de medidas impopulares poderão comprometer a solidez da necessária base de 2/3.

  1. Fantasma da crise política ainda ronda Brasília

O cenário indica viabilidade para aprovação de alterações legislativas e Emendas Constitucionais, sendo provável o avanço do pacote já proposto pela equipe econômica. Contudo, persiste relevante grau de instabilidade, que poderá se agravar ao longo das próximas semanas com novas fases da Operação Lava-Jato e, sobretudo, inesperadas revelações de diálogos e documentos que possam atingir peças chave da base de apoio ao governo interino. A situação de outros ministros investigados ou já citados gera riscos reais ao governo. Por fim, as manifestações de rua contra o governo em exercício tendem a se ampliar conforme avancem medidas impopulares, como cortes em áreas sociais e as reformas previdenciária e trabalhista.

Para ler em PDF, clique aqui!


Parallaxis Consultoria | parallaxis.com.br – R. São Bento, 329 – Cj. 94 – São Paulo, SP

Tel: +55-011-3101-1368

Research Macro: Rafael Leão, Diego Machado e Fábio Ralston.

Regulation & Government Affairs: Pedro Mantoan

Disclaimer:

Este relatório foi preparado pela Parallaxis Consultoria e é distribuído apenas para clientes, com a finalidade única de prestar informações sob indicadores econômicos em geral. Não possuindo a Parallaxis Consultoria qualquer vínculo com pessoas que atuem no âmbito das companhias analisadas, assim como a empresa não recebe remuneração por serviços prestados ou apresenta relações comerciais com as companhias analisadas. Apesar de ter sido tomado todo o cuidado necessário de forma a assegurar que as informações no momento em que as mesmas foram colhidas, a precisão e a exatidão de tais informações não são por qualquer forma garantidas e a Parallaxis Consultoria por elas não se responsabiliza. Os preços, as opiniões e as projeções contidas nesse relatório estão sujeitos a mudanças a qualquer momento sem necessidade de aviso ou comunicado prévio. Este relatório não pode ser interpretado como sugestão de compra ou de venda de quaisquer ativos e valores imobiliários. Este relatório não pode ser reproduzido, distribuído ou publicado por qualquer pessoa, para quaisquer fins.