Tighten (your) belts - expression

Seguindo o resultado anunciado pelo Tesouro Nacional (déficit de R$ 7,9 bi), o Banco Central divulgou hoje sua nota de Política Fiscal do setor Público consolidado para mar/16. A nota registrou déficit primário de R$ 10,6 bi para o setor público consolidado, no qual o Governo Central e os Governos Regionais demonstraram déficits de R$ 8,9 bi e R$ 893 mi, ao passo que os Empresas Estatais realizaram déficit de R$ 806 mi.

O resultado primário foi pior que o esperado, a medida que a mediana da expectativa do mercado, apontava para déficit de R$ 8,8 bi, e também à nossa expectativa de superávit de R$ 7,4 bi. Nosso desvio em relação ao efetivo ocorreu do resultado dos governos regionais, os quais esperávamos apresentarem um resultado superavitário.

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Em doze meses, o primário acumulado pelo governo segue deficitário em R$ 136 bi (2,28% do PIB), elevando-se marginalmente ante o acumulado 12 meses em fev/16, de R$ 125,1 bi (2,11% do PIB).

Os juros nominais apresentaram receita líquida R$648 bi, contra despesa líquida de R$29,8 bilhões em fev/16. Favoreceram para esse efeito o resultado positivo de R$42,7 bilhões das operações de swap cambial no mês. No acumulado no ano, os juros nominais atingiram R$ 85,4 bi, ante R$ 143,8 bi no mesmo período do ano anterior. Em doze meses, os juros nominais somaram R$ 443,3 bi (7,44% do PIB), -1,2 p.p. do PIB em relação ao observado em fevereiro.

O resultado nominal foi deficitário em R$ 10 bi em março. No ano, o déficit nominal totalizou R$ 91,1 bi, ante o déficit de R$ 124,8 bi no primeiro tri de 2015. No acumulado em doze meses, o déficit nominal somou R$ 579,3 bi (9,73% do PIB), -1,02 p.p. do PIB em relação ao valor registrado em fevereiro.

Por sua vez, o déficit nominal de março foi financiado com expansões de R$ 9,2 bi na dívida mobiliária, de R$ 5,7 bi na dívida bancária líquida e de R$ 3,9 bi no financiamento externo líquido, compensadas em parte, pela redução R$ 8,9 bi nas demais fontes de financiamento interno, que incluem a base monetária.

Na ótica da dívida, a dívida líquida do setor público alcançou R$ 2.314,8 bi (38,9% do PIB) em março, +2,1 p.p. do PIB em relação ao mês anterior. A valorização cambial de 10,6% no mês contribuiu com a elevação de R$ 129,2 bi no estoque da DLSP. A Dívida Bruta do Governo Geral (Governo Federal, INSS, governos estaduais e governos municipais) ficou em R$ 4.005,7 bis em março (67,3% do PIB), -0,4 p.p. do PIB em relação a fev/16.

Com relação a perspectiva para os próximos meses, esperamos um comportamento semelhante ao visto em 2015. Observaremos superávits incipientes, que não atingirão o montante para o cumprimento da meta de superávit de 0,5% do PIB e acabarão sendo subtraídos pelos meses de déficits até o final de 2016.

Tal dificuldade no cumprimento da meta deve ser creditada à recessão econômica, que continua impactando negativamente as receitas do governo que deverão ao longo do ano continuar apresentando contração real. Outro fato que contribuirá para esse desempenho negativo das contas é a ausência de reformas necessárias para o desengessamento do gasto público, além da inflação que deve permanecer no patamar de 6%-7% este ano.

Dessa forma, acreditamos que o governo central apresentará déficit primário entre 2,5% e um 3,0% do PIB este ano. Para 2017, esperamos um déficit entre 1,3% e 1,8%.

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Research Macro: Rafael Leão, Diego Machado e Fábio Ralston.

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