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Seguindo o resultado anunciado pelo Tesouro Nacional de déficit de R$ 15,5 bi, o Banco Central divulgou hoje sua nota de Política Fiscal do setor Público consolidado para mai/16. A nota registrou déficit primário de R$ 18,1 bi para o setor público consolidado, no qual o Governo Central e os Governos Regionais demonstraram déficits de R$ 17,8 bi e R$ 212 mi, ao passo que os Empresas Estatais realizaram déficit de R$ 147 mi.

O resultado primário veio ligeiramente abaixo do esperado, à medida que nossa expectativa de déficit era de R$ 19 bi. O resultado do mês de maio, mais do que “compensou” o superávit de R$ 10,1 bi, apresentado no mês anterior. O resultado deste mês foi o pior resultado primário para os meses de maio, desde 2002.

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Em doze meses, o primário acumulado pelo governo aprofundou o déficit para R$ 150,5 bi (2,51% do PIB), elevando-se ante o acumulado 12 meses em abr/16, de R$ 139,3 bi (2,33% do PIB).

Os juros nominais apresentaram despesas líquidas de R$42,5 bi, contra despesas líquida de R$ 23,3 bi em abr/16. Favoreceram para esse efeito, além do maior número de dias úteis, a perda em operações de swap cambial em maio (R$ 3,1 bi) comparativamente ao ganho do mês anterior (R$ 12,3 bi). No acumulado no ano, os juros nominais atingiram R$ 151,2 bi, ante R$ 198,9 bi no mesmo período do ano anterior. Em doze meses, os juros nominais somaram R$ 454 bi (7,57% do PIB), +0,21 p.p. do PIB em relação ao observado em abril.

O resultado nominal foi deficitário em R$ 60,6 bi em maio. No ano, o déficit nominal totalizou R$ 164,9 bi, ante o déficit de R$ 173,4 bi no mesmo período de 2015. No acumulado em doze meses, o déficit nominal somou R$ 604,6 bi (10,1% do PIB), -0,03 p.p. do PIB em relação ao valor registrado em abril.

O déficit nominal de maio foi financiado mediante aumento de R$ 59,6 bi na dívida mobiliária e de R$ 2,8 bi na dívida bancária líquida, contrabalanceadas parcialmente, pelas reduções de R$ 1,5 bi de outras fontes de financiamento interno, que incluem a base monetária, e de R$ 228 mi no financiamento externo líquido.

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Na ótica da dívida, a dívida líquida do setor público alcançou R$ 2.739,1 bi (39,6% do PIB) em maio, +0,2 p.p. do PIB em relação ao mês anterior. No ano, a DLSP/PIB subiu 3,5 p.p., devido aos juros incorporados (+2,5 p.p.), a valorização cambial de 7,9% no período (1,6 p.p.), déficit primário (0,2 p.p.), efeito do crescimento do PIB nominal (-0,6 p.p.), ajuste de paridade da cesta de moedas da dívida externa líquida (-0,2 p.p.) e o reconhecimento de ativos (-0,1 p.p.). A Dívida Bruta do Governo Geral (Governo Federal, INSS, governos estaduais e governos municipais) atingiu R$ 4.113,9 bi em maio (68,6% do PIB), +0,9 p.p. do PIB em relação ao mês anterior.

Com relação a perspectiva para os próximos meses, esperamos continuidade da trajetória da deterioração do déficit este ano, caso medidas adicionais de curto prazo não sejam tomadas. Dificilmente escaparemos de um déficit primário de R$ 170 bi na atual conjuntura. Conforme temos antecipamos há alguns meses, estamos caminhando para um resultado primário negativo de 3% do PIB.

Tal deterioração dos próximos meses deverá ser creditada à recessão econômica, que continua impactando negativamente as receitas do governo que seguirão ao longo do ano apresentando contração real. Outro fato que contribuirá para esse desempenho negativo das contas é a ausência de medidas que contribuam para o resultado em 2016, a possível capitalização da Eletrobrás, além da inflação que deve permanecer no patamar de 6%-7% este ano.

Dessa forma, acreditamos que o governo central apresentará déficit primário de 3,0% do PIB este ano. Para 2017, esperamos déficit entre 1,3% e 1,8%.

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Research Macro: Rafael Leão, Diego Machado e Fábio Ralston.

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