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Pedro Igor Mantoan – Consultor Associado de Regulação & Assuntos Governamentais (pedro@pmac.com.br)

A turbulência política em Brasília volta à Câmara com a iminente cassação de Cunha. No âmbito das investigações, a Operação Custo Brasil abala as movimentações contra o impeachment no Senado.

  1. Eduardo Cunha à beira do precipício.

A aprovação do relatório contra Cunha na comissão de ética consolida a forte tendência por sua cassação. Apesar das gestões empreendidas pelo Palácio do Planalto junto ao PRB da deputada Tia Eron, a pressão política do ano eleitoral e a forte imagem negativa do presidente afastado da Câmara empurraram o voto da deputada à posição contrária a Cunha. Em plenário, com voto aberto, é pouco provável que Cunha salve o mandato parlamentar. Reunião no último domingo entre Cunha e Temer, no Palácio do Jaburu, pode ter buscado alternativas, mas o timing para Cunha salvar-se da cassação por meio da renúncia à presidência da Câmara já foi perdido.

Discute-se na Câmara o dia seguinte: sucessão da presidência da casa legislativa e o “risco-Cunha” na Lava Jato. Com a força do “centrão”, composto pelo baixo clero conservador, nomes variados disputarão internamente a posição, muitos apenas para aumentar a barganha sobre o governo. Na Lava Jato, especula-se o risco de Cunha sem foro privilegiado, com possibilidade real de ter prisão decretada em primeira instância. O possível alcance de uma delação de Cunha preocupa as lideranças do governo.

  1. Operação Custo Brasil abala os planos contra impeachment.

A prisão do ex-ministro Paulo Bernardo pela Operação Custo Brasil impacta diretamente a senadora Gleisi Hoffmann, esposa do ex-ministro e uma das principais vozes contra o impeachment no Senado. Apesar da duvidosa legalidade da busca e apreensão realizada no imóvel de residência comum do casal, que estaria abrangido pelo foro especial da senadora, havendo risco de anulação de elementos de prova eventualmente obtidos, o efeito político é notável e compromete a atuação de Gleisi.

A nova operação colocou o partido dos trabalhadores de volta ao foco das investigações, após uma sucessão de revelações atingindo as lideranças do PMDB e do governo Temer. Bernardo foi Ministro do Planejamento no governo Lula e das Comunicações no governo Dilma. A prisão de um ex-Ministro do governo Dilma tem potencial para abalar sua defesa e, possivelmente, trazer novas revelações que afetem outras lideranças.

No mesmo sentido, reacende o sinal de alerta da equipe de Lula a notícia da retomada de inquéritos contra o ex-presidente na força-tarefa em Curitiba, referentes ao apartamento e ao sítio, bem como o encaminhamento pelo Ministro Teori Zavascki de denúncia à justiça federal de Brasília com acusação quanto à tentativa de calar Nestor Cerveró, juntamente ao Senador Delcídio Amaral.

  1. A fatura do impeachment e o placar do Senado.

Com os andamentos dos trabalhos da comissão do impeachment e aproximação da votação em plenário, estimada para agosto, os partidos que apoiaram o afastamento da presidente Dilma apresentam a fatura ao governo interino e condicionam a confirmação do impeachment a indicações diversas. O fato é que para essa margem de “indecisos”, cerca de 15 senadores de legendas de centro, o desgaste já experimentado pela gestão Temer e os argumentos jurídicos da defesa oferecem discurso para um possível voto pró-Dilma “com ressalvas”. Ou seja, há discurso para os dois lados, leva quem oferecer mais.

O espaço político é restrito e Temer depara-se com o limite do balcão de cargos para garantir o apoio necessário no Senado e, simultaneamente, manter sob controle o centrão da Câmara, agora sem Cunha à disposição para exercer a tarefa. O prazo é curto para oferecer boas notícias capazes de criar uma atmosfera política de apoio ao governo. Já não se discute o afastamento de uma presidente impopular, mas a confirmação do vice-presidente. Com a aproximação de agosto, a fatura do impeachment ficará progressivamente mais cara.

  1. Brexit: o cavalo arreado

Principal assunto em âmbito internacional, o Brexit provocou oscilações nos mercados globais. Mas em que medida o Brasil é afetado pela decisão dos britânicos de deixar a União Europeia? Se a ruptura não representar a escalada de nova crise internacional, a mudança poderá ser bem aproveitada pelo Itamaraty em sua nova diretriz de busca por acordos bilaterais. O Reino Unido será obrigado a rever todos os acordos vigentes via União Europeia e uma diplomacia comercial atenta do Brasil poderá identificar novas oportunidades ao setor produtivo do país no mercado britânico.

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